No último dia do congresso, professor doutor analisa posição do trabalhador terceirizado da limpeza na sociedade

O tema geral do Higicon Digital 2021 – ‘Ressignificando nosso papel no mundo’ – teve conexão direta com a palestra de abertura de hoje, 25, o último dia de evento: ‘Da limpeza visível ao sujeito invisível’. Ministrada pelo professor doutor Mario Guedes, coordenador dos cursos de limpeza da Facop, a exposição levantou questionamentos relevantes, a exemplo de quem é responsável pela sujeira e a importância das relações éticas e estéticas dentro deste ambiente.

O mercado de limpeza no Brasil, de acordo com dados da Abralimp, é composto por 49 mil empresas, com um faturamento de R$ 36,7 bilhões, o que representa cerca de 0,5% do valor do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O número de trabalhadores que atuam no segmento beira o um milhão. “A partir desses números, é possível constatar que conhecemos bem as empresas, mas e os trabalhadores? O que sabemos além dos rótulos?”, questiona.

“Apontar quem realiza a limpeza é fácil. Difícil é apontar quem é o responsável pela sujidade. Isso porque assumir responsabilidade é ter condições morais, e ou materiais, de apropriar-se desse compromisso, e, neste caso, via de regra, ninguém gosta de associar-se ao que é descartado ou rejeitado”, analisou Guedes.

Para o professor, a questão não tem a ver com a culpabilização de nenhum dos atores sociais, mas sim instigar o debate sobre a relevância do papel de quem atua com aquilo que é descartado pela sociedade. “Devemos jogar luz sobre o que devemos considerar quando terceirizamos algum serviço. O que é relativo às tarefas? O que é relativo às relações interpessoais? Quais valores pessoais dos colaboradores e como estes auxiliam a construir o ambiente corporativo”, apontou.

É visto a necessidade de notabilizar estes agentes que realizam a manutenção primária da sociedade: profissionais da limpeza, que garantem o bem estar e saúde de todos, os profissionais de controle de acesso, porteiros; os jardineiros e profissionais da limpeza pública e tantos outros profissionais que realizam tarefas essenciais. Portanto, é preciso perceber e reconhecer estes profissionais não só como funcionários, mas também como pessoas, que contribuem e facilitam a vida de clientes e usuários destes serviços.

Guedes também lembrou da importância de outro elemento aparentemente irrelevante: o uniforme. “Grande parte dos colaboradores das empresas do setor de Asseio e Conservação utilizam uniformes. Nem todos os colaboradores veem isso com bons olhos ou dão a ele o valor que merece, mas o uso, que vai além da beleza, padronização ou necessidade, é a primeira forma de identificação dos funcionários de uma empresa e, por vezes, podem ser obrigatórios em alguns ramos profissionais, como policiais, cozinheiros profissionais, eletricistas, professores e outros”, descreveu.

O professor lembrou que no exercício da profissão, o colaborador pode entrar em contato com diferentes tipos de perigos, como os biológicos, na limpeza de banheiros. “O uniforme é importante pela identificação e imagem da empresa, para a segurança do trabalhador, mas, sobretudo, gera uma economia para o colaborador, pois sem ele, teria que prover roupas próprias diariamente”.

Por fim, o professor lembrou que no exercício da profissão de limpeza é socialmente almejada pelos usuários e clientes, no entanto, os responsáveis por sua execução passam, muitas vezes, despercebidos. É preciso que a sociedade, empresas contratantes e clientes estabeleçam relações pautadas em ética, respeito e na personificação do sujeito, pois dessa maneira, a sociedade cresce, democraticamente, reconhecendo todos como indivíduos autônomos trabalhando para um bem maior.

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.