Desafios e oportunidades

Um levantamento realizado recentemente pela Cushman & Wakefield com executivos de 158 empresas que empregam entre 100 e 5 mil funcionários em espaços de, pelo menos, 250 m2 mostrou que 59% não irá reduzir os espaços corporativos. Outro dado apurado indica que 84% dos entrevistados já retornaram ou retornarão ao trabalho presencial até o final de 2021.

Em contrapartida, algumas empresas das áreas de tecnologia e finanças – entre elas gigantes como Facebook, Twitter e XP Investimentos – já anunciaram que optaram pelo trabalho remoto, fazendo dos espaços corporativos ambientes de convivência.

O consenso, no entanto, é que nos dois casos os espaços deverão contar com adequações à nova realidade trazida pela pandemia: protocolos de higiene e distanciamento.

Em outro estudo realizado pela KPMG Brasil com 287 empresas brasileiras, metade delas só retornará efetivamente aos escritórios em 2022. Deste contingente, 60% manterá o home office ao menos dois dias por semana.

Diante disso, quais são os desafios para os prestadores de serviço de limpeza? O que deve ser feito para adequar os serviços durante essa fase de retomada?

Cautela no retorno

Carlos Eduardo Panzarin de Castro Mello, diretor da Montreal Gtec.

Carlos Eduardo Panzarin de Castro Mello, diretor da Montreal Gtec, associada Abralimp, relata que no portfólio de clientes atendidos por sua empresa figuram alguns ainda bastante cautelosos quanto ao retorno das atividades presenciais, mesmo com o avanço da vacinação. “Eles estão preferindo postergar o retorno para um momento no qual o cenário esteja mais definido”, diz.

Renato Ticoulat Neto, diretor da Limpeza Com Zelo, também associada Abralimp, conta que, de um universo de mais de mil clientes, cerca de 600 ainda não voltaram aos escritórios. Com isto, a limpeza é feita parcialmente ou está suspensa. “Muitas das solicitações que estamos recebendo já mostram uma área menor de limpeza para o próximo ano em função da possibilidade de trabalho híbrido”.

Pelas contas do empresário, ao menos 20% dos clientes saíram de seus escritórios e estão 100% em home office. “Acho que eles não retornarão, mas acredito que passarão a usar coworkings places quando voltarem”.

Cátia Regina Franco Zucoloto, gerente geral da Empresa Capixaba (associada Abralimp) relembra que em sua região o comércio ficou fechado por trinta dias. Com isso as equipes foram colocadas em férias.

Sem clientes em trabalho remoto, a executiva conta que tudo está funcionando a todo vapor no presencial. O que aconteceu, na verdade, foram ajustes para atender as demandas distintas dos setores onde atua.

Nos clientes da área hospitalar, por exemplo, houve um incremento nos quadros de colaboradores em função dos protocolos adotados. “Nos clientes com somente uma parte da equipe em home office, utilizamos a redução de jornada e trabalhamos com férias. Foi um aprendizado que também permitiu um equilíbrio durante o período”.

Retorno, ainda que parcial

Renato Ticoulat Neto, diretor da Limpeza Com Zelo.

No entanto, com o avanço do esquema vacinal completo, a tendência é que a retomada se fortaleça mais rapidamente. “Com a queda do número de infectados, a rotina foi retomada. Nos hospitais, por exemplo, onde se demandava muita mão de obra, já houve estabilidade. Além disso, o mercado já está mais receptivo a novas contratações com a chegada de novos clientes e negócios”.

Mello também já observa maior fluxo de usuários nos clientes atendidos. Além disso, já apurou que todos pretendem retornar às atividades presenciais. “Alguns de forma híbrida, mantendo o home office alguns dias da semana. Mas todos manterão presença nos locais de trabalho – mesmo que parcialmente”. Complexo mesmo foram as revisões de contrato trazidas com o trabalho em remoto. “Foi preciso adequar as equipes a nova realidade de utilização dos espaços”, relembra.

“A rotina está em mudança, os segmentos que voltaram estão economizando e, para isto, estão ousando mais, deixando o conforto dos usuários em segundo plano. O que acarreta um aumento de responsabilidade para nós e para as empresas sérias do mercado, pois a segurança sanitária deve ser aumentada”, observa o executivo.

Oportunidades

Cátia Regina Franco Zucoloto, gerente geral da Empresa Capixaba.

Para Ticoulat, foi preciso se reinventar e detectar oportunidades. “Dos nossos contratos, 40% ou foram descontinuados ou foram drasticamente reduzidos, 20% foram levemente reduzidos, 20% continuaram iguais – casos de condomínios residenciais – e 20% cresceu, que são os casos de clinicas médicas e hospitais”.

Com isso, a saída foi criar um marketplace para atender limpeza doméstica. “Com isso, os colaboradores de nossos clientes podem comprar online limpeza para casa, de acordo com sua preferência com um voucher que dá direito a desconto”.

Outra iniciativa foi a criação de um serviço de limpeza residencial rápida. “Vamos até a casa do contratante cinco vezes por semana, arrumamos a cama, limpamos o banheiro, lavamos a louça do dia e tiramos o lixo. Tudo com um valor mensal bem acessível. No final das contas, conseguimos um incremento no faturamento de 8% durante a pandemia”.

Cátia conta que, em sua empresa, a questão do treinamento intenso das equipes também foi uma forma de aumentar a qualidade dos serviços prestados. “Praticamos a frequência das limpezas nas áreas comuns com protocolos muito bem implementados e, hoje, essa é a nossa nova realidade”.

Mello também aponta o aumento na frequência da limpeza a fim de garantir ambientes mais seguros como um estímulo para as equipes no dia a dia. “Agora, o desafio é trabalhar com flutuações de demanda onde não havia, como nos escritórios. Com a adoção de modelos híbridos (presencial e home office) e retornos por fases, a equipe de limpeza tem de lidar com momentos de poucos e muitos ocupantes. Ou seja, adaptação e novo arranjo”.

Perspectivas

O fato é que a retomada demandará ainda mais resiliência do setor de limpeza profissional. “A vida precisa voltar ao normal, a economia e as empresas precisam retomar suas produções. Hoje ainda está abaixo do que era em 2019 para a maioria”, lembra Ticoulat, que segue acrescentando: “acredito que as pessoas retornarão ao trabalho presencial e que uma boa parte adotará o formato híbrido”.

Na visão do executivo, o que deve seguir em evolução, no entanto, é a percepção da limpeza. “Tanto que um dos nichos que acredito que irá crescer é o da limpeza de home offices, que exigirá toda uma estrutura de compras e vendas digitais para agilizar os processos burocráticos, sem ficar na forma informal como é realizada hoje em dia”, destaca.

“Nosso consumidor ficou definitivamente empoderado nesta pandemia, pois incorporou em suas expectativas de decisão de compra questões catalisadas pelas ferramentas digitais, como: instantaneidade, redução de burocracia, quebra de barreiras geográficas, autonomia e transparência, entre outras coisas. Por isso, precisaremos nos adaptar”, arremata.

Mesmo que haja mudança na forma de utilizar os espaços corporativos, o fato é que a retomada já está em andamento. A expectativa é que seja boa para todos!

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/ Divulgação: ABRALIMP.