Roberto Focaccia, médico infectologista e epidemiologista, alerta sobre a importância da manutenção das medidas de segurança

Um levantamento recente realizado pelo consórcio de imprensa que reúne os principais veículos de comunicação brasileiros aponta tendência de alta em contágios e mortes por Covid-19 desde o mês de maio. Além disso, outras notificações mostram um aumento no número de internações.

Em países como Espanha, Itália e França a segunda onda da doença está impondo novas medidas restritivas para frear o avanço da pandemia. E aqui no Brasil, em que pé da situação estamos?

Para esclarecer essa e outras dúvidas o Higiplus Entrevista conversou com Dr. Roberto Focaccia, professor livre docente pela Universidade de São Paulo (USP), infectologista e epidemiologista.

“Na realidade não podemos rotular de segunda onda, pois não saímos da primeira”, inicia o convidado. Segundo ele a flexibilização exagerada acabou por aumentar o número de casos. “Comparado com o que está ocorrendo os Estados Unidos – a situação epidemiológica do Brasil é idêntica – além do negacionismo, os dois países seguiram a mesma linha e exageram na liberação”, diz Focaccia.

Além disso, segundo o médico os testes do tipo RT-PCR (do inglês reverse-transcriptase polymerase chain reaction) utilizados aqui no país são de baixa qualidade, que resultam de 30 a 60% de falsos positivos e negativos. “É improvável o número real de casos. Mas baseado no número de internados nos leitos de UTI´s (Unidade de Terapia Intensiva), e no estímulo à flexibilização a população saiu às ruas sem máscaras, o que aumenta o número de contaminações”, destaca

O médico também chama a atenção para a ocupação de quase 100% das UTI´s em hospitais particulares. “É uma outra população que está sendo atingida: o indivíduo de classe A e B. E quem são essas pessoas, o que eles fazem de errado? Reuniões familiares, bailes, reuniões em locais fechados… os restaurantes estão lotados e todos sem máscaras. Então isso está fazendo aumentar o número de casos”.

Reativação da primeira onda

Para o especialista estamos em uma reativação da primeira onda, diferente da Europa, onde a epidemia tinha praticamente acabado. “Fiz um estudo recentemente em um grande hospital com mais de 800 casos e foi constado 18% de mortes entre indivíduos entre 30 e 60 anos”, revela.

Apesar de os idosos serem mais suscetíveis, os jovens também podem evoluir para complicações clínicas. “Os jovens se arriscam. E infelizmente a abertura foi muito grande”, diz.

Verão e festas de final de ano são outros complicadores. “É tradição brasileira visitar a família e fazer comemorações nesta época do ano. Entre os pacientes que atendo o índice de contágio é enorme em virtude desses encontros e pequenas reuniões. E como o vírus está solto por aí, a pandemia não acabou!”, alerta.

Para Focaccia não podemos baixar a guarda. “Devemos seguir corretamente todos os protocolos de cuidados respiratórios para garantir a segurança: usar a máscara corretamente cobrindo nariz e boca, usar álcool em gel, lavar as mãos sempre que possível e manter o distanciamento”, enfatiza.

O médico segue orientando: “Como o vírus penetra pelas vias respiratórias – nariz e boca – devemos evitar o quanto possível aglomerações, reuniões – especialmente em ambientes fechados, e não utilizar ar condicionado. Enfim, devemos seguir com o que vínhamos fazendo normalmente e resultou na queda de casos”, finaliza Focaccia.

 

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Fonte: ABRALIMP.

Foto/ Divulgação: ABRALIMP.