DE ACORDO COM NÚMEROS PRELIMINARES do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), em 2017 foram concedidos mais de 196 mil benefícios a trabalhadores que precisaram se afastar das atividades profissionais por mais de 15 dias, devido a algum problema de saúde ocasionado pelo trabalho. A média foi de 539 afastamentos por dia.

As quedas com diferença de nível representaram 10,6% dos registros reportados no ano passado. E quando contabilizados os acidentes fatais, esse percentual fica ainda maior: 14,49%. No ano passado, 161 óbitos foram causados por esse tipo de acidente.

Por isso, o Ministério do Trabalho decidiu dar ênfase ao problema. Em abril, foi lançada a Campanha Nacional de Prevenção a Acidentes de Trabalho de 2018 (Canpat), que se estende por todo o país até novembro. O foco é a prevenção de adoecimentos ocupacionais e de quedas em altura, que vitimizam diariamente trabalhadores em todo o Brasil.

“Os temas foram escolhidos para a campanha deste ano por sua relevância e serão tratados como prioridade pela Inspeção do Trabalho em 2018”, ressaltou o ministro-interino do Trabalho, Helton Yomura. Ele adiantou que o ministério vai intensificar as ações de fiscalização em todo o país para diminuir a incidência de acidentes e lembrar trabalhadores e empregadores da necessidade de uma consciência mútua sobre a gravidade do tema.

PARA NÃO VIRAR ESTATÍSTICA

Os principais agentes causadores de acidentes com queda em diferença de nível são escadas (móveis, fixadas ou permanentes), andaimes, plataformas de edifícios ou estruturas e veículos motorizados (caçambas de caminhões, por exemplo). Por isso, uma das ações da Canpat 2018 foi a publicação do Manual Consolidado da NR-35, que traz orientações para empresas, trabalhadores e sociedade sobre os cuidados para a redução dos riscos nas tarefas realizadas acima de dois metros de altura.

O ministério divulgará ainda, durante todo o ano, cartilhas sobre manutenção em fachadas, sobre adoecimento ocupacional e um guia de fiscalização do trabalho em altura e de PCMSO, além de cartazes, banners e folhetos distribuídos pelas superintendências regionais nos estados ou por meio digital. “A intenção é difundir o maior número possível de informações para que todas as pessoas conheçam as causas e possam, assim, prevenir acidentes e adoecimentos”, explica o coordenador da Canpat 2018, José Almeida. “A informação é a ferramenta mais importante tanto para os empregadores, que devem garantir ambientes saudáveis e seguros, quanto para os trabalhadores, que precisam observar e seguir as normas existentes para não entrarem para as estatísticas”, observa.

PREVENÇÃO E RECICLAGEM

Os acidentes com queda em altura sucedem na maioria das vezes porque normas de segurança não foram cumpridas. E isso acontece nas mais diversas atividades, inclusive na Limpeza Profissional.

Embora a atuação da limpeza ocorra em variados segmentos (hipermercados, shopping centers, condomínios, instituições de ensino, fábricas, aeroportos), as quedas em altura são os acidentes que merecem mais atenção. “Este tipo de ocorrência é grave porque acaba por gerar complicações maiores aos colaboradores, pelo seu desdobramento (luxações e fraturas de membros inferiores e superiores), e porque gera o afastamento das atividades laborais por longos períodos”, destaca a gerente de Segurança e Saúde Ocupacional de uma limpadora, Fabiane Molter.

A raiz destas ocorrências pode estar no processo falho durante a avaliação do risco, na vontade de ganhar tempo ou mesmo na má compreensão das instruções de trabalho. Por isso, é inegável a importância da contínua conscientização dos colaboradores quanto aos riscos, a reciclagem de conhecimentos e o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI´s) para evitar acidentes.

“Treinamento e reciclagem são ferramentas essenciais para o desempenho de SSO da nossa organização”, ressalta Fabiane. “Para atendermos às demandas, que ocorrem de forma descentralizada e simultaneamente em diferentes estados do país e nos clientes mais distantes, lançamos mão de diversos modelos de treinamento (sala de aula, plataforma e-learning e treinamentos itinerantes). O formato da comunicação interna também é extremamente eficaz para que a informação chegue ao nosso público-alvo, que são as lideranças e os colaboradores operacionais”, enumera.

Já em relação aos EPI´s, é sempre prudente atentar se o calçado fornecido ao colaborador é adequado à atividade desempenhada e aos riscos existentes, bem como as luvas, óculos, cintos, travas e demais itens. Neste campo, cabe à empresa efetuar o fornecimento, a reposição e a fiscalização. O trabalhador entra com a devida utilização e manutenção dos equipamentos.

SEGURANÇA COLETIVA

Na Fundação de Asseio e Conservação do Estado do Paraná (Facop), uma iniciativa pioneira vem transformando a relação do trabalhador com sua saúde e segurança no trabalho.

O Sesmt Coletivo é a unidade da Facop que reúne uma equipe multidisciplinar, com médicos, enfermeiros, engenheiros e técnicos em Segurança do Trabalho que atuam de forma preventiva, sempre de acordo com as regras do Ministério do Trabalho, colocando em prática medidas de grande relevância para evitar acidentes laborais.

O foco é a promoção da saúde e segurança do trabalhador do Asseio e Conservação de forma padronizada, como ressalta a equipe de Segurança do Trabalho do Sesmt Coletivo da Facop. E como atende tanto aos interesses trabalhistas quanto aos patronais, o Sesmt ainda oferece aos empresários serviços de consultoria, gestão de segurança e medicina do trabalho, exames periódicos inclusos e acesso a um software para acompanhamento de todos os atendimentos realizados aos seus funcionários.

A conclusão mais assertiva nessa discussão é que todos os trabalhadores devem ser capacitados de forma inicial e continuada para desempenhar suas atividades sem se expor a riscos. E que Estado e empresários precisam se unir para garantir ambientes laborais onde o trabalhador atue com a certeza de voltar em segurança e com a saúde em dia para casa.

20 PRINCIPAIS CAUSAS DE AFASTAMENTO POR ACIDENTES E ADOECIMENTOS NO TRABALHO EM 2017*

Fratura ao nível do punho e da mão

22.668

Fratura da perna, incluindo tornozelo

16.911

Fratura do pé (exceto do tornozelo)

12.873

Fratura do antebraço

12.327

Dorsalgia

12.073

Lesões do ombro

10.888

Fratura do ombro e do braço

8.318

Luxação, entorse e distensão das articulações e dos ligamentos ao nível do tornozelo e do pé

5.289

Ferimento do punho e da mão

4.985

Amputação traumática ao nível do punho e da mão

4.682

Sinovite e tenossinovite

4.521

Luxação, entorse e distensão das articulações e dos ligamentos do joelho

3.888

Mononeuropatias dos membros superiores

3.853

Outros transtornos de discos intervertebrais

3.221

Reações ao “stress” grave e transtornos de adaptação

3.170

Fratura do fêmur

2.964

Luxação, entorse e distensão das articulações e dos ligamentos da cintura escapular

2.776

Fratura da coluna lombar e da pelve

2.620

Transtornos internos dos joelhos

2.365

Outros transtornos ansiosos

2.310

TOTAL DE BENEFÍCIOS CONCEDIDOS POR ACIDENTES E ADOECIMENTOS NO TRABALHO

196.754

*Os números referem-se aos afastamentos com mais de 15 dias. Os dados são preliminares.

[Participaram desta reportagem: Facop, Grupo Brasanitas e Ministério do Trabalho].