Segundo o jornal El País, só até o fim de maio, o Brasil já havia perdido 1,1 milhão de vagas formais por conta da pandemia, o maior número registrado para o período em 29 anos. O estado de São Paulo ficou num triste primeiro lugar, com 336.755 demissões, e os setores que mais sofreram o impacto foram Comércio e Serviços.

Obviamente, índices altos de turnover influenciam de forma direta a eficiência operacional de uma organização já que, além dos custos da própria rescisão, com a retomada será necessário gastar com recrutamento e com o treinamento de novos colaboradores.

“O impacto durante a pandemia do coronavírus mudou significativamente o cotidiano das empresas, incluindo o turnover, e muitas tiveram que enxugar suas equipes para conseguir sobreviver. Mas é preciso lembrar que a retenção da mão de obra, em qualquer tempo, com ou sem pandemia, é uma ação estratégica nas organizações”, destaca o diretor Executivo da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Jefferson Leonardo.

“Vivenciamos uma escassez de profissionais qualificados, sendo uma excelente vantagem competitiva manter os colaboradores que receberam treinamentos, conhecem a cultura da empresa, dominam os produtos e serviços oferecidos e, principalmente, contribuem para a manutenção do relacionamento com fornecedores e clientes”.

Pandemia, turnover e limpeza

A Limpeza Profissional vive essa realidade na prática, como conta o gerente Regional do Grupo GPS, Manoel Marques. “Com a chegada da pandemia, tivemos um impacto singular na questão do turnover porque, além da rotatividade tradicional, nos foi apresentado um cenário novo e totalmente desconhecido, sem parâmetros de gestão, da mesma forma que o medo se fez presente nas linhas de frente, motivo pelo qual o turnover voluntário se fez mais forte. Houve ainda uma espécie de ‘turnover operacional’, onde os próprios clientes, face ao desconhecido, passaram a impor restrições a colaboradores de grupos de risco. O primeiro impacto com certeza superou nossas metas e padrões de trabalho, mas também nos fez pensar fora da caixa para resolver o problema”.

O gerente de RH do grupo Verzani & Sandrini, Fernando Battestin, teve uma experiência um pouco diferente. “Nosso turnover teve uma queda durante a pandemia, porque tínhamos muitos colaboradores em contratos suspensos, que puderam ser reaproveitados nas posições em aberto, principalmente na área hospitalar, que foi a única com aumento do turnover e absenteísmo, uma vez que os afastamentos por suspeita de Covid se multiplicaram”.

Guilherme Salla, gestor da Maxi Service, aproveitou o momento para concentrar esforços na retenção de colaboradores. “Durante a pandemia, tivemos um cenário totalmente diferente do que estamos habituados, e cada detalhe se tornou novo. Acredito que todas as empresas tiveram que se adaptar e buscar reter seus talentos. Neste momento desafiador, ninguém quer perder colaboradores que foram treinados, capacitados e que vestem a camisa da empresa”.

Benefícios da retenção de mão de obra

No caso da Limpeza Profissional aliás, a retenção de pessoas neste momento, além do aspecto social e de respeito aos colaboradores, tem como principal benefício manter as pessoas engajadas, permitindo multiplicar as ações controle e prevenção à disseminação do vírus, e proporcionando uma melhor gestão frente à nova realidade.

“A atividade de limpeza é vital para garantir a saúde de todos e, por isso, temos a missão de formar profissionais e mantê-los capacitados. Portanto, em um momento como este buscamos reter ao máximo todos estes colaboradores que foram treinados e evoluíram dentro da empresa”, enfatiza Guilherme Salla. “Isso garante uma qualidade de entrega do serviço muito mais alta, ao mesmo tempo em que cuidamos da saúde de todos”.

Cuidados com as equipes

Para isso, a Maxi Service buscou entender a realidade de cada colaborador, inclusive preservando aqueles que faziam parte da faixa de risco. Também foi criado um canal de comunicação direto com todos os colaboradores, para que a administração pudesse estar o mais próxima possível de seu dia a dia.

“No caso da GPS, tivemos como ponto focal o engajamento dos colaboradores quanto ao uso de EPI´s, treinamentos específicos sobre protocolos de Covid com nosso time de SSMA, pesquisas de clima nos locais de trabalho, treinamentos comportamentais com psicólogos, Diálogos Diários de Segurança (DDS) junto às operações e acolhimento aos colaboradores do grupo de risco com adoção das medidas de afastamento provisório e licença remunerada, entre outros”, enumera Manoel Marques.

Fernando Battestin explica que a Verzani também investiu em acolhimento psicossocial aos colaboradores, em canais de comunicação e em atendimento humanizado aos que estavam na linha de frente. “Fizemos ainda uma ação de Saúde e Medicina do Trabalho, com orientações e protocolos para enfrentamento a Covid, procurando tranquilizar quem trabalhava em áreas de risco e até investimos no reconhecimento pelo trabalho no período da pandemia, levando prêmios e ‘mimos’ aos que se destacaram pelo excelente trabalho realizado”.

8 dicas para reter seus talentos

Em tempos de pandemia, é fundamental valorizar os bons profissionais, especialmente na Limpeza, já que são eles os primeiros na linha de frente contra o vírus. Um bom conjunto de práticas, políticas e metodologias com foco na retenção desses profissionais é uma estratégia inteligente, mas também um grande desafio para os gestores de Recursos Humanos. Por isso, Jefferson Leonardo, da ABRH, compartilha abaixo oito dicas de peso para ajudar sua empresa a reduzir o turnover e reter os bons profissionais:

  • Estabeleça uma excelente e ágil comunicação com os colaboradores.
  • Fortaleça os vínculos e a boa relação, oferecendo apoio, recursos e informações.
  • Envolva os colaboradores nos processos decisórios. Somente com envolvimento se conquista o engajamento.
  • Mantenha um bom clima organizacional, comemorando as conquistas e a superação dos desafios em tempos difíceis.
  • Revigore a cultura, valores e os propósitos da empresa para que todos continuem alinhados e na mesma direção.
  • Ofereça feedback com maior frequência, sobretudo aos que estão mais longe da administração.
  • Permita que o colaborador prospere, ofereça treinamentos e recursos para desenvolver novas habilidades.
  • Mantenha os benefícios dos colaboradores. É uma forma de reconhecimento e valorização da empresa.

 

Fonte: ABRALIMP

Foto/Divulgação: ABRALIMP.