DATA DA DÉCADA DE 1960 A INTRODUÇÃO DO “cascolac” e do “sinteko” no Brasil e, com a prática aplicação dos vernizes à base de água, entrava em declínio aquela que, nas últimas três décadas, tinha perdurado como o sonho de toda dona de casa: a enceradeira.

Mas, não era o fim deste processo na limpeza. Entrava em cena o equipamento multifuncional. Apesar de, pela força do hábito, ele continuar sendo chamado de enceradeira, na maioria das vezes possuía muito mais funções do que simplesmente encerar. Era também lavadora, raspadeira e lixadeira.

A multifuncional lixadeira-enceradeira, no Brasil, deveu-se não apenas à necessidade de manutenção profissional de pisos de madeira, mas também à difusão, nas décadas de 1950 e 1960, do gosto pelo granilite, uma massa composta por partículas minerais (mármore, quartzo, granito, calcário), cimento, areia e água.

Neste piso, os grânulos minerais podem ou não ser misturados e de sua cor depende a cor final do granilite, que também pode ser colorido com adição de óxido de ferro. Uma vez seca, a massa  deve ser lixada até adquirir seu brilho característico.

De forma geral, os pisos de granilite foram muito maltratados no Brasil. Quando domésticos, eram lavados com sabão comum e raramente encerados. Quando públicos, eram muitas vezes atacados com abrasivos e ácidos, e logo perdiam cor e consistência. O gosto pelo “retrô” que começou neste século valorizou estes pisos, que passaram a ser restaurados por meio de tecnologia de lixamento ou raspagem com pedras diamantadas, revestimento protetor e ceras especiais. Sua conservação hoje também é muito facilitada pela aplicação de resina poliuretânica após o lixamento.

Fonte – Livro: A História da Limpeza Profissional no Brasil. (O livro pode ser adquirido junto à Abralimp).