Mercado brasileiro de produtos e serviços para animais de estimação é o terceiro maior do mundo e
seu sucesso depende de higienização e limpeza

CRESCIMENTO MESMO EM TEMPOS DE CRISE. Esta é a realidade do setor de produtos e serviços voltados a animais de estimação que, de acordo com o IBGE, fechou 2017 com um saldo de mais de R$ 19 bilhões. A indústria pet no Brasil é a terceira maior do mundo em faturamento, ficando atrás apenas de EUA e Reino Unido. Mas este sucesso não é nada sem a participação da limpeza.

E não estamos falando de shampoos ou sabonetes, mas de pet shops, clínicas e hospitais veterinários, que configuram a parte deste segmento mais sensível no que concerne à higienização. Toda a regulamentação e fiscalização na forma de execução dos procedimentos é realizada pela Vigilância Sanitária. Porque saúde é coisa séria.

Primeiramente, é preciso lembrar que estes locais necessitam de instalações adequadas. As paredes, pisos, tetos e estruturas devem ser de material liso, impermeável, lavável, resistente e livre de umidade, rachadura e outras imperfeições. Janelas e ralos devem ter proteção contra o acesso de animais sinantrópicos. No caso de lugares que realizam procedimentos cirúrgicos, é preciso haver uma área exclusiva para limpeza e esterilização de materiais e os equipamentos de esterilização devem possuir registro na Anvisa.

“Em relação à higiene, toda clínica/hospital e pet shop, principalmente os que possuem serviço de banho e tosa, deve ter um POP (Procedimento Operacional Padronizado), contendo em quais situações, quantas vezes por dia/semana/mês, quais produtos, equipamentos e tempo de ação serão utilizados para limpeza e/ou desinfecção do ambiente, instalações e maquinário/móveis”, enumera a veterinária Suellen Zuconelli Fonseca. “Devem ainda conter um controle de pragas e vetores, devido à intensa presença de animais que podem ser carregadores de ectoparasitas, além de serem espaços onde há constante matéria orgânica (pele, pelos, fezes, urina, secreções etc), que atraem roedores e insetos, como ratos, baratas e formigas”

BANHO, TOSA E LUCROS

O Brasil tem hoje a segunda maior população de pets do mundo, com 52,2 milhões de cachorros e mais de 22 milhões de felinos, de acordo com um levantamento feito pelo IBGE em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Ou seja, num país onde há mais animais de estimação do que crianças, e que os pet são tratados como membros da família, faz todo o sentido investir neste segmento como um negócio de longo prazo.

Só os serviços de banho e tosa representam 16,8% do faturamento do setor, fi cando atrás apenas dos alimentos para animais (dados Abinpet).

Nos locais onde banho e tosa acontecem, a higiene rigorosa é fundamental. Doenças de pele podem ser transmitidas, seja sarna ou qualquer tipo de dermatite contagiosa. Outro risco grande de contagio é de parasitas, pulgas, carrapatos e piolhos. Por isso, o ambiente deve ser varrido sempre que necessário para recolher os resíduos ou pelos. Diariamente, também deve ser realizada a aplicação de produtos parasiticidas e bactericidas. Os instrumentos utilizados têm de ser limpos e esterilizados com um desinfetante específico para não enferrujar. As máquinas de tosa devem ter os pelos removidos. Lâminas devem ser limpas com uma escovinha, em seguida mergulhadas em recipiente com óleo limpador e secas. Os sopradores devem ter o filtro limpo segundo as indicações do fabricante. De mesma forma, os secadores devem ser limpos diariamente.

As toalhas devem ser submetidas a um processo de lavagem que elimine sujidades e esterilizadas em equipamento destinado a este fi m, para evitar que parasitas e formas infectantes sejam propagadas. É fundamental ainda certificar-se de que a toalha foi totalmente enxaguada, para não conter resíduos que possam causar alergia no animal. “Muitas vezes, o aconselhável é alugar as toalhas”, sugere a diretora da Escola Pet GT e coordenadora do método de ensino Groom Team BR, Natalye Marinho. “Toalheiros contam com a forma correta de manuseio para fazer a esterilização e as toalhas são entregues embaladas uma a uma”.

Lembrando que as atividades de banho e tosa devem sempre ser realizadas com materiais individuais (escova de dente, toalhas) e laváveis (corda de contenção), de forma a prevenir a transmissão de doenças. Esse processo deve estar descrito em um documento de boas práticas de higiene. Já as gaiolas, onde os animais permanecem antes e após o banho, não podem estar descascadas, enferrujadas ou possuir arestas soltas, e devem ser higienizadas periodicamente, de forma a prevenir ferimentos e contaminações. O registro das condições do animal na chegada ao pet shop é outro quesito necessário para garantir a segurança do banho e tosa, e a não-propagação de parasitas no estabelecimento. “O responsável técnico deve criar um protocolo na admissão, com a verificação de idade, lesões e infestações, dentre outros, para diminuir a possibilidade de intercorrências”, explica a assessora técnica médico-veterinária do Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP), Anne Pierre Helzel.

UM DIA DE SPA

Os cuidados com animais geralmente giram em torno de manter a higiene e a saúde. Mas não há limites na criatividade do mercado pet quando se trata de oferecer produtos e serviços aos companheiros de quatro patas.

Além dos tradicionais shampoos ou sabonetes, é possível encontrar creme dental específico para cães e gatos, perfumes e colônias, condicionadores e hidratantes para os pelos e até tratamentos estéticos e mordomias de deixar muitos humanos com inveja.

Já existem disponíveis locais com piscina para cães, com hidromassagem, com procedimentos de esfoliação para a pele ou mesmo banhos de ofurô, onde os bichanos ficam imersos em uma banheira arredondada de madeira, com direito a pétalas de rosa e música ambiente, aproveitando a água morna para amenizar problemas musculares, ósseos, melhorar a circulação sanguínea, acelerar o metabolismo e, é claro, relaxar.

E se os donos estão dispostos a investir tanto nestas mordomias criadas pelo segmento, por que não aproveitar o filão e também desenvolver produtos para este mercado?