A organização hospitalar é uma das mais complexas instituições de saúde existentes. Trata-se de ambientes que concentram micro-organismos extremamente resistentes, além de matérias orgânicas, que contribuem para a proliferação de patógenos, e podem atrair pragas e insetos que atuam como vetores de doenças.  Por isso, a limpeza é considerada um dos pontos cruciais da administração hospitalar.

Hoje, a limpeza de hospitais no Brasil é uma prática regulamentada pela Anvisa. E, entre todas atividades da Limpeza Profissional, é a que requer o grau mais extremo de especialização. “A excelência na limpeza é um dos pilares da qualidade e segurança da instituição hospitalar”, afirma Marconi Morais de Freitas, diretor-presidente da Sociedade Brasileira de Hotelaria Hospitalar (SBHH) e coordenador de Hotelaria e Hospitalidade do Sabará Hospital Infantil.

Por isso, é imperativo ressaltar que Limpeza significa Saúde.

 

Raio-X: como é feita a Limpeza Hospitalar

Foto: ABRALIMP

O primeiro passo da higienização de ambientes de saúde é eliminar as sujidades.  Mas esta tarefa exige total atenção à questão microbiológica. Assim, é fundamental avaliar os tipos de superfície a serem limpas, o grau do risco de contaminação, o tempo de contato, a segurança na manipulação de químicos e o descarte dos resíduos após a limpeza.

As diferentes áreas de um hospital são classificadas em três grupos, de acordo com o potencial de contaminação. As “Áreas Críticas” são locais de alto perigo, com pacientes com baixa imunidade ou procedimentos de risco, como UTIs, salas de cirurgia e prontos-socorros. As “Áreas Semicríticas” têm pacientes com doenças não infecciosas ou de baixa transmissibilidade, como enfermarias, quartos e ambulatórios. Já as “Áreas Não Críticas” são os setores onde não há pacientes, como a administração.

Há diferença também quanto aos procedimentos da limpeza hospitalar e suas nomenclaturas. A limpeza propriamente dita é a primeira etapa, onde ocorre a remoção da sujeira e detritos das superfícies. A desinfecção é o processo de eliminar a maior parte dos micro-organismos presentes no ambiente. Já a esterilização é o processo de destruição total da vida microbiana da superfície, incluindo fungos, vírus e bactérias, a partir da utilização de agentes físicos e químicos.

“Os métodos de limpeza são determinados pela superfície, quantidade e tipo de matéria orgânica, e pelo propósito da área”, ressalta Marconi. “Cuidados como a esterilização de produtos que são manuseados por muitas pessoas, bem como a limpeza e manutenção periódica de ambientes, e a higiene corporal, são fundamentais no processo de prevenção de doenças”.

Outro quesito imperativo é o uso dos EPIs. É o caso de calçados de segurança de couro, botas de PVC e luvas de látex, além de óculos de proteção, máscaras e avental impermeável. A reciclagem constante dos colaboradores, e a fiscalização das unidades de saúde com treinamento e orientação, também são fatores essenciais.

Por fim, o gerenciamento dos Resíduos de Serviços de Saúde deve estar em acordo com a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 222/18, da Anvisa, que trata das práticas de manejo, armazenamento, coleta e transporte destes resíduos, até sua destinação final. Se os resíduos não são eliminados corretamente, podem colocar em risco a segurança de quem trabalha no ambiente hospitalar e, também, dos pacientes.

 

Inovação e tecnologia

Atualmente, as instituições hospitalares vêm incorporando indicadores, procedimentos e processos para se diferenciar da concorrência e aprimorar ainda mais o padrão dos serviços prestados. A implantação da hotelaria hospitalar representa uma nova perspectiva de gestão de serviços para hospitais – uma reorganização técnico-gerencial de utilização de recursos, trazendo ainda mais foco para a temática de serviços de higiene e limpeza. “Com a implantação desse tipo de serviço, a qualidade e eficiência tornam-se fatores relevantes na produção da saúde”, diz Marconi.

Por outro lado, as limpadoras vêm investindo pesado em inovação, tecnologia, qualidade e segurança nos serviços, para as atividades de limpeza concorrente, limpeza terminal e revisões, tanto nas unidades dos pacientes, quanto nos centros cirúrgicos, obstétricos, prontos-socorros e UTIs. “Todas as ações são executadas por colaboradores capacitados, e supervisionados por enfermeiras”, ressalta Carlos Guimarães, presidente de uma limpadora com mais de 30 anos de experiência em hospitais.

Como visitantes, pacientes e colaboradores normalmente transitam por todo o edifício, nenhuma área fica livre do risco de contaminação, e a higienização e desinfecção devem ser feitas com atenção máxima.

“A limpeza e desinfecção são maneiras de eliminar esses agentes causadores de doenças, evitando a infecção cruzada. E o avanço da tecnologia e automação no mercado de limpeza hospitalar vem garantindo uma higienização cada vez mais eficaz, além da otimização do tempo e redução nos custos”, finaliza Carlos.

Sabe-se que o “valor da limpeza” pode ser manifestado de diversas formas, mas é na Limpeza Hospitalar que se encontra um dos aspectos mais valiosos deste segmento profissional: a prevenção de doenças infecciosas e a proteção à saúde humana.

Foto: Pixabay

Fonte: ABRALIMP – Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional.
[Contribuiu para esta reportagem a empresa Guima Conseco].