A síndrome de burnout é um fenômeno ocupacional resultante do estresse crônico gerado pela atividade profissional, que resulta em sentimentos de exaustão, esgotamento, negativismo ou mesmo distanciamento mental do trabalho e redução da eficácia profissional.

Segundo pesquisa da ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil), cerca de 30% dos profissionais brasileiros sofrem de burnout. Mas, embora tenha sido incluída pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2022, o próprio Ministério da Saúde não consegue contabilizar com precisão o número de brasileiros afetados pela doença.

A pandemia de Covid-19 ampliou significativamente os casos de burnout entre diversas categorias profissionais e não foi diferente entre as equipes de limpeza. Fatores como o excesso de trabalho, o medo de se infectar, o medo de perder o emprego, a vivência de hostilidade ou invisibilidade (quando o profissional é maltratado ou ignorado), o contato constante com pessoas doentes e com potenciais contaminantes – no caso dos que atuam em hospitais – acentuaram o desgaste físico e emocional dessa categoria de trabalhadores.

“O burnout pode ser encarado como o resultado do estresse crônico, típico do quotidiano do trabalho, principalmente quando neste existem pressões excessivas, conflitos, baixas recompensas emocionais e pouco reconhecimento”, explica a Dra. Roberta Kovac, presidente do Centro Paradigma de Ciências do Comportamento. “Além disso, um estudo que avaliou as condições de trabalho de diferentes profissionais na área hospitalar, identificou que os profissionais da limpeza são os que possuem as piores condições favorecedoras do estresse e da síndrome de burnout”.

Identificando a doença

Diversos sintomas podem indicar um caso de burnout: cansaço excessivo (físico e mental), dores de cabeça frequentes, alterações no apetite, insônia, sentimentos de derrota, desesperança e de incompetência, alterações repentinas de humor, fadiga, pressão alta, dores musculares, problemas gastrointestinais ou mesmo alteração nos batimentos cardíacos.

Entretanto, não é incomum que tais sintomas possam gerar diagnósticos errôneos, como depressão ou síndrome do pânico, dificultando o tratamento da doença. Por isso, após a identificação dos sintomas pelo médico do trabalho, o colaborador sempre deve ser encaminhado para uma avaliação clínica feita por um psiquiatra ou psicólogo.

“Temos acompanhado muitas abordagens em torno do burnout e nos preocupa que este conjunto de sintomas possa resultar em equívocos”, lembra a Dra. Rosylane Rocha, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT). “É preciso ter cautela para não deixar passar um diagnóstico de doença mental que tem necessidade de intervenção médica especializada, possibilitando o manejo multidisciplinar desses pacientes com o médico do trabalho, psiquiatras e psicólogos, a fim de evitar a cronificação da doença ou mesmo a morte do colaborador”.

Como evitar

A melhor forma de prevenir a síndrome de burnout é atentar para a diminuição dos fatores estressantes e da pressão laboral. Cuidados por parte da empresa como respeitar os turnos de trabalho e descanso, e estabelecer um ambiente de confiança e abertura para o colaborador falar de suas dificuldades podem prevenir o adoecimento.

“Embora não tenhamos um programa de acompanhamento, sempre que identificamos casos específicos, solicitamos que o funcionário compareça à empresa para ser avaliado pelo médico do trabalho e assim buscar o correto tratamento externo”, diz Cristiane Vasconcelos, gerente de RH do Grupo Paineiras. “Além disso, promovemos um ambiente saudável, fazemos palestras sobre o tema e estamos com um projeto de saúde que irá disponibilizar um educador físico e uma nutricionista para dar dicas de alimentação e exercícios físicos, pois acreditamos que se os funcionários tiverem mais qualidade de vida, poderão lidar com sua saúde mental de uma forma mais leve”.

Para prestar apoio às equipes durante a pandemia, o setor de Limpeza Profissional contou também com a iniciativa Mobilização Paradigma, que ofereceu suporte psicológico gratuito a diversos profissionais da linha de frente que fazem parte da base da pirâmide social, entre eles, as equipes de limpeza.

“Em sete meses de funcionamento do projeto (de abril a novembro de 2020), foram realizados 980 atendimentos e observados os seguintes resultados: 70% dos participantes apresentaram queixas relacionadas à saúde geral (como problemas de sono e mudanças na alimentação) e 50% questões relacionadas à vulnerabilidade psíquica, destes: 43% com crises de ansiedade, 30% com tristeza profunda, 28% com sentimentos de desesperança e 18% com medo de se contaminar ou de morrer, sendo que várias destas queixas foram reportadas pela mesma pessoa”, destaca Dra. Roberta.

Por isso, é fundamental que os trabalhadores tenham acesso à informação de qualidade e com linguajar acessível sobre como identificar a doença, como evitá-la e onde buscar ajuda, para que os sintomas sejam precocemente identificados, evitando o agravamento e até a evolução para um quadro depressivo grave.

Os Centros de Atenção Psicossocial do SUS estão aptos a fornecer de maneira integral e gratuita desde o diagnóstico até o tratamento aos pacientes que não têm acesso ao atendimento do sistema de saúde privado.

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Fonte: ABRALIMP.

Foto/ Divulgação: ABRALIMP.