Thiago Santana, gerente de Manutenção e Facilities do Hospital A.C. Camargo, fala sobre os desafios da área e aprendizados com a pandemia de covid-19

Hospital A.C. Camargo

Esta é a primeira de uma série mensal de entrevistas que começa a ser publicada pela Revista Higiplus, em que conversamos com lideranças da área de Facilities dos mais diversos setores, que apresentam casos de sucesso e discutem as perspectivas de mercado.

Localizado no bairro da Liberdade, em São Paulo, o Hospital A.C. Camargo Cancer Center tem capacidade de 500 leitos e cerca de 100 mil metros quadrados de área construída. Todo o serviço de limpeza do espaço passa pela supervisão de uma pessoa: Thiago Santana. Nascido em São Paulo, o executivo de 42 anos é quem gerencia e organiza a equipe para que cumpram todos os requisitos.

Santana é gerente de Manutenção e Facilities do hospital, responsável pelas atividades de manutenção predial, engenharia clínica, limpeza e conservação, jardinagem e controle de pragas, serviços de apoio e, ainda, serviços de camareira, rouparia e lavanderia.

Em entrevista, ele destaca que a pandemia não causou tantos impactos na sua rotina no A.C. Camargo. Afinal, já havia muito cuidado na área para evitar surtos de doenças. No entanto, destaca que os últimos anos destacaram a importância da limpeza e da higienização para a saúde das pessoas.

Confira abaixo a conversa com Santana.

Qual é o tamanho do A.C. Camargo Cancer Center?

Thiago Santana, do A.C. Camargo / DIvulgação

Thiago Santana, do A.C. Camargo / Divulgação

O A.C. Camargo possui uma capacidade de 500 leitos, distribuídos em quatro unidades assistenciais, um prédio administrativo e uma unidade de pesquisa, em um total de  aproximadamente 100 mil metros quadrados de área construída.

Os desafios de gerir um empreendimento destas dimensões são enormes e, no dia a dia, contamos com um grupo de trabalho multidisciplinar, composto não só por colaboradores da própria instituição, como por diversos parceiros externos, por meio de contratos de serviços nas mais diversas modalidades, contemplando as várias linhas de negócio da nossa área de atuação.

Qual é a sua rotina por lá? Como são os serviços de limpeza?

Há um equilíbrio importante entre as atividades operacionais, táticas e estratégicas, e as rotinas buscam atender todas estas dimensões do negócio. Assim, temos desde rotinas de reuniões com todos os colaboradores operacionais e lideranças médicas internas, até comitês estratégicos com a diretoria e presidência do hospital.

As atividades de limpeza também seguem esta lógica. Atualmente, há uma divisão de modelos de serviços, onde as operações de higiene e conservação de ambientes nos Centros Cirúrgicos e Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são realizadas por colaboradores próprios, ao passo que as demais áreas são suportadas por empresas parceiras.

Porém, a gestão de ambos é feita de maneira equivalente: controlamos a qualidade dos serviços realizados por meio de medições de swab (haste flexível com ponta de algodão) e luz negra, monitoramos tempos e frequências de higiene concorrente e terminal das instalações, e monitoramos a geração de resíduos e seu nível de reciclagem, buscando sempre oportunidades de otimização e melhoria em todas estas vertentes.

Como dar conta da limpeza de um espaço grande e complexo como esse?

O dinamismo de um ambiente de saúde impõe desafios específicos, que quem é da área conhece bem. Temos um nível de previsibilidade limitado sobre como vai ser o comportamento do hospital em um determinado dia, e muitos dos fatores que podem influenciar neste comportamento não são controláveis.

Assim, ter respostas rápidas e assertivas para essas mudanças é quase um pré-requisito no setor. Garantir um ambiente saudável é, sem dúvida, o maior desafio de qualquer ambiente hospitalar.

O A.C. Camargo possui um aspecto de criticidade ainda mais latente neste sentido: somos um centro oncológico. Durante a jornada do nosso paciente, temos diversos estágios de tratamento e, como consequência do processo, vulnerabilidade.

Cruzam nossas portas todos os dias desde pacientes que vão apenas fazer um checkup de rotina, até transplantados de medula óssea. Precisamos entender os espaços, caminhos e fluxos dessas pessoas no interior de nossos prédios para que consigamos proporcionar o nível de cuidado adequado a cada um deles, o tempo todo.

Quais são as principais exigências do setor de saúde nas questões de limpeza, desinfecção e esterilização? Qual o principal cuidado?

Existem normativas muito específicas quando falamos de gestão de ambientes de saúde, sobretudo nos âmbitos do Ministério da Saúde, Agência de Vigilância Sanitária, Normas Brasileiras e Regulamentadores.

Zelando por isso, existem as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIHs), órgãos internos das instituições de saúde que, como o nome diz, possuem a missão de monitoramento e controle da qualidade dos ambientes diversos, com o intuito de proteger as suas populações, sejam pacientes, visitantes, médicos e colaboradores em geral.

Esses órgãos controlam simplesmente tudo que acontece dentro de um hospital, desde a validação dos produtos de higiene que serão utilizados para conservação dos ambientes, até as dinâmicas de trabalho, equipamentos, fluxos de pessoas e processos.

Atualmente, o mundo está passando por uma transição, na pandemia de covid-19, da fase crítica para uma fase mais branda. Isso mudou o dia a dia de vocês no A.C. Camargo? Mudou algum processo?

Instituições de saúde sempre possuíram protocolos de segurança muito restritos para a gestão de seus espaços internos. Assim, a pandemia do covid-19 requereu menos mudanças nestes ambientes do que nos outros setores da sociedade.

Foram reforçados, claro, aspectos de higienização de mãos, utilização de máscaras e o distanciamento social, mas nada que já não fosse familiar às nossas instalações. Um ponto importante é que muitas destas novas práticas motivadas pela pandemia acabaram sendo incorporadas nos fluxos existentes, reforçando ainda mais os processos em toda a cadeia.

No final das contas, podemos dizer que a pandemia trouxe aspectos de aperfeiçoamento em práticas já existentes.

Por fim, quais ensinamentos ficam para a área no A.C. Camargo a partir de tudo que aconteceu durante a pandemia?

Para quem é do setor, sempre foi inegável a importância das atividades de higienização, conservação e afins em todos os segmentos da sociedade, e claro, no de saúde ainda mais.

Uma mudança importante é que agora até quem é de fora passou a enxergar esta importância, e o impacto que sua má execução pode ter na vida das pessoas. A pandemia definitivamente trouxe luz sobre tudo isto.

Mas vejo também uma mudança importante no comportamento de quem opera diretamente na área. Houve empoderamento e um sentimento de pertencimento ainda maior por parte dos profissionais do setor dentro de suas organizações. E, certamente, isso já está se convertendo em equipes mais engajadas e mais inovadoras, que no final, trarão ainda mais resultado para suas empresas.

É o ciclo virtuoso de negócios, atingindo finalmente o nosso setor.

Fonte: Abralimp

Fotos: Divulgação