Webinar aborda inovações e tendências no uso consciente de recursos hídricos

A Limpeza Profissional tem na água um insumo fundamental para seus processos. Por isso, estimula toda a sua cadeia a desenvolver soluções focadas na racionalização do consumo.

Neste webinar, a ABRALIMP (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional) reuniu o diretor da Câmara de Máquinas, Marco Dutra; o membro da Câmara de Químicos, Adriano Lowenstein; e o diretor de Sustentabilidade, Guilherme Salla, para discutir sobre as maiores tendências para o setor, com mediação da jornalista Fernanda Nogas, da revista Higiplus. Confira!

Máquinas: mais limpeza com menos água

Não é novidade que a mecanização é uma grande aliada para a redução do consumo de água. Mas você sabe qual é a economia em números? Marco Dutra, da Câmara de Máquinas, apresentou ao público dois cases de sucesso. “Sobre as lavadoras de alta pressão, um estudo da Sabesp (empresa de gestão de água do estado de São Paulo) aponta que uma mangueira de jardim consome 0,66 litros de água por segundo (ou 2400 litros de água/ hora). Ao substituí-la por uma lavadora de alta pressão profissional, mesmo que básica, o consumo cai para 500 litros de água/hora. Ou seja, a economia é de cerca de 80%. Sem contar que o equipamento permite uma limpeza mais rápida e eficiente e que, de forma geral, é capaz de captar água de reservatórios – podendo, portanto, usar água de reuso”.

Outro exemplo é o das lavadoras de piso, muito conhecidas por sua produtividade e economia de tempo, mas ainda pouco citadas quando o assunto é economia de água. Segundo Marco, estudos da ISSA – maior associação mundial de Limpeza Profissional – apontam que, no processo manual, 100 litros de água (com químico diluído) são necessários para limpar 500 m² de área. Já usando uma lavadora de pisos, a mesma área pode ser limpa gastando apenas 27 litros.

Químicos concentrados

É filosofia de longa data no mercado de Limpeza trabalhar com produtos químicos concentrados. Isso, num primeiro momento, pode fazer a economia de água parecer óbvia. Mas, quando analisada mais a fundo, a solução abre muitas outras fretes de economia, como é o caso da energia, do transporte ou da geração de resíduos. “Hoje, há opções de diluição de 1:10, assim como há de 1:100 ou mesmo de 1:300. Isso significa que um frasco de um litro de produto pode render 300 litros de solução final. Mas, isso também significa que apenas um único frasco está substituindo outras 300 embalagens plásticas”, enumera Adriano, da Câmara de Químicos. “Isso acaba gerando economia em toda a cadeia. No caso da concentração de 1:100, por exemplo, ao invés de utilizar 100 frascos, vamos dispor de apenas uma unidade. Isso gera uma economia de cinco quilos de plástico. Quando se fala de transporte, há também a economia de energia da ordem de 85%, quando comparado a um produto pronto para o uso”.

O papel das prestadoras

Considerando as várias soluções para promover a economia de recursos hídricos, cabe às prestadoras o papel de planejar uma operação de limpeza que consiga unir o melhor dos dois mundos.

“De nada adianta chegarmos no cliente com um excelente químico ou um excelente equipamento, se os colaboradores não tiverem o treinamento correto”, aponta Guilherme Salla. “É preciso haver um planejamento prévio da operação, para que a equipe técnica consiga enxergar dentro daquele cliente quais as possibilidades, fazer o dimensionamento correto de máquinas para a área ou a diluição correta dos químicos. Sem isso, todo o estudo e qualidade oferecida por ambos os segmentos se perde. E se uma prestadora menor eventualmente não possui uma área de treinamento estruturada, sempre pode contar com os cursos da Abralimp, ou mesmo com a proximidade das diversas Câmaras para sanar dúvidas e qualificar seus colaboradores”.

Inovação e tendências

Durante o webinar, os especialistas também trouxeram à tona as principais tendências e inovações do mercado de Limpeza para a economia de água.

“As máquinas robotizadas já estão chegando ao nosso mercado”, destacou Marco. “Existem diversas opções de máquinas autônomas, e cada vez mais surgem novos conceitos, novas formas de atuação. O desafio diário da limpeza é aplicar na prática os parâmetros de consumo de água, químicos e diluição correta. E, a partir do momento que temos máquinas autônomas, conseguimos prepará-las para limpar seguindo de fato esses parâmetros. Com isso, não só usamos menos recursos, como atribuímos tarefas de maior valor aos trabalhadores da limpeza”.

Em relação aos produtos, a tendência é uma maior participação dos químicos verdes, como explica Adriano. “Aqui há tanto a questão dos produtos bio-based (feitos com matéria-prima natural), quanto aqueles que, embora feitos com matéria-prima ‘convencional’, geram menos impacto ao meio ambiente. Em ambos os casos, há uma tendência do mercado caminhar nessa direção, ainda que de forma lenta. Digo isso porque a disponibilidade de matérias-primas ainda é restrita, existe a questão do custo – que, no caso desses produtos, tende a ser um pouco mais alto – e porque ainda precisamos desconstruir a ideia de que produtos verdes não têm o mesmo desempenho dos convencionais”.

Os próprios clientes também vêm demandando opções de limpeza sustentáveis. “Existe um termo, cada vez mais usado, que é o ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês)”, lembra Guilherme. “O ESG é um conjunto de práticas ambientais, sociais e de governança usado para guiar investimentos e escolhas focadas na sustentabilidade. De modo geral, ele mostra quais as políticas de uma empresa para causar menos impacto ao meio ambiente; como ela lida com questões de diversidade ou recompensa sua comunidade de entorno; e se suas negociações são éticas, com processos lícitos, entre outros”.

Trazendo isso para a Limpeza Profissional, há um impacto enorme. Primeiramente porque o setor trabalha com colaboradores da base da pirâmide, o que faz com que tenha um forte perfil de inclusão social. Já a questão ambiental passa pelo incentivo ao uso de equipamentos com menos consumo de água, químicos com menor impacto, ou mesmo ações de compensação ambiental ou logística reversa de embalagens. E no que diz respeito à governança, segue a linha da promoção de uma negociação ética junto ao cliente.

“Cada vez mais, nossos clientes vão colocar em pauta essas questões e é muito importante que as empresas do setor estejam bem-preparadas”, completa Guilherme. “Não adianta uma multinacional ter fortes políticas de ESG se, quando isso chega ao fornecedor de limpeza, o vínculo se quebra. Nosso intuito, enquanto Abralimp, é fornecer aos associados subsídios para estarem cada vez mais alinhados a essas políticas para que todo o mercado consiga se adequar a essa nova realidade”.

 

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Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.