O cenário atual baseia as expectativas futuras!

Com uma equipe econômica robusta estruturada pelo atual ministro da Economia Paulo Guedes e diante da grande possibilidade de aprovação da Reforma da Previdência, o cenário é de otimismo para o novo ciclo político e econômico que acaba de começar no país. De forma mais concreta, as definições da emenda constitucional da Comissão Especial e as iniciativas já anunciadas (como a independência do Banco Central e o Leilão da Cessão Onerosa) apontam para boas tendências políticas e econômicas nos próximos anos.

 

Pensando em dar melhores condições ao setor privado para deslanchar o crescimento da economia com maior independência do Estado, medidas como privatização, abertura comercial e a própria reforma administrativa são estratégias bem recebidas pela iniciativa privada e pelo mercado.

 

Mais precisamente sobre abertura comercial: o que esperar com essa medida? Indícios de que a abertura será gradual e unilateral, já que o multilateralismo não avançou mundo afora e o bilateralismo é lento e mais complexo. O status: não depende do Congresso Nacional, está nas mãos do ministro e deverá ser feito com interação da própria iniciativa privada.

 

Sobre as reformas

É a partir da aprovação da reforma da previdência (que é obrigatória para os Estados) que espera-se um bom ritmo de crescimento e uma agenda focada na privatização – Com exceção de Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica.

 

Um fator de diferenciação do momento atual é o apoio majoritário que os governadores deverão dar à essa reforma, dada a situação insustentável enfrentada hoje pelos estados que negociam a Lei da Falência dado o comprometimento financeiro com servidores inativos. Nos últimos anos o número de servidores públicos cresceu muito, portanto não se deve esperar favorecimento no quadro de empregabilidade por parte do governo. Está ficando claro que é o drama dos estados que vai auxiliar a aprovação da reforma e que a recuperação de bons índices de empregabilidade ficará por conta da iniciativa privada.

 

E partindo da reforma da previdência, espera-se a reforma tributária e sua grande complexidade e com três agendas previstas: ICMS, PIS e Cofins e a reformulação da tributação do imposto de renda, sobretudo, da pessoa jurídica.

 

Tabelamento de fretes mínimos

Com a greve dos caminhoneiros, o frete tornou-se um problema e tem sido considerado muito elevado. Há uma incerteza muito grande quanto a resposta do Supremo Tribunal Federal. A solução foi emergencial e introduziu uma distorção muito grande na economia. Espera-se que o tabelamento seja revisto pelo supremo.

 

Desemprego

São quase 13 milhões de desempregados e o impacto no mercado interno é inegável. A recuperação foi mais lenta que o esperado, proporcional a reação do próprio mercado de trabalho. A projeção é reduzir a taxa de desemprego em torno de 0,5% ao ano, com a esperança de que a reforma trabalhista eleve esses índices.

 

Empreendedorismo

Com um viés pró-iniciativa privada, o novo governo busca subir a classificação do Brasil no ranking do Doing Business, através de um caminho mais liberal, tirando o protagonismo do estado e facilitando o empreendedorismo.

 

Moedas

Um ano de dólar forte, com tendência internacional de valorização, já que o crescimento dos Estados Unidos é maior em relação a Europa e a China (que desacelerou), impactando preços de commodities e desfavorecendo moedas como o Real.

 

Inflação

Mesmo com o aumento expressivo do dólar, a alta do petróleo e o impacto da greve dos caminhoneiros, 2018 fechou em 3,75% e a previsão para esse ano é de 3,9%. Situação favorável, infelizmente devido às altas taxas de desemprego.

 

Investimento Direto

2018 fechou em torno de U$ 88 bilhões. Grandes possibilidades de 2019 fechar acima de U$ 100 bilhões.

 

Vale lembrar que o crescimento econômico tem sido mais lento do que imaginávamos, que as projeções de 2018 foram frustradas e que o atual presidente carrega o desafio de buscar renovação política, mas, de forma geral, as medidas previstas implicam no avanço e na retomada de um crescimento que seja, de fato, sustentável e com estimativas do PIB a 2,7% em 2019 e 3% em 2020.

Base do conteúdo: entrevista de Carlos Kawall – Economista chefe do banco Safra.