NÃO É NOVIDADE QUE CLIENTES preferem a limpeza. Um piso limpo e brilhante impressiona, demonstra atenção à higiene e asseio do local. Segundo pesquisa da Issa (principal entidade internacional ligada ao mercado de Limpeza Profissional), 60% das pessoas dizem que um local limpo as impulsiona a comprar mais. Ou seja, em um shopping center, por exemplo, a conservação do piso ditará o ritmo de compras do consumidor. Mas não é só isso. Se aplicarmos o exemplo a um supermercado ou hospital, o tratamento e manutenção correta do piso transmitirão o nível de preocupação com a limpeza do local e sua maior ou menor possibilidade de proliferar vetores e causar contaminações. Também não é novidade que um piso sujo ainda pode causar escorregões e quedas, o que aumenta os custos legais e de seguro.
Mas se você ainda não está convencido da importância de cuidar do piso de seu estabelecimento, aí vai: a manutenção correta, com produtos adequados, profissionais treinados e dentro de um intervalo apropriado de tempo proporciona mais conservação ao material, prolongando sua vida útil.

Silvio Guerreiro, consultor da Abecam (Associação Brasileira das Empresas de Conservação Ambiental), especialista na área de Treinamento Técnico Operacional de Limpeza e em atividade no mercado de Limpeza Profissional desde 1999 conversou com a revista HigiPlus e contou tudo o que você precisa saber sobre tratamento de pisos.

1) EM TERMOS SIMPLES, “TRATAR UM PISO” SIGNIFICA “RESTAURAR UM PISO VELHO”?

SG: Não, nós mantemos e conservamos o piso limpo, não somos restauradores. O que podemos fazer é dar uma aparência melhor, tornar a superfície do piso mais agradável. Se o piso for muito antigo, naturalmente haverá um diagnóstico de quais produtos ele já recebeu, para providenciar sua remoção e só então fazer a aplicação da base seladora e
do acabamento impermeabilizante para o tratamento. A diferença é que em um piso novo não haverá a remoção prévia. Por isso, podemos dizer que “tratar um piso” significa utilizar processos e produtos que irão protegê-lo de desgastes.

 

2) QUAIS OS TIPOS DE PISO QUE EXISTEM? TODO PISO ACEITA TRATAMENTO?

SG: Basicamente, dividimos os pisos em dois tipos: frios (granitos, mármores, cerâmicas, granilite, marmorite, cimento, ardósia e outros tipos de pedra) ou quentes (vinílicos do tipo Paviflex, madeiras, tecidos, carpete etc). A diferença é que os pisos frios, por serem cimentados, aceitam grande quantidade de água com produto na lavação e os quentes, que são colados, não. Sendo assim, se um piso quente for lavado com excesso de água e produto, com certeza estes irão penetrar pelas pequenas fissuras, causando descolamento da placa. Observando que, se o piso estiver em área externa, também não deve ser tratado, uma vez que está exposto a intempéries.

 

3) HÁ OUTRAS SUBDIVISÕES A SEREM CONSIDERADAS ANTES DE INICIAR ALGUM PROCEDIMENTO?

SG: Sim, devemos verificar dois quesitos. O primeiro é a capacidade do piso de absorção de líquidos, ou seja, a porosidade. Mármores, granitos polidos e cerâmicas esmaltadas são considerados não porosos; vinílicos e ardósia são pouco porosos; tecidos, muito porosos. Também é fundamental avaliar se o piso é de baixo, médio ou alto tráfego. Isto irá ajudar na escolha do tipo e grau de dureza/resistência da base seladora e do acabamento impermeabilizante empregados no tratamento. O mesmo produto usado em um supermercado, não necessariamente deve ser usado em um escritório ou condomínio, por exemplo, já que o desgaste e atritos sofridos são diferentes. tecidos, muito porosos. Também é fundamental avaliar se o piso é de baixo, médio ou alto tráfego. Isto irá ajudar na escolha do tipo e grau de dureza/resistência da base sela ora e do acabamento impermeabilizante empregados no tratamento. O mesmo produto usado em um supermercado, não necessariamente deve ser usado em um escritório ou condomínio, por exemplo, já que o desgaste e atritos sofridos são diferentes.

4) QUAL A IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO DO PISO E NO QUE ELE CONSISTE?

SG: Além dos itens citados, no levantamento do histórico do piso saberemos se já houve remoção completa, quais químicos e equipamentos foram adotados, quantas recamadas foram aplicadas, o descritivo de limpeza e manutenção etc. Também são verificadas informações relativas ao tipo de sujidade (origem, aspectos químicos); metragem quadrada e grau de obstrução; tempo de execução da tarefa; clima e umidade relativa do ar e o principal: a escolha dos químicos corretos. Todos os produtos químicos e outros materiais usado processo devem ter procedência legítima, ou seja, devem ter origem em sérias e idôneas.

5) QUAIS OS PRINCIPAIS QUÍMICOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO?

SG: Primeiramente o detergente, que deve ter um pH ideal de acordo com o procedimento. E as
ceras, que têm como função nivelar a superfície e criar um filme para protegê-la do atrito direto de toda a sujidade trazida pela sola do nosso calçado. São exemplos de cera a base seladora e o acabamento impermeabilizante. Lembrando que “brilho” é o reflexo da luz sobre uma superfície, portanto quanto mais nivelada estiver a superfície, maior será o grau de brilho.

6) E QUANTO AOS EQUIPAMENTOS?

SG: São os mais variados. Vão de diferentes versões de mop (pó, água, aplicador de cera etc), balde espremedor, rodo, suporte LT e raspadores até enceradeiras industriais high speed, discos removedores, escovas, aspiradores de líquidos, lavadoras e extratoras, entre outros.

7) QUAIS AS PRINCIPAIS ETAPAS DO TRATAMENTO?

SG: Primeiramente, remover todas as camadas de base seladora ou de acabamento impermeabilizante que estejam sobre a superfície. Então, a aplicação da base seladora, ou seja, dos produtos que irão proteger e dar uma melhor aparência ao piso. Por ser a primeira camada, onde todo o tratamento será aplicado, é imprescindível que seja feita com a máxima qualidade. Com a base completamente seca, é aplicado o acabamento acrílico ou impermeabilizante. E para garantir maior durabilidade ao tratamento, 24 horas após a cura (secagem) de todas as camadas de cera, pode ser feita a“queimação”, que consiste em passar a enceradeira high speed com disco champagne sobre o piso tratado, para compactar as camadas aplicadas, dando-lhes maior durabilidade e resistência ao tráfego. A durabilidade média do tratamento é de quatro a seis meses, dependendo das condições de uso. É recomendado que a remoção aconteça ao menos uma vez por ano.

8) OK, TRATAMENTO FINALIZADO. O TRABALHO ACABOU?

SG: De jeito algum. O piso tratado necessita de uma manutenção preventiva adequada, garantindo sua resistência e beleza. A periodicidade da manutenção deve levar em conta a localização (praia, campo, cidade), o tráfego (alto, médio, baixo), o tipo de negócio (indústria, comércio, espaço de saúde) e a qualidade dos produtos aplicados. E mesmo que haja ventilação constante, tapetes para contenção de sujidades sólidas externas ou limpeza constante com mop pó/ água, ocorrerá o desgaste natural. Quando o aparecimento de riscos e a perda do brilho começam a ficar mais evidentes, é hora de iniciar a limpeza mais profunda deste piso, ou seja, o processo de manutenção.

9) COMO É FEITA ESTA MANUTENÇÃO DE PISOS JÁ TRATADOS?

SG: Basicamente de duas formas: úmida ou a seco. No primeiro caso, as partículas sólidas são retiradas com mop pó, em seguida o detergente é diluído em água (de acordo com a indicação do fabricante) e espalhado no piso. Após o tempo de ação, entra em cena a enceradeira, com disco vermelho para a limpeza diária ou o verde para a limpeza semanal, e o suporte LT com a fibra adequada onde a enceradeira não alcança. A emulsão é retirada com rodo, balde dupla mop água ou aspirador de líquidos/extratora e depois é feito o enxágue com água limpa. Após a secagem, é aplicado o impermeabilizante. Já na manutenção a seco é apenas utilizado o mop pó para sujidades soltas, então entra a enceradeira high speed com o disco “pelo de porco”, novamente o mop pó para partículas finais e então o impermeabilizante. Lembrando que brilho não significa limpeza: o piso sempre tem de ser lavado ou mopeado.