A qualidade do ar e a limpeza de superfícies são fundamentais para deixar o espaço saudável

Como limpar superfícies contribui com a qualidade do ar

A qualidade interna do ar está diretamente relacionada com a limpeza de superfícies. A poeira é composta por pequenas partículas decorrentes de atritos, rompimentos ou impactos mecânicos de objetos sólidos, que ficam suspensas no ar. Dependendo de sua origem, a poeira, pode causar diversos problemas de saúde.

Segundo Leonardo Cozac, diretor de finanças e operações da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), a sociedade ainda está aprendendo a lidar com a importância da qualidade interna do ar e a limpeza de superfícies.

Leonardo Cozac, da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava)/ Divulgação

Leonardo Cozac, da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava)/ Divulgação

“A sociedade aprendeu a cuidar da qualidade dos alimentos e da água que consume. E o que fazemos para cuidar do ar? Em números, consumimos dois litros de água por dia, como recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS). Respiramos, em média, dez mil litros de ar. É uma carga gigantesca. Não cuidamos desse ar que respiramos”, explica.

Quando essas partículas de pó são ingeridas frequentemente, podem ocasionar problemas de saúde, especialmente respiratórios e alergias.

Aprendendo a deixar o ar interno limpo

O primeiro passo é fazer, de fato, uma limpeza eficiente. A remoção do pó deve ser feita de maneira que as partículas invisíveis sejam eliminadas e não apenas distribuídas no espaço. Para isso, é importante ter um bom processo de filtração, como explica Cozac.

“É importante ter atenção com a filtração. É preciso uma barreira para que a sujeira não fique no ar. Os aspiradores de pó, por exemplo, têm filtros e precisam ser de boa qualidade para que a sujeira fique presa nessa superfície. As barreiras precisam ser fixas e podem ser de filtros de ar, de papel, de manta, entre outros. É importante que ele seja reconhecido pela indústria e por avaliações acadêmicas. Filtros HEPA são uma ótima opção, pois possuem alta eficiência e retém 99,97% das partículas de 0.3 micrometros”, afirma.

O olhar humano consegue enxergar partículas de até 50 micrometros, que se aproxima do tamanho do diâmetro de um fio de cabelo. Quanto mais fina, mais tempo fica no ar. Substâncias abaixo de 10 micrometros, cinco vezes menor do que um diâmetro de fio de cabelo, são ingeridas pelo sistema respiratório humano. É importante remover e evitar deixar em circulação essa sujeira e, para isso, é recomendado o uso de filtros de boa qualidade.

Limpeza de superfícies: como fazer

O tipo de acabamento e o material que compõe a superfície é um aspecto importante. Paulo Gonçalves Peres, CEO da InService, associada à Abralimp, explica a importância de analisar este quesito.

Paulo Gonçalves Peres, CEO da InService/ Divulgação

Paulo Gonçalves Peres, CEO da InService/ Divulgação

“Temos diversos tipos de ambientes e acabamentos. É preciso considerar o tipo de sujeira que vai ser gerado e qual a solução mais adequada. Quanto mais sujeira tiver, maior é o número de bactérias. Isso não necessariamente é ruim, mas, quanto mais limpo, mais saudável fica o ambiente. Higienizar é tornar o espaço saudável” comenta.

Seja qual for a superfície, é indicado que se utilize materiais de microfibras para que a higienização seja feita de maneira efetiva. A performance deste material promove maior captação de sujeiras, como explica Peres.

“Quando pegamos um pano de microfibra e limpamos uma mesa, se a limpeza for feita a seco, a sujeira será muito bem removida. Um dos grandes erros é umedecer. O correto é fazer primeiro uma limpeza sem o auxílio de produtos. Outra opção, já mecanizada, é o aspirador. É importante que seja usado um bom filtro para que, assim, o pó não fique no espaço. A limpeza tem um impacto tão grande, igual ou na mesma proporção, quanto à manutenção de um ar-condicionado”, reforça.

A frequência da remoção de impurezas deve ser feita de acordo com o uso do espaço e a atividade que é desenvolvida nele.

Carpetes, tapetes e cortinas

Ao contrário do que muitos pensam, carpetes, tapetes e cortinas não são vilões. Cozac explica que, cientificamente, não existem estudos que comprovam que estruturas porosas provocam problemas de saúde. No ambiente fechado, inclusive, podem funcionar como um filtro.

“As sujeiras pequenas, que fazem mal a saúde, estão no ar. No ambiente fechado, elas caem. No chão frio, quando uma pessoa entra e usa o espaço, seja apenas com a sua chegada e alguns passos, por exemplo, promove uma movimentação de poeira.  E nós respiramos isso. Quando temos um carpete ou tapete, as partículas que caíram, não necessariamente vão se levantar. Elas ficam retidas no material poroso. Mas, ainda assim, é preciso uma boa limpeza para que isso não se torne um problema”, explica.

É importante remover e evitar deixar em circulação essa sujeira. O guia de limpeza de materiais porosos do Comitê de Tapetes, Carpetes e Capachos da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), oferece informações que ajudam na limpeza deste tipo de superfície.

Cuidados com superfícies porosas

Peres, comenta que é preciso ter atenção com esse tipo de material, já que há uma tendência de a sujeira ficar mais concentrada.

“O granito polido, por exemplo, para limpeza é muito bom, pois ele favorece no momento da higiene. Já o granito não polido, que é poroso, acumula mais poeira. Superfícies porosas, em geral, são um pouco mais difíceis. Mas, assim como qualquer outro recurso, quando higienizado da maneira correta, pode ser mantido sem problemas”, comenta.

Purificadores de ar, com bons filtros, também são uma boa recomendação, já que é considerada uma tendência para o futuro. Já os produtos de limpeza, merecem atenção em relação ao seu uso. A escolha do agente, produtos e o modo de aplicação, são essenciais não só para a limpeza, mas como para as pessoas que usam o espaço higienizado. É recomendável que seja feito, sempre, por um profissional ou fornecedor especializado na área e que se tenha atenção com a ficha técnica.

Limpeza do ar-condicionado

Para o aparelho que é muito usado, principalmente em espaços coorporativos, a manutenção do filtro é essencial. Nos espaços domésticos, é recomendada a troca e limpeza do filtro a cada seis meses. Em ambientes corporativos, o cuidado com o aparelho deve seguir com um pouco mais de atenção, como reforça Cozac.

“Nos ambientes corporativos, é preciso ter um acompanhamento mais preciso, pois é um espaço que envolve a saúde de uma série de pessoas. Hoje, o Brasil possui uma série de leis que exigem que esses lugares tenham uma boa qualidade do ar. Esse é um plano que chamamos de Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC). É um item obrigatório e é fundamental ser controlado por um profissional habilitado, pois ele é quem define o processo de limpeza e manutenção do local”, enfatiza.

Com dois tipos de aparelho, o split e o central, a segunda opção possui uma exigência por lei que a troca de ar seja renovada por hora e por pessoa, como enfatiza Peres.

“Por melhor que seja o filtro, com uma boa capacidade de retenção, estamos sempre levando o ar de fora para dentro. Com isso, é indispensável ter uma boa manutenção da limpeza. Outro fator, é que 70% da sujidade de um lugar ocorre pela passagem de entrada, que inclui sapatos e o próprio corpo humano. Nós mesmos, no ambiente, também geramos sujeira. Se não limparmos, não vai ser o ar-condicionado que vai fazer isso. A qualidade do ar depende fundamentalmente da limpeza”, reforça.

Iniciativas educacionais sobre limpeza de ambientes e qualidade do ar

Em 2008, a ABRAVA, criou o grupo Departamento Nacional de Qualidade do Ar Interno. A iniciativa surgiu com objetivo de promover a discussão do assunto na associação. A atuação engloba diferentes frentes como fiscalização, treinamento e capacitação, guias, normas técnicas, cursos e seminários.

“Por volta de três anos atrás, antes mesmo da pandemia, percebemos que para o público especializado, isso fazia bastante sentido. Mas ainda não era suficiente. Esse conhecimento precisava chegar na sociedade como um todo. Para isso, resolvemos montar um projeto chamado Plano Nacional de Qualidade do Ar Interno, que conta com o apoio de diversas entidades, inclusive da Abralimp e de seus associados. Foi idealizado pela ABRAVA, mas é um plano da sociedade civil, pois convidamos diversas outras associações e universidades. O grande objetivo é mostrar para todos como cuidar do ar”, explica o diretor de finanças e operações.