Quota de contratação de egressos do sistema

EM SETEMBRO, O BANCO MUNDIAL DIVULGOU

um relatório que aponta: até 2050, a produção de lixo no mundo deve aumentar em 70%. Isto signifi ca que, caso medidas não sejam tomadas com urgência, teremos 9 bilhões de habitantes e 4 bilhões de toneladas de lixo urbano ao ano. Paga-se um elevado custo ambiental e fi nanceiro por isso. A maior parte dos resíduos sólidos produzidos no mundo, cerca de 800 milhões de toneladas/ano, é descartada em aterros. E há uma especial despreocupação com o plástico. De acordo com o relatório, em 2016 o mundo gerou 242 milhões de toneladas de dejetos plásticos, que podem afetar por centenas ou milhares de anos os ecossistemas. Já segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), essa situação, além de prejudicar a economia e o meio ambiente, representa riscos à saúde. A
falta de coleta ou o descarte de lixo em locais inapropriados contamina o solo e os cursos d’água, sua queima sem controle polui o ar e o baixo uso de materiais reciclados acelera o esgotamento dos recursos naturais.
Daí a importância de leis como a nº 12.305/2010, que fala da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A lei brasileira obriga os fabricantes e distribuidores a recolher suas embalagens usadas. Mas não basta reaproveitar e remover refugos do processo de produção, por exemplo.

O fabricante é responsável por todas as etapas da vida útil do produto. Por isso, conceitos como da logística reversa passaram a ser muito difundidos no universo corporativo, se transformando em uma importante ferramenta para a sustentabilidade empresarial. De acordo com a Política Nacional de Resíduos
Sólidos, logística reversa é um conjunto de ações, procedimentos e meios para viabilizar a coleta e restituição dos resíduos ao seu emissor, para reaproveitamento ou outra destinação fi nal ambientalmente adequada. “Há muito desperdício, tanto nos processos industriais como nos processos de coleta seletiva. A logística reversa possibilita a reutilização desse material ou, se não for possível, promove o descarte correto do mesmo”, explica o presidente do Instituto de Logística Reversa (Ilog), Nilo Cini Junior. “Dessa maneira, as empresas têm se esforçado para reintegrar os resíduos nos processos produtivos originais, minimizando as substâncias descartadas na natureza e reduzindo o uso de recursos naturais”.

LOGÍSTICA REVERSA NA PRÁTICA

Quase cinco toneladas de plástico e 24 mil galões a menos no meio ambiente. Este resultado impressionante é o que uma única empresa de segurança e serviços conquistou em dois anos da aplicação da logística reversa. “Antigamente, comprávamos cerca de 500 galões por mês para a distribuição de produtos diluídos, mas
percebemos que estávamos gastando muito com estas compras. Em contrapartida, notamos que em muitos clientes nossa operação já recolhia os galões usados e
trazia de volta para a empresa. Ou seja, para fazer a logística reversa faltava apenas oficializar”, explica o diretor Comercial do grupo, Ronaldo Leão. A empresa sequer precisou de investimento. “Já tínhamos os veículos que iam a todos os clientes mensalmente. O espaço para a higienização dos galões é o mesmo
onde diluímos os produtos concentrados. Além disso, em 95% dos casos, galões de desinfetantes são reutilizados com desinfetantes, os de limpa vidros novamente com limpa vidros, por isso não exige um processo de higienização pesada. Hoje, só compramos novos galões para implantar novos clientes, e uma única vez”, completa.
Com a aplicação da logística reversa, além de evitar que 4,8 toneladas de plástico fossem descartadas na natureza, a empresa ainda obteve uma economia expressiva. “Em uma conta simples, de amostragem, se deixamos de comprar mil galões por mês, a R$ 1,50 cada, por 12 meses, evitamos gastar R$ 18 mil por ano”, comemora Ronaldo.

DE RESÍDUOS SÓLIDOS A UNIFORMES

Pensando em diferentes formas de implantar a sustentabilidade na rotina, outra empresa de segurança e serviços colocou para funcionar um Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PRGS) interno. “Contratamos uma consultoria para mapear tudo o que poderia ser convertido em reciclagem e ser benéfico para a natureza. Foi feito um levantamento das atividades em nossas filiais e, a partir disso, desenvolvido o plano”, detalha a diretora de Marketing, Daniella Barbosa. Em paralelo, a empresa colocou várias iniciativas pontuais em prática, como a coleta seletiva de lixo nos prédios administrativos; a reciclagem de pilhas e baterias; a implantação de bituqueiras ecológicas, com reaproveitamento do resíduo para a fabricação de asfalto; a entrega do óleo utilizado na frota para uma empresa certificada fazer o descarte; e a reciclagem de coletes balísticos, devolvidos após o uso à fornecedora, que faz o reaproveitamento para a produção de pastilhas e lonas de freio.
Outro sucesso ambiental é o Projeto Reforme, que reutiliza uniformes antigos na confecção de bolsas, carteiras, cobertores e outros acessórios. “Antes do Reforme, gerávamos 24 toneladas por ano de resíduos têxteis (sapatos, cintos, botões, bonés, entre outros), que agora são 100% reciclados. Também passamos a economizar em torno de R$ 250 mil anuais com transporte, descarte e incineração de material. Hoje, tudo o que é recolhido passou a ser doado para entidades que geram empregos e renda à população mais carente”, ressalta Daniella.

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SUSTENTABILIDADE COMO VALOR GLOBAL

Não é uma tarefa simples: demonstrar, esclarecer, convencer e implantar. Mas quando é possível envolver o cliente nas ações de preservação, todo o time vibra com a vitória, compartilha e multiplica. Foi o que aconteceu com uma franqueadora de serviços de limpeza, que implantou um projeto de coleta de lixo para reciclagem em um grande condomínio comercial, no Rio de Janeiro — com o apoio ativo dos gestores e ampla mobilização dos condôminos. “Sustentabilidade é um dos principais valores da empresa em nível global. Por isso, estamos atentos a cada oportunidade de implementar práticas ambientais nas instalações dos nossos clientes”, diz a diretora de Hospitalidade, Shirley Figueiró. “No moderno condomínio comercial, com mais de 15 mil m², onde os serviços de limpeza estão aos
cuidados de uma de nossas franquias, para fechar o círculo da gestão ágil e eficiente só faltava avançar na questão de resíduos. Nossos operacionais identificaram as condições, realizaram o diagnóstico, o projeto e colocaram a proposta na mesa”, explica.

Já no primeiro quadrimestre, foi constatado o aumento de 38% na separação para reciclagem de materiais como papelão, papel branco, plástico duro, jornais, revistas e latas. “Os números podem parecer tímidos, mas são extremamente expressivos”, diz Shirley. “Os resultados têm chamado a atenção de outros empreendimentos da região e estamos confiantes em nossa experiência para agregar imenso benefício às práticas sustentáveis na nossa especialidade”.

NEUTRALIZAÇÃO DE RESÍDUOS E CRÉDITOS DE CARBONO

Além da reciclagem ou reutilização direta, há outras formas da empresa compensar o meio ambiente. Em um projeto que reforça a sustentabilidade ambiental e social, uma limpadora foi pioneira ao neutralizar 100% da massa de resíduos gerados por suas embalagens pós-consumo. “Cuidamos para que o equivalente à massa de resíduos gerada por nossa produção seja capturado e reinserido à cadeia produtiva por meio da reciclagem. Em um ano, foram 7.525kg de resíduos plásticos devolvidos à cadeia produtiva – 100% da produção e muito acima dos 22% exigidos pela legislação”, destaca o coordenador de Marketing, Enrico Vacaro.

A iniciativa acontece em parceria com a Recicleiros, uma organização voltada a soluções e gestão sustentável de resíduos sólidos, e com a YouGreen, uma cooperativa de catadores que operacionalizou o processo. “A política feita para esta mitigação permitiu o incremento da renda da cooperativa
de catadores, reconhecendo a importância dessas pessoas nos processos de logística reversa das embalagens”, explica. A empresa conta ainda com outra ação relativa à compensação de carbono. “Desde 2010, nossas emissões de CO² são neutralizadas com a compra de créditos de carbono social, graças ao Programa Brasileiro GHG Protocol, que teve nossa empresa como primeiro membro do mercado de Limpeza Profi ssional”, ressalta Enrico. “Os investimentos são
com a manutenção da associação, os custos da verificação do inventário (realizado por uma empresa externa, para garantir a neutralidade) e na compra do crédito de carbono social equivalente à nossa produção. Em 2017, compensamos 89 mil kg de CO² com créditos do projeto Ecomapuá, que conserva uma área de 90 mil hectares do bioma da Floresta Amazônica”.

A relação de causa e efeito entre a sustentabilidade e a Limpeza Profissional é direta. Além de consumir água e energia, todo o resultado da atividade – ou seja, a sujeira e os resíduos – precisa ser descartado. Por isso, o manejo correto é imperativo. Mas, além de dar o bom exemplo, ao implementar projetos de sustentabilidade as empresas do segmento também ganham, seja na melhoria da gestão de recursos, na redução de custos ou no reconhecimento do mercado. Isto só reforça que o setor está no caminho certo.

 

Contribuíram com esta reportagem: Gocil Segurança e Mulisserviços, Grupo Modulo, Ilog, Jani-King e RL Higiene.