Como está sendo o retorno à normalidade no mercado brasileiro e do exterior, no que diz respeito à Limpeza Profissional? Quais os principais gargalos e o que esperar para o próximo ano?  Esses foram alguns dos assuntos abordados no 8º encontro do Grupas (Grupo de Gestores de Facilities), que aconteceu em 28 de setembro, em formato 100% online, e contou com a presença de Ricardo Vacaro, da RL Higiene, e a participação dos parceiros internacionais José Del Pino (Inpacs), Alan Tomblin (Network Distribution) e Toni D’Andrea (ISSA Pulire), que trouxeram um panorama global sobre as tendências para 2022.

Cenário no exterior e números da limpeza

O valor da limpeza não é uma novidade no universo dos Facilities. Mas, de alguns anos para cá, tornou-se possível medir a relação entre limpeza e saúde ou entre limpeza e preservação do patrimônio, colocando essa importância em números.

“A limpeza e higiene melhoram a reputação da marca, a satisfação dos clientes e o bem-estar dos funcionários”, enumera o diretor da RL Higiene, Ricardo Vacaro “De acordo com dados recentes da ISSA, 94% das pessoas nunca voltariam a uma loja que possui banheiros sujos.  Além disso, em ambientes limpos há uma redução de 62% das superfícies contaminadas e 80% menos chances de os trabalhadores contraírem resfriados ou gripes”.

É fato que a pandemia modificou os hábitos de higiene, mas também trouxe impactos à cadeia produtiva mundo afora, certamente modificando a percepção da limpeza nos próximos anos. Toni D´Andrea, CEO da ISSA Pulire, destacou os impactos gerados pelo teletrabalho, o aumento nos custos das matérias-primas e os gargalos no setor de transportes trazidos pela pandemia. “Muitas empresas optaram pelo teletrabalho para preservar a saúde de seus funcionários e isso incidiu de forma determinante nos gráficos de consumo, principalmente na prestação de serviços. A isso se juntaram duas situações igualmente dramáticas: o aumento exponencial nos custos das matérias-primas e o aumento nos transportes, especialmente os marítimos. A consequência foi o crescimento generalizado dos preços, incluindo insumos e serviços. Depois de anos de estabilidade, registrou-se uma alta da inflação nos países europeus. E isso tornará mais lenta a retomada das atividades depois da pandemia”.

Mas, se a Covid trouxe algo de positivo, foi mostrar que a Limpeza Profissional age na sociedade com a mesma competência e eficácia que a atividade de saúde e que, depois da vacina, é a principal ferramenta para combater a proliferação do vírus. “Esperamos que a práxis da limpeza permaneça em vigor após o fim da crise sanitária, como ponto de interesse comum para proteger a segurança e a saúde de todos”, disse Toni.

José Del Pino, CEO da Inpacs, também abordou a visão europeia com aspectos complementares. “Podemos falar da realidade da Europa hoje em três tópicos: a volta ao trabalho, que será indiscutivelmente híbrida, fazendo com que as empresas precisem ser mais flexíveis e também investir mais em treinamentos, inclusive em parceria com seus distribuidores. A escassez de produtos, com a oferta sendo adaptada para absorver a demanda e as dificuldades das cadeias de Supply Chain. E as exigências cada vez mais prementes, dos governos e grandes corporações, por produtos mais alinhados à sustentabilidade ou com menos emissão de CO2, por exemplo”.

Alan Tomblin, CEO da Network Distribution, trouxe à conversa as principais tendências para os Estados Unidos num futuro próximo. “A primeira é o retorno ao trabalho, não só com menos gente nos escritórios, mas também por menos tempo. O trabalho híbrido impactará nossos negócios, e não necessariamente para melhor, com menos consumo em prédios comerciais e outros locais. Outro ponto é como a Limpeza Profissional será vista no pós-pandemia, e a resposta é que a crise nos tornou muito mais essenciais para a sociedade do que jamais fomos. Isso será excelente para nossas empresas, pois haverá novas demandas para melhores condições sanitárias. E por fim, é preciso pensar em como resolver o problema com a cadeia de suprimentos, já que enfrentamentos não só uma escassez preocupante de produtos, mas também de mão de obra. Basta dizer que hoje há 63 mil vagas para motoristas de caminhões que não conseguem ser preenchidas. E esses problemas devem permanecer até pelo menos a metade de 2022 ou mais”.

Após a fala dos colegas estrangeiros, Vacaro destacou a similaridade dos cenários entre Europa, Estados Unidos e Brasil, e lembrou que tudo isso certamente trará mudanças na forma de contratar e de medir a eficácia da limpeza já que, mesmo com menos pessoas nos escritórios, haverá a necessidade de limpar mais e melhor.

Por fim, trouxe mais dados atualizados sobre o valor da limpeza, divulgados pela ISSA, como o aumento da vida útil e preservação de ativos, e os impactos da limpeza na satisfação de funcionários e em sua produtividade: “Um carpete bem conservado, por exemplo, pode durar até três vezes mais, e com uma manutenção bem planejada uma empresa pode economizar até 40 mil dólares em custos anuais no ciclo de vida de seus pisos. Além disso, em relação ao absenteísmo, só a temporada de gripe de 2016, nos Estados Unidos, gerou cerca de 5,8 bilhões de dólares em custos de saúde e despesas com a perda de produtividade. Um ambiente saudável é um ambiente limpo”.

Mas, vale lembrar que é preciso ir além dos protocolos. O valor da limpeza virou parte da solução, mas pede uma abordagem sistêmica, com uma visão de 360 graus. Não basta ter o melhor produto; é preciso ter os processos corretos e pessoas bem treinadas. Garantir a efetividade da limpeza nos ambientes depende da combinação de diferentes fatores e frentes de atuação. E, certamente, contar com números para mensurar esse valor ajudará todo o mercado a defender essa que se tornou uma das principais ferramentas para evitar doenças não só agora, mas também no pós-pandemia.

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.