Com o objetivo de somar experiências da cadeia produtiva, tanto do ponto de vista de fabricantes e prestadores de serviços, como usuários finais, representantes da Abralimp (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional) e Abrafac (Associação Brasileira de Facilities) aceitaram convite da Abritac (Associação Brasileira das Indústrias de Tapetes e Carpetes) para participar da Câmara Técnica de Revestimentos de Pisos Corporativos e Residenciais, criada neste mês de agosto para normatizar as melhores práticas de higienização e manutenção dos revestimentos têxteis de piso – tapetes, carpetes e capachos. As duas associações devem atuar como interface da cadeia produtiva do setor, representando prestadores de serviços e clientes.

O vice-presidente de Relações Institucionais da Abralimp, Paulo Peres, irá representar a Associação nesta Câmara e irá validar os métodos e processos utilizados na área de limpeza profissional. “A Abralimp apoia institucionalmente a iniciativa desde o início e agora poderá contribuir com as experiências e informações das empresas associadas dos segmentos de produtos químicos, equipamentos e prestação de serviços especializados. É uma grande satisfação para a Abralimp integrar esta Câmara”, afirma.

Guilherme Dionizio Gomes Filho, presidente da Abritac, comemora a chegada dos novos membros: “USP, Abralimp e Abrafac aceitaram o convite para integrar a Câmara Técnica da Abritac, o que muito nos honra, pois a tecnologia e conhecimento que cada novo membro traz consigo, enriquecerá ainda mais os resultados do nosso trabalho. Bem-vindos e grato pela confiança no nosso projeto”.

A Câmara Técnica de Revestimentos de Pisos Corporativos e Residenciais, criada pela Abritac conta com a participação de especialistas dos setores industrial, de arquitetura, de serviços, de tecnologia e, agora, acadêmico.

Outra adesão essencial para o desenvolvimento do trabalho vem com a chegada do médico Alexandre Todorovic Fabro, professor do Departamento de Patologia e Medicina Legal, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, de Ribeirão Preto. Junto com a bióloga e mestranda, Sabrina Setembre Batah, o acadêmico vai compor o time científico, do qual também participam profissionais de engenharia e tecnologia (eTICs e IoT), aplicadas à análise ambiental e monitoramento do ar.

 A Abrafac está representada pelo conselheiro Alexandre Ventura, engenheiro mecânico com especialização em ar-condicionado e automação predial. Ele destaca a importância da iniciativa no sentido de se criar no Brasil uma cultura de cuidados com os carpetes e tapetes e a padronização de modelos de higienização e manutenção com protocolos de excelência no uso dos equipamentos.

Pesquisa acadêmica inédita no Brasil e no mundo

Do ponto de vista científico, o médico e professor Alexandre Fabro não esconde o entusiasmo em participar de um estudo, sem precedentes, sobre a influência de tapetes, carpetes e capachos na qualidade do ar interno e, em consequência, na saúde das pessoas. Especialista em patologia pulmonar, ele relata que, hoje em dia, as tecnologias empregadas na fabricação e manutenção de revestimentos de piso derrubam a tese de que têxteis são responsáveis por alergias e outros problemas respiratórios.

Ele relata que cobertores e casacos que ficam meses dentro do armário, mesmo tendo sido lavados antes de serem guardados, apresentam tantos riscos quanto um carpete ou tapete sujos. “O problema é o acúmulo de poeira e fungos, o que só se resolve com a correta higienização”, diz. Fabro comenta que aceitou o convite para integrar a Câmara para inaugurar uma linha de pesquisa inédita, no país, com a participação da mestranda Sabrina Batah, voltada à saúde pública.

Planejamento, rotina e metodologia para saúde dos têxteis e pessoas

Paulo Jubilut, associado Abralimp e coordenador da Câmara na Abritac, observa que a pandemia do Covid-19 abriu espaço para uma discussão há muito postergada. “O carpete e o tapete não são nem nunca foram os vilões” – diz ele. “Pelo contrário, quando tratados adequadamente são fundamentais para a manutenção da qualidade do ar interno porque funcionam como filtros naturais. Mais ainda, carpetes corporativos, particularmente, são ativos valiosos que precisam ter sua vida útil mantida e prolongada”.

O momento em que a pandemia atingiu o país e começaram a circular notícias sobre revestimentos têxteis, como agentes da proliferação do vírus, e recomendações para retirá-los, foi crucial para iniciar este estudo e gerar um guia oficial de melhores práticas de manutenção.

“Não é porque existe o álcool gel que você pode deixar de lavar as mãos. Com carpetes e tapetes é o mesmo. Soluções emergenciais resolvem o momento, um plano de higienização customizado, sim, evita a emergência”, compara ele.

Os trabalhos já foram iniciados e a expectativa é que um Guia com a conclusão dos estudos seja publicado em seis meses.

 

Fonte: Abritac.

Foto: Divulgação.