Um evento para promover o intercâmbio de ideias, o consumo consciente e a recuperação econômica e social da região. Assim foi a Semana do Consumo Sustentável da América Latina e Caribe, realizada em setembro pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), no formato online, em colaboração com diversos países e com o apoio da União Europeia.

O objetivo foi gerar um diálogo político e social para promover mudanças rumo ao consumo sustentável na região, incluindo a utilização da rotulagem ecológica como ferramenta de informação para os consumidores.

O Brasil esteve representado, entre outros, pelo Ministério da Economia, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e, também, por uma empresa do setor de Limpeza Profissional: a Spartan.

Rotulagem Ecológica Tipo 1

Um dos destaques do evento foi o workshop sobre a Estrutura de Programas de Consumo e Produção Sustentável, que contou com a participação do especialista em Rotulagem Ambiental da ABNT, Vinicius Ribeiro, que promoveu um debate sobre como melhorar e expandir a rotulagem ecológica comum da América Latina e Caribe em termos de conscientização, mais participação de mercado e maior incorporação de países e empresas certificadas.

Vinícius salientou que, desde o início do programa de Rotulagem Ambiental, a ABNT tem se preocupado em atender às demandas e desenvolver os melhores critérios para oferecê-lo ao mercado. “O programa é uma certificação voluntária de produtos e serviços, desenvolvida de acordo com as normas ISO 14020 e ISO 14024, e classificada como Rótulo Tipo 1, que é uma certificação de terceira parte. Este tipo de rótulo leva em consideração o ciclo de vida dos produtos, desde a extração de recursos, fabricação, distribuição, utilização e descarte”.

A primeira empresa com um produto certificado pela Rotulagem Tipo 1 alcançou esse êxito em 2011 e, hoje, 130 empresas participam do programa. “O crescimento foi lento? Sim. Principalmente se considerarmos que mais de 50% do aumento ocorreu apenas no ano de 2019. Isso nos fez perceber que o mercado não entendia muito bem como usar a Rotulagem Ambiental e transformá-la em ferramenta de vendas. Muitas empresas têm problemas em sua cadeia de suprimentos ou querem torná-las mais sustentáveis. Por isso, passamos a esclarecer que, antes de tudo, não estávamos oferecendo uma certificação e, sim, uma solução para problemas em diferentes mercados”, disse.

A Rotulagem e as compras públicas

Outra sessão de destaque foi o webinar A Rotulagem Ecológica como Ferramenta de Consumo e Produção Sustentável, que teve como foco mostrar ao público o potencial da rotulagem para impulsionar o consumo e a produção sustentável, tanto do ponto de vista dos decisores de políticas públicas quanto do setor privado.

Para falar sobre as experiências do setor público no Brasil, o webinar contou com Antonio Juliani, da coordenação de Economia Verde da secretaria de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação do Ministério da Economia.

Antonio defendeu que há uma necessidade urgente de mudar os padrões atuais de produção e consumo, e que é fundamental a elaboração de critérios para a melhoria dos processos de contratação pública sustentável. Também falou da necessidade de criação de um mercado de produtos com rotulagem ecológica que cumpram os critérios exigidos pelas compras públicas.

Para ampliar conhecimentos, o Ministério da Economia se uniu a três projetos voltados ao assunto: o primeiro, há cerca de dez anos, coordenado pela ONU Meio Ambiente em cooperação com a União Europeia, para certificar o produto de pelo menos uma empresa brasileira com a Rotulagem Ecológica Tipo 1 (Flor) da União Europeia e da ABNT (Colibri), incrementando a competitividade dos produtos brasileiros no mercado global.

O segundo, entre 2014 e 2017, para avaliar a situação das compras públicas sustentáveis ​​no Brasil, o que deu origem ao desenvolvimento de critérios de sustentabilidade para três setores específicos (papel e celulose; produtos de limpeza; e móveis e similares). Já o terceiro, chamado Avance Brasil – desenvolvido em 2020/2021, durante a pandemia – foi um projeto voltado ao setor cafeeiro, que teve como foco quantificar a produção e o consumo sustentáveis ​​para uma economia de baixo carbono, também por meio da Rotulagem Tipo 1.

Toda essa experiência permitiu ao Ministério passar a enxergar a Rotulagem Ecológica como uma valiosa ferramenta de apoio para os compradores públicos e funcionários que definem os requerimentos das compras e contratações com critérios de sustentabilidade.

Limpeza Profissional: cases de sucesso

Outro participante brasileiro do webinar foi a Spartan. Aline Simioni (gerente de Marketing) e Fernando Casetto (supervisor de Processos) apresentaram cases de sucesso da empresa utilizando a Rotulagem Ecológica.

Fernando descreveu ao público o passo a passo percorrido pela empresa até a auditoria de aprovação, em maio de 2019. “Para nós, assumir a etiquetagem ecológica significou mudar toda a mentalidade da empresa, incluindo a reformulação de produtos com ingredientes biodegradáveis; a destinação correta de resíduos; a substituição de embalagens feitas com plástico 100% virgem por opções recicladas (70/30); a busca pela melhoria contínua de processos; a homologação de novos fornecedores que nos apoiassem neste processo, o treinamento dos funcionários, bem como a documentação de todas as tarefas realizadas”.

Já para decidir quais seriam os produtos a receber a Rotulagem Ecológica, Aline explicou que foram analisados tanto o portfólio quanto a estratégia comercial da empresa:

“Com isso, chegamos a sete produtos. Destes, quatro receberam a rotulagem após já estarem disponíveis no mercado; um foi lançado com a rotulagem em 2019 e, outros dois, também chegaram ao mercado já com o selo, mas em 2020. Sobre esses últimos, ainda não temos números suficientes para analisar a performance. Mas os demais apresentaram excelente crescimento nas vendas, com exemplos que chegaram a 150%”, disse.

Por fim, Aline defendeu como principal benefício para a empresa a redução dos impactos negativos ao meio ambiente; mas não foi o único.

“Tivemos redução na geração de resíduos, otimização de processos e houve o reconhecimento da marca como ecologicamente responsável. Continuaremos trabalhando nos processos de Rotulagem Ecológica para nossos produtos de limpeza, mas também queremos certificar os produtos para o cuidado com as mãos. Percebemos que o mercado brasileiro exige cada vez mais a Rotulagem Ecológica e isso já não é mais o futuro, e sim o presente. Então, esse será nosso foco daqui por diante”, concluiu.

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/ Divulgação: ABRALIMP.