EMBORA NEM TODOS SAIBAM DEFINIR COM clareza, é difícil hoje em dia encontrar alguém que não tenha ouvido falar do termo fake news. Sua forma mais comum, segundo o Dicionário Cambridge, é a “propagação de histórias falsas que aparentam ser notícias, na Internet ou outras mídias, usualmente para influenciar pontos de vista políticos”.

E aqui se encontra sua faceta mais perigosa em um ano de eleições. Já se tem como certo que as “notícias falsas” irão protagonizar o embate eleitoral em 2018, especialmente em um cenário de tamanha polarização. Só não se sabe ainda o tamanho de seu impacto.

Mas é possível prever. Nas eleições norte-americanas de 2016, segundo levantamento do portal BuzzFeed News, nos três últimos meses de campanha, vinte histórias falsas relacionadas às eleições, publicadas por sites que se diziam informativos, geraram mais de 8 milhões de compartilhamentos, reações e comentários no Facebook. Várias destas notícias tiveram mais alcance na rede social do que os principais veículos jornalísticos do país, como o Washington Post e o New York Times. As duas notícias que mais repercutiram foram “Hilary Clinton vendeu armas para o Estado Islâmico” e “Papa Francisco choca o mundo e apoia Donald Trump” que, embora falsas, certamente tiveram grande impacto sobre os votos do eleitorado.

No Brasil, partidos políticos já contam com o apoio de colaboradores cuja única função é a criação desse tipo de notícia, visando a promoção do candidato patrocinado ou a ruína de seus concorrentes. E os internautas parecem não estar preparados para se blindar contra este fenômeno. De acordo com um levantamento da Universidade de São Paulo (USP), cerca de 12 milhões de pessoas compartilharam fake news no Brasil em junho deste ano. O levantamento, que monitorou 500 páginas digitais de conteúdo político falso ou distorcido, indica que tais notícias têm potencial para alcançar grande parte da população brasileira, se considerada a média de 200 seguidores por usuário.

Para os analistas, outro dado a ser considerado é o grau de confiança do brasileiro nas redes sociais como fonte de escolha do melhor candidato em 2018. Para 36% dos brasileiros, segundo pesquisa Ibope de junho deste ano, as mídias sociais terão muita influência neste processo. Além disso, muitos eleitores utilizam estes meios para consumir notícias sobre política.

Com o objetivo de tentar frear esse fenômeno e seus efeitos na próxima eleição, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já prepara ações em conjunto com o Ministério da Defesa, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Exército. Enquanto o TSE se encarregará da parte jurídica, punição e interpretação dos conteúdos divulgados, as outras instituições trabalharão na parte tecnológica, de verificação de vulnerabilidade de sistemas e na detecção de robôs responsáveis por disseminar notícias falsas. E segundo o presidente do TSE, Luiz Fux, caso seja comprovado que algum candidato tenha sido beneficiado por notícias fraudulentas, a eleição deste ano pode chegar a ser anulada.

Vale lembrar que, por trás da propagação de fake news, muitas vezes pode estar o cidadão de bem que, influenciado por notícias propositalmente passionais, acaba compartilhando informações sem checar sua veracidade. O primeiro passo, nestes casos, é buscar se a mesma notícia foi publicada por grandes veículos de imprensa e fontes fidedignas. Por trás das fake news, há grupos exclusivamente interessados em alcançar seus objetivos por meio da manipulação dos leitores. Nas eleições de 2018 a regra é: questione, duvide, verifique. Não permita que seu clique seja multiplicador de mentiras que podem prejudicar a democracia do país.