A importância da profissionalização da limpeza

Considerado o país com mais cirurgias estéticas realizadas no mundo, o Brasil contabiliza cerca de 1,5 milhão de procedimentos por ano. É o que indicam os dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Outro segmento com crescimento expressivo é o de odontologia, que posiciona o país como referência mundial. Segundo dados de 2019 do CFO (Conselho Federal de Odontologia), são mais de 44 mil clínicas espalhadas por todas as regiões.

Somados, os dois setores são um grande filão para a cadeia produtiva da limpeza profissional. Fernanda Cerri, gerente de operações da Indeba, empresa associada Abralimp, lembra que todos esses espaços precisam ser higienizados.

No entanto, boa parte desses ambientes realmente não foi projetada para essas atividades, o que leva a uma necessidade de maior frequência nos processos de limpeza e desinfecção, seja na limpeza diária, bem como nas limpezas mais completas e mais profundas nas áreas em que ocorrem os procedimentos.

“Todos os locais ligados à assistência ou serviço à saúde precisam seguir os critérios de higienização preconizados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para a segurança dos pacientes e profissionais de saúde, principalmente onde são realizados procedimentos invasivos.

Luiz Mattos, diretor da Limp Serv, outra associada Abralimp, lembra que é importante mapear alguns fatores importantes nestes ambientes como áreas e atividades de modo a classificá-las por grau de risco e prioridade.

Ambientes seguros

Luiz Mattos, diretor da Limp Serv, associada Abralimp.

“Apesar de não serem, a rigor, centros médicos, as clínicas de dermatologia, estética, e odontologia apresentam áreas de risco de contaminações, motivo pelo qual devem ser classificadas por similaridade à área hospitalar. Desta forma, são consideras críticas, semi-críticas ou não críticas, para que os processos e procedimentos de higienização sejam muito bem executados”, destaca o entrevistado.

Fernanda lembra que o importante é proporcionar segurança nesses ambientes para evitar infecções. “E isso só irá acontecer se forem utilizados produtos aprovados, com a classificação correta para assistência e serviços à saúde”, diz. “Além de produtos adequados, a técnica utilizada é fundamental”.

Mattos enfatiza que todos os protocolos de limpeza e desinfecção dos ambientes devem ser executados com a máxima atenção. E também reforça: “o uso de produtos homologados ou licenciados, utilizados nas diluições e da forma indicadas pelos fabricantes é de suma importância para a efetividade da limpeza e higienização”.

Linha profissional

Fernanda Cerri, gerente de operações da Indeba, empresa associada Abralimp.

 Outra importante recomendação é a utilização de produtos adequados à higienização. “Contrariamente ao senso comum de que produtos domissanitários (linha doméstica) são mais baratos, o seu custo – sem contar a efetividade menor – é muito mais alto”, salienta Mattos.

Vale relembrar que os produtos da linha profissional devem ser utilizados por profissionais treinados para evitar mal-uso e desperdício. “Eles são mais efetivos se usados nas diluições indicadas pelos fabricantes e aplicados com técnica e seguindo os procedimentos corretos”, acrescenta.

Mattos segue destacando que, apesar do varejo oferecer inúmeras opções que garantem a eliminação de 99,9% de fungos, vírus e bactérias, é importante observar o rótulo das embalagens e conferir alguns critérios para efetividades, como tempo de ação em contato com a superfície a ser higienizada. “Para piorar, esses produtos acabam sendo diluídos sem qualquer critério, o que resulta na perda da efetividade. Ou seja, o dinheiro acaba indo pelo ralo”.

“Infelizmente, ainda se coloca alguém para ficar mais barato”, lembra Mattos, que prossegue: “nisso também entra a compra de produtos e materiais de linha doméstica ao invés de produtos profissionais, sob a falsa visão de que são mais baratos”. Como resultado, boa parte destes estabelecimentos não se atenta para a necessidade de contratação de serviços profissionais de limpeza.

É por isso, que, segundo Fernanda, “os principais cuidados estão ligados aos procedimentos e técnicas corretas (focando principalmente nas superfícies críticas que oferecem o maior risco de contaminação), produtos adequados, e uma rotina estabelecida para ser realizada diariamente”.

Como preconizado no “Manual de Procedimentos para Consultórios e Clínicas”  desenvolvido pela Abralimp, devido à grande circulação de pessoas, é necessária especial atenção aos pontos de alto contato, para garantir a segurança dos pacientes, seus acompanhantes, corpo clínico e colaboradores.

 Pontos de atenção

 Um dos pontos principais a serem observados na limpeza são as superfícies, principalmente as que estão sujeitas a transmissão de doenças por meio das mãos, além dos instrumentos e equipamentos utilizados por médicos e dentistas.

“Essas áreas, além do uso dos processos e procedimentos corretos, demandam aumento na frequência de limpeza e desinfecção – principalmente naquelas mais próximas aos pacientes e, também, nos espaços de movimentação dos profissionais”, aponta Mattos, que completa: “a higienização deve ser feita através de processos e procedimentos técnicos bem executados e acompanhados com muito rigor, principalmente no que tange aos riscos de infecção cruzada”.

Segundo Fernanda, os protocolos devem ser descritos de acordo com cada tipo de higienização, visto que existem diferenças para cada necessidade, baseando-se sempre nos procedimentos preconizado pela ANVISA.

“Devemos levar em consideração na montagem desses protocolos a rotina diária; os tipos de higienização (limpeza terminal, limpeza concorrente e limpeza imediata), assim como fazer um levantamento das superfícies críticas e a freqüência de higienização, além da classificação das áreas”.

Ainda de acordo com a entrevistada, é imprescindível que o agente de limpeza saiba diferenciar a higienização de uma sala de espera daquela realizada em uma sala de procedimentos.

É justamente este o ponto sensível da limpeza nesses ambientes. Principalmente em decorrência da pandemia – e por um hábito cultural – a limpeza desses espaços é feita de forma informal, tanto do ponto de vista da mão de obra, quanto dos produtos utilizados.

Capacitação

Mas não pára por aí. Mesmo nos casos em que os procedimentos de higienização são realizados por profissionais, é preciso capacitá-los. “Neste ponto, os prestadores de serviço – principalmente os associados à Abralimp – contam com um tremendo diferencial”, aponta Mattos.

Isso porque as empresas associadas têm à disposição cursos e treinamentos oferecidos pela Fundação UniAbralimp, o braço educacional da entidade. Nos módulos, os participantes aprendem desde noções de higiene pessoal, técnicas e procedimentos de limpeza profissional, bem como o uso correto de EPI´s (equipamento de proteção individual), equipamentos e produtos, até cursos avançados e específicos de limpeza hospitalar, por exemplo.

“A contratação de um serviço profissional é essencial, pois as empresas que atuam nesse segmento seguem os protocolos necessários e, geralmente, já possuem os procedimentos definidos para essa atividade”, corrobora Fernanda.

“Além disso, sabem quais os melhores equipamentos, produtos e utensílios que otimizarão a tarefa, colaborando para atingir a excelência no serviço. E, principalmente, os profissionais que serão destinados a prestar o atendimento estarão treinados e orientados para cumprir a rotina definida”, conclui.

Mattos concorda e acrescenta: “através da prestação de serviços de limpeza profissional, executada por profissionais treinados e com suporte operacional da prestadora de serviços, há ganho de produtividade, redução de riscos de infecção e de trabalho mal feito, além de muito mais segurança para os usuários dos espaços”.

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/ Divulgação: ABRALIMP.