O papel do profissional na gestão das salas de exibição

Quando em 1892 o francês Léon Bouly desenvolveu o cinematógrafo, invenção pela qual era possível gravar e projetar a luz das imagens em movimento em uma tela, não se fazia ideia da popularidade que o entretenimento alcançaria nos séculos seguintes.

Somente três anos mais tarde, quando os irmãos Louis e Auguste Lúmiere projetaram uma película pela primeira vez em um café parisiense e cobraram dos expectadores é que o negócio foi tomando corpo até se consolidar como uma das mais importantes formas de comunicação e arte.

O que era, inicialmente, apenas o registro de situações corriqueiras do dia a dia, ganhou o imaginário coletivo e passou a estar presente na vida das pessoas ao longo das gerações, transformando a ida ao cinema em um hábito comum em todo o mundo.

Como resultado, surgiram gigantes do entretenimento como Metro Goldwyn Mayer (MGM), Paramount, Warner Bros, RKO, Fox, Universal, Columbia e United Artists, além das grandes redes de exibição como Kinoplex, UCI, Playarte, Moviecom e Cinemark, entre outras.

Gestão dos espaços

Rafael Alves, tecnólogo em Processos Ambientais com MBA em Gestão de Facilities.

 Mas o que ninguém lembra é que, por trás da indústria do cinema, há uma tarefa importante a ser cumprida: a gestão das salas de exibição. Tudo para que o público possa usufruir da experiência em segurança. Principalmente em tempos de pandemia.

Responsável por conduzir e controlar atividades voltadas à higienização de auditórios e salas de uma grande rede de cinemas no Brasil, Rafael Alves está sempre de olho em tarefas como manutenção de equipamentos de limpeza, controle de pragas, desenvolvimento de novos processos, entre outras.

Atuando na área de facility management desde 2014, quando foi alocado para a equipe de facilities services do Grupo Pão de Açúcar (GPA) e passou a fazer a gestão de contratos de serviços de limpeza, refeição, estacionamento e jardinagem nas lojas das redes Extra Hipermercados e Pão de Açúcar, o profissional tem uma visão apurada sobre a gestão de cinemas.

“Acredito que um dos principais desafios é gerenciar contratos e parceiros. Precisamos ter um olhar crítico, visando a atender todas as normas e leis do nosso segmento, onde a mudança é constante e varia entre municípios, cidades e estados”, destaca o tecnólogo em Processos Ambientais com MBA em Gestão de Facilities.

“Desta maneira, o gestor precisa se aperfeiçoar constantemente sobre as questões legais e escopos contratados para garantir um ambiente confortável e seguro a todos”, acrescenta.

Segundo ele, os principais critérios são manter a segurança, o conforto e a qualidade de atendimento para clientes e colaboradores. “Através disso, asseguramos e mantemos a manutenção desses espaços em dia”, destaca.

No entendimento de Alves, alguns critérios são fundamentais para que os gestores possam obter sucesso em suas iniciativas. Entre eles, está a organização; a comunicação constante com o cliente interno; o entendimento e o conhecimento do escopo dos serviços contratados, além da visão como ‘dono do negócio’. “Do meu ponto de vista, isso é essencial, não só para os cinemas, mas para todos os tipos de segmentos”, assegura.

Lições da pandemia

Para o especialista, a pandemia fez com que os profissionais olhassem mais atentamente para os clientes. “A jornada completa, cada etapa da nossa experiência, cada processo, tudo foi visto e revisto para dialogar ainda melhor com os fãs de cinema. Ao fechar as portas, tudo o que pensamos foi no momento de reabrir, melhores, mais fortes e para isso cada detalhe foi fundamental”, relembra.

Nem mesmo a descoberta de novas cepas do coronavírus esfriou o desempenho do setor, que segue de portas abertas para receber o público. Tanto que segundo estimativas da empresa de análise Gower Street Analytics, o retorno das atividades dos cinemas, após o avanço da vacinação em 2021, deve atingir um aumento de 80% nas bilheterias em todo o mundo.

“Nos preparamos, criamos protocolos visando a segurança de clientes e colaboradores”, indica Alves. Para ele, também é importante que a área jurídica acompanhe todas as orientações e exigências dos órgãos sobre os cuidados a serem mantidos nas dependências das salas.

Qualidade do ar

 Mas ainda sim, uma das grandes preocupações dos freqüentadores e gestores é a qualidade do ar nesses ambientes. Alves conta que, na rede onde atua, há um sistema que renova o ar de dentro do cinema.

“O aparelho de ar-condicionado é limpo e seu filtro trocado com maior frequência, atendendo aos padrões de qualidade dos protocolos nacionais”, explica. Além disso, a função renovação do ar é ligada antes do início das sessões para garantir a troca de ar no local.

Rigor na limpeza

Já no quesito limpeza a rotina é composta por higienização antes da abertura do cinema e ao término/intervalo de cada sessão. “Além disso, são desinfetadas todas as principais áreas de contato e poltronas”, enfatiza. Segundo o profissional, são utilizados produtos químicos homologados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

Segundo Alves, a limpeza está mais rigorosa. “Todas as áreas de contato são higienizadas com maior freqüência. Os banheiros são limpos em curto espaço de tempo e os colaboradores totalmente paramentados com os EPI’s recomendados pelos órgãos responsáveis”.

Outra dúvida que ronda os freqüentadores já faz parte do check list dos facilities managers: o consumo de alimentos e bebidas dentro das salas. “Mantemos a venda. Porém, o consumo só é permitido dentro dos auditórios quando o cliente já estiver acomodado em sua poltrona”, detalha Alves, em alusão à prática adotada na rede onde atua.

 Além disso, álcool gel 70% é disponibilizado em todas as dependências dos cinemas para clientes e colaboradores. “Os auditórios são desinfetados manualmente antes da abertura do cinema e entre o término/intervalo das sessões”, finaliza.

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/ Divulgação: ABRALIMP.