O que esperar do próximo ano

Recentemente, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia confirmou a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) para 2022 em 2,5%.

As projeções estão baseadas na recuperação da crise causada pela pandemia, no aumento dos investimentos privados, na consolidação fiscal, nas reformas econômicas e na retomada do setor de serviços.

E justamente esta perspectiva tem trazido alento para o mercado profissional de limpeza. Nas palavras de José Antonio dos Santos, diretor da Câmara de Equipamentos na Abralimp e gerente de vendas do Grupo Certec, empresa associada Abralimp, a expectativa é otimista. “Cremos em um crescimento na demanda. Porém, por ser um ano de eleições poderá ser afetado para mais ou para menos”.

Inflação

Sergio Merlo, da Sevengel

João Carlos Moreira, diretor da Câmara de Distribuidores e diretor executivo da CenterLimp, também associada Abralimp, lembra que, apesar do otimismo no retorno das atividades, o novo ano pode trazer problemas como a inflação. O fato é que o Banco Central já anunciou a elevação de 5,9% para 8,5% a estimativa para 2021 com base no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Sergio Merlo, da Sevengel, outra associada Abralimp, também aponta que as projeções de inflação em 2020 ficaram acima da meta e todas as perspectivas para o mercado se tornaram voláteis.

“Para 2022 as análises têm sido mais robustas, baseadas em informações de diversos órgãos. Mas ainda assim, apesar de possuirmos mais informações sobre a pandemia, a vacinação e maior conhecimento sobre sua funcionalidade, 2021 está sendo um ano de muitas dificuldades para quem trabalha com planejamento”.

Não bastasse a inflação, outros agravantes também chamam a atenção. “Estamos enfrentando uma grande crise de falta de insumos e caos na logística global, o que eleva vertiginosamente o custo e o tempo de fabricação e transporte”, alerta Sacha Haim, da Alfa Tennant, empresa associada Abralimp. Segundo ele, tal cenário deve perdurar ainda por um bom período trazendo como conseqüência o aumento no prazo de entrega de máquinas e elevação do custo.

Haim também chama a atenção para outro ponto sensível para o mercado de limpeza profissional: a escassez de água e de energia. “A busca por processos com uso de água reduzido deve aumentar e o tradicional ‘muita água e sabão’ deve ser substituído por alternativas mecanizadas que limpam com menos água e menos energia”.

Trabalho duro

Paulo Zanini Gregório, da Spartan do Brasil

Portanto, não há mágica. Será preciso trabalhar duro para colocar o trem nos trilhos novamente. Edilaine Siena, diretora da Câmara de Prestadores de Serviço e diretora de desenvolvimento de negócios no Grupo GPS, outra associada Abralimp, lembra que o mercado está retomando as atividades com grande preocupação quanto ao equilíbrio financeiro e ações voltadas à sustentabilidade operacional e também do meio ambiente.

Moreira destaca: “o foco estará na retomada das demandas anteriores como sustentabilidade e melhoria dos processos”. Ainda segundo ele, as atenções estarão menos voltadas à pandemia. No entanto, algumas decisões ainda levarão em conta a experiência adquirida no período – o que faz com que o mercado esteja mais consciente e precavido.

Merlo faz coro e acrescenta: “todo esse cenário socioeconômico nos leva para 2022, em especial o mercado de higiene profissional, com muita expectativa da continuidade de forte crescimento, na casa de dois dígitos, com melhoria da distribuição nas linhas de produtos, aumento da captação de mão de obra e novos investimentos em estruturas fabris e redes de distribuição. Ou seja, nosso mercado está preparado para crescer, contratar e investir em níveis superiores aos últimos cinco anos”.

Paulo Zanini Gregório, gerente nacional de vendas da Spartan do Brasil, empresa associada Abralimp, concorda que, apesar do nível de incertezas em relação à economia, alguns segmentos estão mostrando que 2022 será de reação positiva.

“Portanto, quando falamos em limpeza e higienização teremos dificuldades em manter ou crescer em volume de alguns produtos que tiveram uma participação muito importante no faturamento durante a pandemia, como o álcool gel e desinfetantes em geral. Porém, ainda assim somos muito otimistas e acreditamos que continuaremos crescendo em 2022”.

Mesmo impacto é citado por Haim do segmento de máquinas profissionais de limpeza. “Tivemos meses onde as vendas tiveram redução de mais de 50%. Em função do represamento de compras, somada a retomada da economia, voltamos a ter vendas dentro das expectativas em 2021. Porém com o buraco inicial causado pela pandemia a retomada não está sendo fácil. O grande impacto no curto e médio prazo será a falta e o aumento de preço de insumos como metais e derivados do plástico”, alerta.

Gregório também enfatiza que a expectativa no aquecimento dos setores afetados com a pandemia, como instituições de ensino, gastronomia, hotelaria e serviços em geral impulsionará o mercado profissional de limpeza.

Merlo endossa que a retomada gradativa das atividades, liberação de feiras e eventos presenciais artísticos e esportivos somados ao sentimento de segurança das pessoas em voltar à normalidade da convivência social tendem a trazer a economia de volta ao quadro de crescimento pré-pandemia.

“Dentro dessa análise, após resolvermos os problemas de abastecimento de insumos e equilibrar os preços de fornecimento – que deverão ocorrer entre o final de 2021 e começo de 2022 -, as empresas criarão fôlego para retomar investimentos”, diz o executivo, para acrescentar: “a partir do segundo trimestre, o mercado profissional de higiene será um dos responsáveis pelo equilíbrio da economia em nosso país”.

Governança Ambiental e Corporativa

Edilaine Siena, do Grupo GPS

 Ao colocar o trem nos trilhos, o que fazer para ganhar velocidade e alavancar os negócios no próximo ano? Gregório dá uma pista: “enfrentar a inflação e a falta de insumos, que afetou e está afetando os anos de 2020 e 2021 – e tudo indica que vai continuar em 2022. Por isso, será necessário inovar e aumentar eficiência em todas as áreas da empresa”, diz.

É justamente a eficiência o ponto destacado por Edilaine: “um sistema de gestão e controles mais robustos com indicadores de performance, incluindo a gestão e acompanhamento em tempo real da produtividade dos colaboradores e equipamentos, têm sido fatores fundamentais para uma operação de transparência para o cliente”.

“Empresas de grande porte estão consolidando serviços com um único fornecedor para ganhos de sinergia e redução de custos”, diz a diretora, que segue argumentando que já existe um grande movimento ligado ao ESG (do inglês Environmental, Social and Corporate Governance – Governança Ambiental, Social e Corporativa). “Junto com ele está a baterização dos equipamentos, vem ganhando forças com a redução de emissão de gás carbônico no meio ambiente”.

Além disso, ela aponta ainda a tendência de busca por equipamentos autônomos. “Estas são as grandes apostas para melhorar a produtividade em grandes áreas de agora em diante”.

Haim confirma que houve um crescimento significativo do interesse e uso de dispositivos de limpeza autônoma – desde o uso doméstico com os pequenos aspiradores, como no uso profissional com lavadoras de médio e grande porte.

“Por hora, no Brasil, essas máquinas profissionais ainda possuem alto custo, mas o aumento do volume de fabricação deverá reduzir o preço e possibilitar um crescimento do modelo. Certamente é o futuro da limpeza”, atesta.

Nova realidade

José Antonio dos Santos, do Grupo Certec

Apesar das dificuldades iniciais impostas pelo coronavírus, o setor de limpeza profissional manteve o ritmo de atividades nos últimos dois anos. Mas qual a expectativa com a estabilização da pandemia e a retomada de diversos segmentos da economia?

Para Santos, viveremos novas rotinas e realidade, em todos os aspectos e setores. “A pandemia acelerou praticamente todos os segmentos em relação à criatividade e ações rápidas e precisas. Além disso, trouxe um novo conceito de higienização. Com isto, teremos de nos adequar na produção e nos serviços para atender a crescente demanda nas vendas e detalhamento nas informações sobre produtos e tarefas”.

O diretor segue lembrando que alguns economistas dão conta de que, em 2022, teremos inflação e desemprego maiores que em 2021. Porém, o mesmo cenário tinha sido projetado para este ano e o setor de serviços alcançou crescimento mesmo assim. “Ou seja, os desafios serão continuar a pronta entrega de produtos com excelência e o combate aos produtos milagrosos que matam qualquer tipo de vírus”.

Do ponto de vista dos serviços, propriamente dito, Edilaine lista a importância do cuidado com o cliente – que está cada vez mais exigente. “Ele não quer contratar pessoas e sim soluções em serviços”.

Para ela, o cliente vai esperar das empresas contratadas – cada vez mais – inovação em tecnologia, processos e sistematização. “Ele quer acompanhar os indicadores em tempo real”, ressalta.

“Outro grande desafio é manter os atuais clientes motivados, com soluções implantadas durante a pandemia, redução dos custos, qualidade diferenciada, transparência e melhoria continua nos processos”, resume a diretora.

Santos concorda com a colocação e acrescenta: “precisamos intensificar nossos esforços nas informações a serem transmitidas ao mercado em geral, pois todos os setores precisam ser limpos e higienizados. Mas a maioria ainda não tem conhecimento de como e com o que realizar as tarefas.”

Justamente por isso, Edilaine aponta a importância das empresas contarem com programa de gestão sistematizado para controle das operações, além da manutenção da saúde financeira. “Sem esquecer de atender as expectativas do cliente”, acrescenta, para completar: “Ter um time motivado e engajado tem sido fundamental para o processo”.

“Uma certeza temos: tudo isso não vai acabar”, lembra Merlo. Para ele estamos em processo de aprendizado para conviver com microrganismos, mais contaminantes e mais letais, por muito tempo.

“A vacinação se incorporará ao cotidiano de todos, ao lado da H1N1, Influenza e outras, assim como os melhores hábitos de higiene. O mundo mudou e as relações humanas mudaram com ele. Por isso, é incompatível imaginar retomarmos os processos pré-pandemia”, reitera o executivo.

Segundo Merlo, todos se reestruturam para suportar as mudanças e novas metodologias foram agregadas. “O mercado profissional de higiene aprendeu que respostas rápidas, proatividade e previsibilidade são fundamentais. Teremos maiores investimentos em capacitação de pessoal e nas boas práticas de higienização. Nosso mercado deverá trabalhar unido e com determinação na busca de autonomia. Para isso deveremos dispor de altos investimentos em pesquisa e desenvolvimento”.

Gregório acrescenta: “será necessário pulverizar e diversificar a atuação no mercado para evitar dependência de segmentos que podem sofrer mais em uma determinada crise”.

Sustentabilidade

Sacha Haim, da Alfa Tennant

 A questão da crise energética e a escassez de água são pontos que impactam diretamente o setor de limpeza profissional. Tanto que Haim chama a atenção para o custo de fabricação e transporte dos equipamentos e peças de reposição.

“Entendemos que uma parte significativa da demanda será suprida com máquinas recondicionadas pela própria fábrica com garantia – uma alternativa que vem se consolidando e que trará como benefício, além da redução no custo de aquisição ou locação, a redução no consumo de insumos, permitindo o reuso e colaborando para a sustentabilidade do setor”.

Mas 2022 também será um ano para reaprender as relações humanas. “O mercado profissional de higiene é feito através do contato diário entre as pessoas. É uma troca constante de conhecimentos, informações e negócios. Durante a pandemia essa relação, por força das circunstâncias, mudou. Um dos principais desafios será recriar essa relação, refazer os processos de informação e negócios e voltar a se aproximar dos clientes, dos processos e principalmente do profissional de limpeza”, ensina Merlo.

Aprendizado constante

João Carlos Moreira, da Center Limp

Moreira destaca que a pulverização de oportunidades, com diversas áreas de atuação são outros pontos que devem ser bastante observados no próximo ano. “Além disso, devemos manter a educação como meio mais eficaz de treinamento e geração de resultados”.

Inclusive, um maior cuidado com a limpeza é uma das apostas. “No passado, a limpeza era tida como algo a ser escondido, agora o processo de limpeza passou a ser um status, com clientes querendo mostrar que estão limpando. Funcionários da limpeza que antes precisavam passar despercebidos são agora motivo de orgulho”, diz Haim.

“A pandemia vai deixar um legado positivo em muitas áreas, mas vai ser necessário um esforço dobrado para mantermos a consciência das pessoas e empresas em relação higienização correta dos ambientes”, atesta Gregório.

Justamente por este motivo, segundo o executivo, será preciso utilizar todos os canais de comunicação do setor de limpeza e higienização e mantê-los ativos para uma estratégia de mudança cultural.

Santos conta que a Abralimp desempenhou papel relevante na transmissão e compartilhamento de conteúdo para o mercado profissional de limpeza durante o ano. “Pudemos colaborar com divulgações de diversos protocolos para os mais diversos setores do mercado”.

“A Abralimp seguirá tendo um papel fundamental como fomentador de alianças tecnológicas e facilitador dentro do mercado, entre todas as cadeias produtivas, inclusive junto aos órgãos governamentais”, diz Merlo.

De acordo com ele, a expectativa é de haver uma busca constante por tecnologias mais modernas e renovação dos processos e metodologias de desenvolvimento de produtos, que levarão o mercado de higiene profissional no Brasil a níveis de primeiro mundo.

Para Santos, a entidade e suas câmaras setoriais contribuíram de forma efetiva com a sociedade. Um bom exemplo da atuação foi a criação dos manuais de limpeza durante a pandemia (link)

Mas, apesar disso, nas palavras de Edilaine, no próximo ano não podemos deixar a atualização e a atenção com as mudanças de lado. Para Moreira, “uma maior concorrência e divulgação de produtos profissionais fará com que todos tenham que evoluir rapidamente para seguir no mercado e crescer, como uma mola que impulsiona para frente”, finaliza.

 

Fonte: ABRALIMP por ADS Comunicação Corporativa.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.