Por que é importante limpar mesmo quando os ambientes estão fechados

Com as medidas de distanciamento social recomendadas pelas autoridades sanitárias, o home office virou alternativa para as empresas como forma de barrar a transmissão do coronavírus.

Assim os espaços corporativos foram fechados e muitos permanecem desta forma mesmo após mais de um ano da pandemia. O fato é, no entanto, que a limpeza dos carpetes deve seguir.

Se o fato do carpete estar visualmente sujo, somado à necessidade de atendimento às exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) leva à rotina da limpeza, outro quesito, no entanto, precisa ser considerado: o valor patrimonial.

Ativo patrimonial

Anderson Oliveira e Daniel da Silva,  gerentes de unidade – Facilities, na Sodexo Brasil. 

“Os gestores esquecem, que assim como os equipamentos, o carpete é um ativo patrimonial de muito valor agregado que, se destruído, implicará em alto gasto para substituição”, alertam Paulo Jubilut, CEO da Millicare, Anderson Oliveira e Daniel da Silva, gerentes de unidade – Facilities, na Sodexo Brasil.

Durante a pandemia, muitos profissionais de negócios de pequeno e médio portes buscaram economia de caixa desligando totalmente os sistemas de iluminação. Portanto, o AVAC (do inglês HVAC) – sistema de aquecimento, ventilação e ar condicionado resultou em locais escuros e sem controle de temperatura durante longos períodos.

“Tais condições resultam em aparecimento de mofo, trazendo implicações técnicas e financeiras para a remoção. Por isso, a manutenção constante desse ativo é procedimento que garante sua conservação e integridade permitindo sua usabilidade, no momento necessário, sem preocupações de dispêndios de caixa não projetados”, explicam os especialistas Jubilut, Oliveira e Silva.

Paulo Peres, vice-presidente da Abralimp e diretor da InService, empresa associada à entidade, também reforça que todo ambiente, mesmo fechado, gera deposição de sujidades e o crescimento de microorganismos como ácaros, fungos e bactérias.

“Numa comparação, seria como deixarmos uma blusa guardada no armário. Ela sofrerá os efeitos da umidade e poeira presentes naquele ambiente”, exemplifica. “Por isso, deve-se adotar uma frequência de aspiração mais espaçada para evitar sujidades impregnadas que reduzem ou danificam a vida útil do piso”.

Níveis de criticidade

Ana Claudia Morrissy Machado, responsável pelo facility management na Shell.

Ana Claudia Morrissy Machado, responsável pelo facility management na Shell, conta que, para garantir os mais altos padrões de qualidade solicitou à prestadora de serviços de limpeza de carpete para a companhia um estudo de fluxo que classificou os espaços quanto à maior ou menor circulação de pessoas e que apontou os locais com mais tendência de sujidade.

“Dessa análise, foram criados dois níveis de criticidade: nível azul para ambientes com tráfego moderado e limpeza trimestral e nível vermelho para ambientes com tráfego intenso e limpeza bimestral”, revela.

Além dos carpetes, as sedes da Shell possuem muitas superfícies com forração têxtil, como sofás, cadeiras e divisórias, que também demandam especial atenção. “Essas superfícies são higienizadas uma vez ao ano”, explica Ana.

Tipos de limpeza

Paulo Jubilut, CEO da Millicare.

De acordo com o guia que está sendo desenvolvido pela ABRITAC (Associação Brasileira das Indústrias de Tapetes e Carpetes) com a colaboração da Abralimp e demais entidades, embora os carpetes apresentem características diferentes devem passar por etapas distintas de limpeza para garantir sua higienização e vida útil:

– prevenção com o isolamento da área ou contenção da sujeira que vem de fora por meio da instalação de capachos;

– aspiração rotineira para remoção da sujeira seca;

– remoção de manchas com técnicas e produtos profissionais certificados

– manutenção e limpeza com freqüência programada por tipo e uso de tráfego;

– limpeza profunda para a remoção de resíduos e sujidades mais resistentes;

“Com relação à periodicidade, vai depender do fluxo de pessoas, do tipo e quantidade de sujidades que este piso receberá sobre ele”, alerta Peres. “Um carpete que esteja em um escritório terá tratativas distintas daquele aplicado em indústria metalúrgica ou em um playground, por exemplo”, diz.

De forma resumida, a indicação do especialista é que os carpetes devem ser aspirados com equipamentos de alta performance na remoção e retenção dos particulados. “Efetuar a higienização com produtos químicos a seco ou de baixíssima umidade, e, finalmente, garantir que a secagem seja plena para a liberação ao tráfego”, ensina.

Filtragem HEPA

Paulo Peres, vice-presidente da Abralimp e diretor da InService, empresa associada à entidade.

Na visão de Peres, a pandemia trouxe a percepção de que tanto o carpete, quanto os aspiradores não são vilões. O fundamental, segundo ele, é o sistema de filtragem dos aspiradores, que podem garantir a retenção adequada de micro particulados.

“Os modelos providos de filtragem HEPA são os mais indicados para este momento. “E deverão permanecer no pós-pandemia como item para as melhores práticas”, assegura, para acrescentar: “com isso, eles tornam-se extremamente úteis, não só na remoção de pó do piso, mas também na não devolução ao ambiente do material aspirado.”

Mas porque a filtragem HEPA é importante? Do inglês High Efficiency Particulate Air, trata-se de um sistema que retém micropartículas como ácaros, vírus e bactérias no filtro, deixando os ambientes mais limpos e livres de contaminação.

Segurança sanitária

Apesar de todas as restrições decorrentes da pandemia, em empresas como a Shell, a freqüência da limpeza não sofreu alterações. “Nada mudou porque já seguíamos, há mais de dois anos, as melhores práticas recomendadas pelos especialistas”, afirma Ana.

Não obstante isso, a Sodexo, fornecedor global de serviços de facilities para a companhia, reduziu o intervalo entre as aspirações para a retirada da sujeira superficial e instalou barreiras sanitárias nos acessos aos ambientes internos como forma de mitigar uma possível contaminação.

“Nesse ponto, cabe ressaltar que o foco da atividade da limpeza do carpete passou a ser não apenas a entrega um serviço, mas, principalmente, a demonstração ao usuário de que a segurança sanitária necessária havia sido analisada e estava implantada”, enfatiza a Ana.

“Para tanto, a parceria entre as empresas foi fundamental”, destaca a executiva. “Para profissionais de FM, que administram muitos contratos simultaneamente, poder contar com parceiros que tragam embasamento técnico e científico, é um grande diferencial”, atesta.

Eficiência do processo

Ana destaca que, além de todos os cuidados, é necessário assegurar a eficiência do processo. “Ante o exposto, criamos um SLA (Service Level Agreement) para validar o resultado não só pelo aspecto visual, mas, ainda mais importante, pelo lado higiênico uma vez que é de saúde e bem-estar que estamos falando”.

Para tanto, foi tomada como base a validação por detecção e quantificação microbiológica, conforme preconiza a ABNT NBR ISO 18593 e o manual de Validação de Limpeza da Anvisa.

“Minha recomendação é de que as empresas realizem higienização do carpete antes da retomada, se certifiquem quanto ao cronograma preventivo necessário para a conservação desse bem e coletem novas amostras de ar do ambiente para garantir que a qualidade esteja apropriada aos padrões de saúde necessários para uso do escritório”, explica Ana.

“A pandemia trouxe à tona todos os cuidados que devemos ter tanto com a nossa saúde pessoal, como das pessoas que utilizam os ambientes coletivos dos quais cuidamos. O carpete, presente na grande maioria deles, teve sua importância destacada”, afirma a executiva.

Ela segue listando ainda a importância do emprego de laudos para certificação da qualidade das atividades de limpeza e higienização dos carpetes, conformidade da qualidade do ar nesses ambientes, ensaios técnicos e análise de estudos de caso que permitam o desenvolvimento de um plano de manutenção eficiente, financeiramente correto e sustentável.

Além disso, não menos importante deve ser educar o usuário – há tanto tempo afastado do escritório – e lembrá-lo dos cuidados ao manusear comidas, bebidas, objetos e produtos que possam cair e sujar o piso.

Outra sugestão dada por Ana é que os times de facilities ou properties avaliem a possibilidade de implantação de um programa recorrente de higienização do carpete, com estudo de fluxo e com reavaliação da técnica utilizada.

Peres também recomenda que, mesmo as empresas que já cuidavam do carpete, busquem processos de aspiração e lavagem cada vez mais eficientes, atentando para o redimensionamento e frequência dos processos de aspiração e lavação.

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.