Biossegurança é ponto focal na estratégia de espaços como clínicas odontológicas, para evitar a contaminação cruzada

Durante a pandemia, os cuidados com higiene em clínicas odontológicas e consultórios médicos foram intensificados pela preocupação dos profissionais da saúde de que esses espaços se tornassem perigosos focos de propagação do vírus. Com o afrouxamento das regras de distanciamento, o mercado ainda percebe que a limpeza continua como centro das atenções e preocupações.

Mesmo com a mitigação do avanço da covid-19, há outros pontos que merecem atenção. Clínicas odontológicas, por exemplo, apresentam riscos de doenças causadas por microrganismos por meio da chamada contaminação cruzada, tornando os consultórios odontológicos um espaço de contaminação de massa por via oral. Já em consultórios, percebe-se falta de conhecimento de higiene técnica de profissionais e assistentes.

“Biossegurança é algo que entrou em evidência durante a pandemia de covid-19”, contextualiza o médico Jorge Luiz Silva, conhecido como Dr. Biossegurança.

Jorge Luiz Silva, médico / Divulgação

“Quando a gente fala sobre a biossegurança em clínicas e consultórios, falamos de uma série de cuidados. Não é só utilizar equipamento de segurança individual ou higienizar bem as mãos ou o local. É como se fosse uma rosa, formada por várias pétalas. A sua biossegurança é formada por vários cuidados juntos, como equipamentos, higienização, uso de procedimentos e protocolos, higiene, percepção do invisível. Tudo isso é biossegurança.”

Melhores práticas

Profissionais do mercado de limpeza profissional alertam para algumas boas práticas. Antes de tudo, é necessário montar uma rotina de higienização. Portanto, realizar o levantamento dos tipos de superfícies, sejam críticas, semicríticas e não críticas, para entender que tipo de produto deverá ser utilizado, frequência de higienização para redução da carga microbiológica e definir procedimentos operacionais para cumprir a rotina estabelecida.

“Devemos entender que a limpeza é realizada para remoção das sujidades visíveis com consequente redução da carga microbiana, e quando a desinfecção é promovida temos a remoção da carga microbiana em superfícies para níveis que não ofereçam riscos à saúde”, contextualiza Fernanda Cerri, gerente de operações da Indeba Indústria e Comércio.

Depois disso, a palavra de ordem é uma só: disciplina. “É preciso haver atribuições, como rotina, organização, conhecimento e prevenção”, diz José Antonio dos Santos, gerente de vendas da Certec Indústria e Comércio de Equipamentos.

Por fim, há a questão essencial de saber escolher os melhores produtos de limpeza e contratar equipes que tenham conhecimento do espaço.

Fernanda Cerri, da Indeba / Divulgação

“[É importante] utilizar somente produtos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e solicitar ao fornecedor instruções de uso dos produtos para que sejam utilizados na concentração correta e dentro do prazo de validade após diluído”, diz Fernanda. “Em caso de limpeza própria, seguir protocolos estabelecidos, frequência da higienização de acordo com tipos de superfícies e realizar monitoramento da rotina com relatórios e validações de limpeza.”

Cada caso é um caso

Vale lembrar que, na limpeza de consultórios e clínicas, os profissionais devem observar as especificidades. Como ressalta Fernanda, há a diferenciação das superfícies críticas, semicríticas e não críticas. No primeiro caso, são os lugares frequentemente tocados pelo público, como maçanetas e torneiras. No segundo, com menos frequência, como mobiliário. Por fim, locais apenas para remoção de sujidade, como o teto.

José Antonio dos Santos, da Certec / Divulgação

Há, também, as especificidades do ambiente e de quem transita por ali. Nas clínicas odontológicas, como já citado, há o risco de contaminação cruzada. “Neste segmento específico, a grande maioria dos consultórios tem sua higienização realizada entre um paciente e outro pelo próprio dentista”, diz José Antonio dos Santos. “É preciso fazer isso de maneira criteriosa, e essa tarefa nem sempre é eficiente e segura.”

O médico Jorge Luiz Silva alerta: é preciso tomar cuidado. “É preciso ficar atento. Tem aumentado o número dessas contaminações no mundo. A percepção do mundo invisível é fundamental para evitar isso”, diz o especialista. “A sociedade, de uma forma geral, precisa despertar para a biossegurança e esses cuidados precisam ser tomados todos os dias.”

Qualificação para a atividade

Como em todas as áreas, a qualificação para realizar a tarefa de limpeza profissional é essencial para garantir a segurança de clínicas e consultórios.

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Fonte: Abralimp

Fotos: Freepik e Divulgação