Em 20 de maio, a Abralimp realizou, com apoio da Abrafac (Associação Brasileira de Facilities), o webinar “O Profissional de Limpeza bem Capacitado: Protagonista da Saúde e Bem-estar”. O evento contou com o apoio e a participação de Cássia Almeida, superintendente Executiva da Facop (Fundação de Asseio e Conservação do Estado do Paraná); Jorge Louro, gerente de Contas do Grupo Higiene Global Orbis (diretamente de Portugal); Meire Carvalho Costa, docente da FS EDUCA; Sandro Haim, diretor do Comitê de Cursos da Uniabralimp; e Andrea Cerqueira, diretora de Marketing da Abrafac (como mediadora).

O objetivo foi falar sobre como capacitar os colaboradores das equipes de Limpeza e Facilities para a nova realidade, onde a higienização passa a figurar como ferramenta para proporcionar e garantir a saúde; bem como qual o novo papel destes profissionais, que saíram dos bastidores e ganharam o protagonismo nestes tempos de Covid.

Novos processos, novos conhecimentos

Capacitar as equipes para que estejam conscientizadas e bem preparadas, considerando a velocidade das demandas da pandemia é papel da educação. Cássia Almeida, da FACOP, abriu a conversa apresentando as principais etapas da capacitação atual para gerar a autonomia necessária aos profissionais de limpeza. “A primeira parte é da sensibilização, para darmos ao trabalhador a real importância dele nesse processo. Depois, vem a instrumentalização, para nivelar o conhecimento técnico. Então, a prática propriamente dita, seguida da estruturação do cronograma, de acordo com as particularidades de cada posto. Por fim, a manutenção diária do aprendizado, com a adequação às mudanças e às novidades que ocorrem em tempo real para cobrir as demandas da pandemia”.

Já Meire Carvalho, docente da FS EDUCA, compartilhou com o público sobre como lidaram com as novas necessidades do período. “Quando se fala de procedimentos hospitalares, todos já tinham o conhecimento adequado de uma desinfecção, por exemplo. Mas, nas áreas Administrativas, foi preciso fazer chegar uma série de novos conhecimentos às equipes de limpeza: EPI´s, ferramentas, reestruturação de POPs, medidas de prevenção contra a Covid. Depois, ainda fizemos o acompanhamento dessas equipes por pelo menos trinta dias, para detectar e corrigir desvios. Vale lembrar que também cuidamos de garantir a segurança desses profissionais não só durante o trabalho, mas também para que se sentissem seguros na volta para casa. Então, em resumo, nossos desafios foram a capacitação dos times de limpeza, dos times de gerenciamento e como disseminar essa cultura, as novas práticas e cuidar dessa base estrutural para os prestadores de serviços”.

Multiplicando conhecimentos

As diferenças entre Portugal e o Brasil também vieram à tona, em especial neste momento em que o país europeu já inicia seu processo de reabertura. “Grandes setores, como hoteleiro ou hospitalar, há anos já haviam mudado a mentalidade e passaram a tratar o facility como consultoria. O desafio, para nós, está nos pequenos comércios”, destacou Jorge Louro. “Embora estejamos implementando os processos exigidos pelo governo para a reabertura, muitos ainda não entenderam o que é uma pandemia, não tinham a preocupação com a higienização dos espaços e agora estão de um lado para outro sem saber o que fazer, e somos nós que temos o papel de orientá-los”.

Orientação e conhecimento, aliás, tem sido quesitos fundamentais para enfrentar o problema de forma eficiente, independentemente do país. E o desafio agora passa por fazer esse conhecimento chegar até os usuários. A Uniabralimp, ciente desta necessidade, também se adapta e planeja novas formas de disseminar conhecimentos para auxiliar seus associados. “A Uniabralimp tem mais de 15 anos e já formou mais de 20 mil pessoas. E, embora tenha nascido no formato presencial, entendemos que isso precisa mudar”, explicou o diretor Sandro Haim. “É chegada a hora de investir de forma mais ampla no ensino à distância, e fazer isso bem feito, para que possamos multiplicar o conhecimento para aqueles que estão na ponta e precisam da informação. Faremos isso criando o máximo possível de conteúdo e de meios para transmiti-lo de forma eletrônica. Mas, também, vamos assumir nosso papel de filtrar e juntar as principais informações de químicos, produtos e processos, de tudo que há dentro da engenharia da limpeza, para agregar o que há de mais relevante no momento”.

Profissional de limpeza: reconhecimento e valor

Os participantes do webinar também falaram sobre a importância de saber lidar com os medos das equipes em relação à Covid; sobre a aceleração que a pandemia trouxe e, por consequência, a melhoria nos processos, qualidade e produtividade da limpeza; sobre as oportunidades de evolução para os métodos de higienização, inclusive com foco no meio ambiente e economia de recursos naturais – dando como exemplo o uso cada vez menor da água, algo que já é realidade na Europa; e sobre a importância de fornecer apoio psicológico aos profissionais da limpeza, que estão na linha de frente da Covid. Sobre esse assunto, inclusive, foi abordada a parceira que a Abralimp firmou com um instituto voltado à área de psicologia, que fornece atendimento voluntário a profissionais que estão trabalhando em áreas críticas.

Por fim, pensando na questão da retomada, é fato que não apenas os colaboradores deverão estar bem treinados para as novas necessidades da limpeza, mas também será imprescindível o envolvimento dos clientes e de seus próprios colaboradores. Sobre como “alinhar forças com os clientes” por um ambiente mais saudável e seguro, Cássia ressaltou que, cada vez mais, esse diálogo será importante. “A informação correta precisa chegar a quem está na ponta, mas também, ser passada adiante, e numa linguagem que todos entendam. Esse envolvimento é o que vai abrir a oportunidade para o protagonismo do trabalhador, para que se sentir conformável para agir da forma correta na hora de limpar o espaço do cliente. É preciso trocar informação entre níveis diferentes e trabalhar o protagonismo: gerar orgulho de ser da limpeza, capacitar para a formação técnica, mas também abrir o olhar para si próprio, para a importância que esse trabalhador possui na cadeia da limpeza”.

“É fato que o usuário final vai querer participar mais”, concordou Meire. “As empresas terão a preocupação de tranquilizar seus funcionários que, quando voltarem, irão querer ter a certeza de que esse ambiente está seguro para trabalhar”.

“Aqui em Portugal trabalhamos para envolver todos, incluindo os Administrativos, não só as pessoas da limpeza”, completou Jorge. “Se é possível tirar algum proveito positivo dessa pandemia, é a oportunidade de mudar as mentalidades dos que estão nos cargos mais acima; são eles os primeiros que precisam entender o conceito e a importância da limpeza”.

“Se o usuário final não estiver envolvido tudo fica mais difícil, confirmou Sandro. “Precisamos trazer cada vez mais o usuário final para perto, e isso pode ser outro ponto positivo da pandemia: esse olhar do usuário para “quem são essas pessoas que ficaram na linha de frente” ou “como dar mais valor a eles”. Nesse momento, todos enxergam o valor do médico, do enfermeiro. Mas, pela primeira vez, também passaram a perceber quanto o profissional da limpeza é indispensável”.

 

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Fonte: ABRALIMP – Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional.

Foto: Divulgação.