Mercado de Limpeza Profissional faz um balanço dos prós e contras do período

Você sabe o que é “abrir um Bid”? Bid (ou Biding) process significa “processo de licitação”. Ou seja: é o mecanismo pelo qual as áreas de Compras ou Suprimentos de grandes empresas abrem a seleção por concorrência para a escolha de fornecedores de máquinas, equipamentos, produtos ou serviços estratégicos, especialmente os de alto valor agregado.

Na Limpeza Profissional, é comum os diferentes segmentos participarem de um Bid para entrar na concorrência por grandes contratos. Mas, com a pandemia, esse processo passou por profundas transformações, algumas inclusive que devem perdurar no pós-Covid.

Lidando com o novo

Não é preciso dizer que a pandemia virou os negócios de pernas para o ar. Da noite para o dia, cinemas, shoppings e escolas fecharam as portas, prédios comerciais colocaram os colaboradores em home office e muitas demandas de limpeza despencaram ou contratos tiveram de ser renegociados. Por outro lado, além dos hospitais, que alcançaram a estratosfera em relação às demandas, locais como centros de distribuição, indústrias de alimentos ou redes supermercadistas colocaram a limpeza sob os holofotes. Isso, naturalmente fez com que o Bid passasse por mudanças.

“Com a pandemia, apesar das concorrências de prestação de serviços terem diminuído ou sido suspensas temporariamente pelo fechamento de vários setores econômicos, à medida em que começaram as perspectivas de vacinação e reabertura, as prestadoras voltaram a ser procuradas, principalmente para concorrências no setor privado”, aponta o gerente Comercial da Leccor, Renato Rattis.

A crise pandêmica também se refletiu no segmento de Máquinas, como explica André Stopiglia, gerente de Vendas da Nilfisk. “Quando analisamos as informações sobre vendas de lavadoras e varredoras de pisos, percebemos uma queda de abril a agosto de 2020, mas com uma acentuada recuperação a partir de setembro. As necessidades que surgiram no período inicial da pandemia foram supridas por locação, principalmente de máquinas de maior porte. Com a retomada em setembro, a venda teve maior volume nos modelos de pequeno e médio porte, enquanto para equipamentos maiores o contrato de locação é o que ainda predomina”.

O segmento de Equipamentos, como é o caso de pulverizadores, mops e carrinhos funcionais, entre outros, também teve de se reinventar. “Desde setembro de 2020, a escassez de matérias-primas tem sido constante, bem como o aumento nos custos. Com isso, tivemos de desenvolver novos fornecedores de matéria-prima, além de agregar um atendimento mais robusto e personalizado. Ou, falando mais diretamente: tivemos que ser mais inteligentes e ágeis em nossas abordagens”, defende o gerente de Vendas do Grupo Certec, José Antonio dos Santos.

Já o segmento de Químicos viu a mudança ocorrer tanto na demanda quanto na oferta de produtos. “A demanda por químicos cresceu de forma significativa e os produtos seguiram o mesmo caminho, inclusive com novos fornecedores, levando os compradores a praticar pressão pela redução de preços e pela busca de vantagens”, relata Maurizio Bortali, diretor de Operações da Continuum Chemical.Essa situação, num cenário de aumentos consecutivos de insumos, fez com que a equação não fosse fácil de acomodar para obter resultados viáveis nas concorrências em geral”.

Como essas oscilações impactaram o Bid?

“Em nosso segmento, com a retomada dos processos de concorrência veio a busca por custos menores, ao mesmo tempo em que sofremos com a inflação nos preços de materiais e a escassez de componentes”, diz André. “Isso favoreceu, por exemplo, a comercialização de máquinas usadas que, mesmo tendo uma vida útil menor, apresentam um investimento reduzido no primeiro momento. Além disso, muitas limpadoras e contratantes de serviços optaram pela locação, transformando o CAPEX (aquisição de máquinas) em OPEX (custos operacionais ou locação de bens)”.

“No mercado de Equipamentos, as concorrências aumentaram, inclusive porque pequenas empresas passaram a participar dos processos”, frisa José Antonio. “Atualmente, as negociações também estão mais prolongadas e temos de usar muita imaginação, pesquisa e conhecimento sobre itens similares na busca por diminuir custos. Hoje, faz parte também de nosso método pensar em saídas para produzir melhor, fazer mais com menos e aprimorar o sistema de atendimento”.

“Para os fabricantes de químicos, os processos de Bid hoje são mais complexos e com disputas mais acirradas, já que a oferta cresceu e a necessidade passou a ser mais controlada”, diz Maurizio. “Se, ao longo de 2020, muitas aquisições foram realizadas no modo emergencial, facilitando os trâmites regulares dos processos de concorrências, após vários meses de idas e vindas com a abertura e fechamento de diversos setores, criou-se uma situação na qual a prioridade de gastos desceu apenas ao nível do essencial”.

Mas, apesar de tudo, um ponto é indiscutível: o mercado de Limpeza Profissional nunca esteve tão preparado para lidar com as novas demandas e exigências técnicas trazidas pelas novas aberturas de concorrência.

“Agora, não só o preço está em jogo, mas avaliar se a prestadora possui experiência, cases, SLAs, KPIs, se domina os processos operacionais e de produtividade”, defende Renato. “Ou seja, as exigências para a entrega do nível de serviço aumentaram. E isso não torna a participação no Bid mais difícil, muito pelo contrário. É algo que o setor de Limpeza Profissional vem trabalhando para que aconteça há muito tempo e que, certamente, servirá como um diferencial – já que a limpeza é uma das principais formas para conter a pandemia”.

Níveis de exigência ainda mais altos

A crise do coronavírus impulsionou um olhar mais atento dos contratantes. A necessidade de higienização constante, principalmente em locais de alto tráfego de pessoas, fez o mercado atribuir um novo e mais amplo valor à Limpeza Profissional. E neste aspecto, se as concorrências mudaram, o associativismo é peça-chave para tornar o segmento cada dia mais qualificado para as novas demandas.

“Por mais que as participantes de um Bid sejam idôneas, ofereçam uma limpeza técnica ou produtos dentro do escopo de uma certificação ou homologados, hoje as contratantes vão além, e querem buscar também órgãos independentes para validar os processos e produtos desses fornecedores, para garantir que estão levando total segurança a seus usuários”, observa o vice-presidente Executivo da Abralimp, Ricardo Nogueira.

“Sem dúvida, a partir de agora vamos ter fornecedores muito mais comprometidos com produtos e processos de limpeza com responsabilidade, que realmente comprovem a desinfecção daquele local”, conclui a vice-presidente Administrativo-financeira, Nathalia Ueno. “O alto nível de exigência certamente permanecerá no pós-pandemia e nosso mercado precisa estar preparado. Para isso, o associativismo, bem como a própria Abralimp, têm papel fundamental”.

 

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.