Como a correta higienização dos ambientes pode ajudar

De acordo com a ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), cerca de 30% da população brasileira é acometida por alergias e, até 2050, cerca de 50% da população mundial apresentará algum sintoma de alergia. De tão importante e presente na vida das pessoas, a alergia tem até data especial: 08 de julho – Dia Mundial da Alergia.

Entre os tipos mais comuns da ocorrência estão as alergias alimentares, as respiratórias, as de pele, as de medicamentos e até de insetos. Mas o que isso tem a ver com limpeza? Tudo!

O diagnóstico e tratamento aliados à correta higienização dos ambientes é a forma mais eficaz para evitar os sintomas. “A alergia é uma reação do organismo contra algum agente externo. Um exemplo é o ácaro, que é invisível a olho nu, mas está presente na poeira – onde, inclusive, estão depositadas suas fezes”, alerta a médica dermatologista Ana Paula Mantoan.

A profissional acrescenta: “é necessária a excelência na limpeza dos ambientes – de casa ou trabalho – como troca dos lençóis, higienização de cortinas, tapetes, carpetes e estofados para evitar tais ocorrências”.

“Vale lembrar que, além dos cuidados com os ambientes, as manifestações clínicas podem variar em cada pessoa, por isso é muito importante o acompanhamento médico para orientação, acompanhamento e tratamento adequado”, diz ela.

Tempo frio e seco

Dra. Priscila Megumi Takejjima, membro do Departamento Científico de Rinite da ASBAI.

Muito comuns nos períodos do outono e inverno, a asma e a rinite são velhas conhecidas da população. A rinite, por exemplo, acomete 25,7% das crianças e 29,6% dos adolescentes, de acordo com os dados do Estudo ISAAC (Internacional Study of Asthma and Allergies in Childhood).

“Clinicamente apresenta episódios de prurido nasal, espirros, coriza e obstrução nasal. Pode manifestar ainda lacrimejamento, prurido ocular, prurido no conduto auditivo, no palato e na faringe”, orienta a médica Priscila Megumi Takejjima, membro do Departamento Científico de Rinite da ASBAI.

Tudo isso porque o ar seco atua como um agente irritante e, nas doenças alérgicas, que apresentam inflamação das vias respiratórias, manifestam sintomas ao entrar em contato com ar seco e frio. Eis a explicação para maior freqüência de tais doenças nestas épocas.

Ainda segundo Dra. Priscila, a rinite alérgica é uma doença multifatorial com fatores genéticos e ambientais que influenciam o desenvolvimento da patologia. “No Brasil, o fator mais importante é a poeira domiciliar, que é constituída por descamação da pele humana e de animais, pelos de animais domésticos, restos de fungos, bactérias e os ácaros”, esclarece.

Além disso, a rinite pode ter origem hormonal, induzida pela ministração de fármacos, ou ainda ter fundo emocional. Outras ocorrências podem ter origem gustativa e idiopática.

Já a asma afeta de 10 a 25% da população brasileira e cerca de 80% dos pacientes também têm rinite. É caracterizada por episódios de tosse, dispnéia (falta de ar), sibilos (chiado), dor no peito e opressão torácica. Estes sintomas variam ao longo do tempo.

“A causa exata da asma ainda não é conhecida, mas esta patologia envolve fatores genéticos e externos (ambientais) o que faz com que os pacientes com asma respondam de maneira diferente ao mesmo tratamento”, pontua Dra. Priscila.

Desta forma, alguns gatilhos pioram os sintomas e outros também atuam piorando a inflamação. Entre os principais estão os ácaros, fungos, polens, animais de estimação e infecções virais.

Filtro HEPA

Leandro Sena, presidente da ABRAHIGIE.

E o que então pode piorar os sintomas?

Ambientes fechados e pouco ventilados. Falta de higienização de aparelhos de ar-condicionado e o uso de carpetes, cortinas e tapetes. Leandro Sena, presidente da ABRAHIGIE (Associação Brasileira das Empresas de Higienização de Estofados) aponta ser fundamental o emprego de corretos protocolos para limpeza. “A desacarização mensal é um deles”, diz.

Sena chama a atenção para o emprego de aspiradores de pó com filtro HEPA (do inglês high efficency particulate arrestance – alta eficiência na retenção de partículas) com filtro auto-limpante para retenção de aproximadamente 99,9% das micropartículas causadoras de alergias.

A diferença entre esse e o aspirador convencional é que este último pode reter em média 80% do pó, devolvendo cerca de 20% para o ar ambiente. “Ou seja, podendo gerar malefícios para a saúde”, pontua Sena. “A indicação é utilizar maquinários adequados para a retirada em segurança dos causadores de alergias”.

“Para que se tenha um resultado positivo, é importante manter cuidado dentro dos ambientes no qual a pessoa alérgica vive: em casa ou no trabalho – onde, muitas vezes, passa a maior parte do tempo”, afirma o especialista, que também cursa Biomedicina.

Ácaro, o vilão

De acordo com ele, no ambiente doméstico é imprescindível realizar o processo de desacarização dos estofados, cadeiras, bichinhos de pelúcia, tapetes e carpetes. “Deve-se também ter uma atenção especial às superfícies fixas, pois as poeiras causadoras de alergias também ficam depositadas nos móveis”.

Para se ter uma ideia, os ácaros – microorganismos pertencentes à classe dos aracnídeos, considerados vilões das crises respiratórias alérgicas – se alimentam da escamação da pele humana.

Pode parecer estranho, pelo fato de eles serem tão pequenos a ponto de só serem vistos com ajuda de microscópios. No entanto, eles são capazes de se alimentar desse material e excretá-lo em grande quantidade.

E são justamente estes excrementos somados a poeira e outras micropartículas que se soltam do corpo humano que, ao ficar em dispersão no ar e nas superfícies, se transformam em um prato cheio para quem tem hipersensibilidade.

“Esse material todo fica pairando no ar e, para diminuir as crises alérgicas e respiratórias, é importante fazer o processo de higienização dos ambientes e superfícies como estofados”, destaca Sena.

Já em ambientes corporativos, a indicação é redobrar os cuidados com mobílias revestidas com tecidos, além de carpetes e tapetes, fazendo a aspiração de forma diária e recorrente.

Limpeza em casa

Dra. Ana Paula Mantoan, médica dermatologista.

Dra. Priscila enfatiza: “é muito importante a limpeza do ambiente doméstico para diminuir a concentração de ácaros, da poeira e a manutenção de boa ventilação, principalmente, no dormitório e a lavagem das roupas de cama regularmente com detergente e a altas temperaturas (> 55 ºC)”.

Além disso, a médica chama a atenção para a cama como foco principal na redução de alérgenos com o uso de capas impermeáveis para travesseiros e colchões, com a aspiração diária da superfície destes últimos.

Para ela, a escolha de um modelo potente de aspirador vem mostrando efetividade na redução de concentração de ácaros da poeira doméstica. Mas evitar carpetes, tapetes, cortinas, almofadas, bichos de pelúcia e dar preferência para pisos frios ou laminados continuam sendo orientações importantes, bem como identificar e eliminar umidade e mofo.

A médica Ana Paula é outra que recomenda a aspiração para combater as alergias, principalmente, com o advento da pandemia. “Infelizmente, a Covid-19 afeta as vias respiratórias, por isso a importância de fazer os devidos acompanhamentos com médicos especialistas na área para os possíveis tratamentos e complementar com os cuidados dentro dos ambientes com a higienização e outros processos eficientes aplicados por profissionais da limpeza”.

Profilaxia ambiental

Sena pontua que o processo de eliminação de ácaros é prático. “Não é preciso parar com as operações nos locais de trabalho, já que o procedimento não deixa resíduo de água nos estofados, tapetes e carpetes”, diz.

Ele segue acrescentando: “o primeiro ponto é uma boa desacarização dos estofados e purificação dos ambientes para retirar ao máximo os agentes virais que podem causar alergias”.

Mas é preciso se atentar para alguns velhos costumes como usar vassoura para retirada de poeira. “Elas acabam levantando e deixando as partículas em suspensão nos ambientes, condição propícia para alergias”.

Dra. Priscila orienta: “evitar também uso de espanadores. Dar preferência a passar pano úmido e utilizar aspirador com filtros especiais, afastando o paciente alérgico do ambiente enquanto faz a limpeza”.

A médica lembra que a profilaxia ambiental adequada, com base na sensibilização e na exposição do paciente, associada ao tratamento farmacológico apropriado, pode aliviar os sintomas e, consequentemente, melhorar de forma marcante a qualidade de vida.

“Para a instituição de medidas de higiene ambiental adequadas, são importantes que sejam identificados pela história clínica do paciente os principais agentes envolvidos no desencadeamento de sintomas nasais e/ou extranasais”, explica.

Segundo a especialista, estão envolvidos nesses sintomas aeroalérgenos (ácaros do pó domiciliar, fungos, alérgenos de baratas, epitélio de animais, polens e ocupacionais), poluentes intradomiciliares e extradomiciliares (fumaça de tabaco, por exemplo) e irritantes.

Oportunidade de negócio 

Jaqueleide Lucena, auditora em Facilities e Hotelaria.

Apesar de tudo, o combate aos agentes causadores de alergias também pode ser uma chance de negócio. Jaqueleide Lucena, profissional autônoma em auditoria com mais de 15 anos de experiência na área de Facilities e Hotelaria relembra que, como os ácaros ficam abrigados em qualquer lugar e combinados com o acúmulo de pó, propiciam um ambiente perfeito para o desenvolvimento de sintomas alérgicos no sistema respiratório.

“Por este motivo, a limpeza deve ser minuciosa e diária, para que o ambiente esteja sempre limpo e higienizado. Esta necessidade acarreta o aumento da demanda de limpeza especializada. Tendo em vista esta situação, a contratação de prestação de serviço profissional de limpeza torna-se uma excelente oportunidade para empresas do segmento”.

Jaqueleide aponta como essenciais, além da aspiração e higienização diária dos ambientes, os mesmos procedimentos para os filtros de ar-condicionado. “Eliminação dos focos de propagação das alergias, como por exemplo, tapetes, cortinas, carpetes e estofados e o uso correto de materiais e produtos de limpeza”, diz ela.

A consultora segue esclarecendo: “partindo do pressuposto de que a causa das alergias advém do acúmulo de poeira, ácaros e sujeira, podemos considerar a limpeza um importante agente no combate a crises alérgicas”.

Além disso, a especialista também chama a atenção para outras medidas. “Eliminar focos de umidade, evitar adornos como: tapetes, carpetes, papéis de paredes, cortinas, estofados, almofadas. É recomendável que todos esses materiais sejam impermeabilizados ou substituídos por outros com tecnologias modernas e antialérgicas”.

Para ela, livros e documentos devem receber atenção especial na higienização, além da checagem de eventuais vazamentos e infiltração nos ambientes. “É fundamental a higienização do filtro de ar-condicionado regularmente. A recomendação é de que isso seja feito uma vez ao mês”, reforça.

Jaqueleide destaca também a importância de seguir as prescrições da NBR16401, sobre a correta manutenção de climatização. “Isso pode ser um bom caminho para garantir um ar de mais qualidade na empresa”.

Para completar ela indica a adoção de itens de limpeza mais seguros e eficientes. “Treinar e disponibilizar produtos de limpeza de uso profissional, dermatologicamente testados, e EPI´s corretos para a proteção da equipe. Por último, ela enfatiza a relevância da criação de campanhas de conscientização sobre o assunto.

 

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.