O uso do ar condicionado e a higienização de carpetes vêm criando polêmica e gerando inúmeras dúvidas nas equipes de facilities e prestadores de serviços. Afinal, quais as recomendações para a correta limpeza de carpetes e tapetes? E os aparelhos de ar condicionado: podem ser usados ou existem riscos?

Para sanar essas e outras dúvidas, a Abralimp (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional) realizou um webinar com especialistas para debater sobre como garantir a qualidade do ar que respiramos em tempos de Covid.

Com mediação da jornalista Fernanda Nogas, o evento contou com Arnaldo Basile, presidente do Conselho de Administração da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar condicionado, Ventilação e Aquecimento); Paulo Vinícius Jubilut, membro da Câmara de Prestadores de Serviços da Abralimp; e Leandro Sena, presidente da AbraHigie e fundador da Escola Nacional de Limpeza.

Qual a qualidade do ar que você respira?

Quando se fala no ar de um ambiente interno, é impossível não pensar em aparelhos de ar condicionado, estofados e carpetes. Em função do coronavírus, muita polêmica se criou em torno desses elementos, inclusive recomendando a eliminação de seu uso – sem qualquer embasamento científico.

Mas, obviamente, a conservação e manutenção deles também mudou, como explica o presidente do Conselho de Administração da Abrava, Arnaldo Basile: “Nosso desafio tem sido atender às novas expectativas, principalmente porque as necessidades de um hospital são diferentes de um shopping center por exemplo; também temos promovido as boas práticas de manutenção e operação dos sistemas de ar condicionado; esclarecido como usar corretamente esses sistemas; conscientizado os profissionais do setor, reciclando e treinando-os de maneira intensa; e promovendo visibilidade e aplicabilidade das soluções que existem no mercado”.

Muito negligenciada no Brasil, a manutenção de carpetes também vem ganhando espaço no cenário atual. “Estamos aproveitando esse momento em que a consciência das pessoas está mais afinada com a higiene”, destaca o membro da Câmara de Prestadores de Serviços da Abralimp, Paulo Jubilut. “O carpete é um excelente revestimento, mas tem sido recriminado neste momento de Covid. Existe muita desinformação e o que temos feito é desenvolver processos para que o carpete deixe de ser tratado como ‘spot’, ou seja, limpo apenas quando há sujeira visível. Queremos mostrar que existe frequência e método na manutenção de carpetes, e que ele é tão seguro quanto qualquer outro tipo de piso”.

“A Anvisa especifica não só os cuidados necessários, mas também que sua limpeza seja feita de forma profissional para reter as partículas virais”, completa o presidente da AbraHigie, Leandro Sena. “Se ocorre a varrição, por exemplo, pode se levantar partículas e espalhar micro-organismos trazidos da rua, causando a contaminação. Vale lembrar também que é preciso ficar atento às cadeiras e estofados. Esses elementos devem ser operados em conjunto, para que tudo que envolve a qualidade do ar no ambiente esteja contemplado”.

Carpetes e ar condicionado: o que pode ou não pode?

Uma pesquisa feita no mercado americano aponta que, entre 1600 entrevistados, 67% responderam que a qualidade do ar é o fator mais importante para sua retenção em um ambiente de trabalho. Da mesma forma, estudos científicos em todo o mundo mostram os benefícios do carpete nos ambientes internos, seja pelo conforto térmico ou pela diminuição de ruídos, entre outros. Ainda assim, no Brasil é muito comum haver o problema da “economia” na hora de fazer a manutenção preventiva dos carpetes.

“Além dessa questão da ‘economia’, muitas vezes as empresas não buscam a manutenção correta por já terem vivido experiências com mão de obra não qualificada, e que acabou danificando o carpete. Isso prejudica o mercado”, explicou Leandro. “O correto é contar com uma empresa que entenda de higienização, que utilize os produtos corretos e com protocolos aplicados de forma eficiente.”

Outro ponto sobre o que “não” fazer em relação a carpetes é a varrição, em especial no período de pandemia, por causa da suspensão de partículas. Por fim, a limpeza com água também é desaconselhada, já que carpetes sem a secagem correta podem ficar úmidos, trazendo riscos de contaminação. “O processo a seco é pouco conhecimento, sendo ainda muito comum a ideia de lavar, o que pode se tornar complicado num ambiente interno sem secagem eficiente. É preciso desmistificar que carpete é algo para países europeus ou frios. O que é preciso é saber fazer a manutenção correta”, completou Paulo.

E quanto ao ar condicionado, existem riscos? O vírus pode ficar preso no filtro? Arnaldo Basile explica que o ar condicionado não só pode, mas deve ser utilizado neste momento. “O sistema de filtragem ajuda a reduzir a quantidade de poluentes e, por consequência, a transmissão de vírus. O vírus tem uma dimensão muito menor que a de uma bactéria, então não é qualquer filtro que irá retê-lo. Seria preciso um filtro de alta performance, de malha mais entrelaçada, com espessura maior, como os de ambiente hospitalar ou farmacêutico; é praticamente inviável instalar esse tipo de filtro em um sistema de ar condicionado comum. Então, o objetivo do uso do ar condicionado é reter as partículas e reduzir a quantidade de vírus no ambiente. Vale lembrar por fim que filtros têm validade. Não existe ‘filtro limpo’, pois sua função é captar a sujeira. E a troca deve ser feita periodicamente, se possível antes do fim da data de validade”.

Orientação e treinamento contra a desinformação

Embora exista hoje uma grande preocupação com a qualidade do ar, é notório que a desinformação, a falta de padrões ou mesmo o desrespeito às normas pode ser prejudicial.

No caso dos aparelhos de ar condicionado, para garantir que o ambiente esteja seguro, especialistas identificam nos próprios projetos a quantidade de ar externo necessária para haver uma renovação. Isso porque, um ambiente fechado, com o passar do tempo aumenta a concentração de CO2 e poluentes, restando apenas o ar viciado a ser recirculado no ambiente.

Ocorre que, muitas vezes, a fim de reduzir custos, o projeto não é respeitado e não se implanta o dispositivo de tomada de ar. “Isso é um grande erro”, aponta Arnaldo. “Nesse cenário de Covid, sistemas que foram instalados sem a tomada de ar terão de ser reformados e readequados. Além da necessidade da troca, é preciso considerar que o ar externo possui uma concentração baixa de bactérias e vírus, devido às faixas de raio ultra violeta que ajudam a eliminar esses micro-organismos”.

Já em relação à padronização da manutenção de carpetes, recentemente houve a criação de uma câmara técnica multidisciplinar para traduzir manuais internacionais e adequar os padrões de higienização à realidade brasileira. “Estamos trabalhando junto a escritórios de arquitetura, de laboratórios que irão aferir a qualidade do ar, bem como junto à área de patologia da USP para comparar pisos frios e carpetes dentro de um hotel-escola e criar um guia aberto para que as empresas de limpeza possam ter um parâmetro técnico da higienização dos carpetes”, disse Paulo.

Para sanar as dúvidas, principalmente das equipes de facilities, Leandro defende a qualificação. “É preciso equalizar o conhecimento dos profissionais que prestam esses serviços. Isso faz com que o cliente final consiga identificar as empresas que estão dentro de um determinado nível, e quando ficar fora disso, nos ajudará a identificar e orientar esse prestador para que se qualifique. O mercado já começa a enxergar que nesse momento existe uma voz, que é do setor de Limpeza Profissional, se unindo em prol de soluções eficientes. É preciso saber olhar para todos os elementos, não só carpetes e aparelhos de ar condicionado, mas os estofados e afins, pois são um conjunto dentro do ambiente que precisa de manutenção correta para que esse ambiente seja saudável”.

A Abralimp desenvolveu manuais para limpeza durante a pandemia para diferentes setores. Todos são gratuitos e podem ser acessados clicando aqui! 

 

Além do conteúdo discutido neste webinar, a Abralimp preparou o documento abaixo com respostas às principais dúvidas do público:

Qual o processo de limpeza do carpete? Poderia descrever o passo a passo de forma rápida, considerando a dificuldade atual? – Sacha Haim 

Analisar o carpete;

Desacarização;

Remoção de manchas;

Higienização;

Enxágue;

Secagem 100%;

Aplicação do finalizador de cheiro.

Quanto ao processo de limpeza do ampere? Poderia descrever o passo a passo de forma rápida considerando à dificuldade anual? – Sacha Haim 

Execução da desacarização mensal.

 

O uso de aparelhos para ionização resolve esses problemas ou minimiza? – Paulo Giannoccaro

Melhoras bem. Por ser uma superfície porosa o efeito desejado a ionização tem pouco efeito, se faz necessário que o processo de desinfeção utilize equipamentos adequados que irão distribuir o produto sobre a superfície, meio e base da fibra do carpete.

 

Realmente há questões para os relacionamentos, há alguma sugestão, dia para o pós-pandemia na tecnologia, comunicações e inovações? Thales Kroth 

Sim. Pós-pandemia os processos de higienização deverão ser intensificados, e adotar o processo de desacarização para contribuir na qualidade do ar ambiente também.

 

Quais as principais vantagens do uso de carpetes como revestimento de pisos em relação aos revestimentos tradicionais? – Rubens Portella Jr.

São inúmeras como: Conforto Térmico, Conforto Acústico, Estética, Elegância, Qualidade do ar, entre outros pontos.

 

A limpeza de carpetes com produtos químicos não líquidos ainda é uma prática muito adotada?

É pouco adotada e isso precisa ser revertido, pois os processos líquidos deixam muito resíduos pós-limpeza.

 

A periodicidade da limpeza dos dutos ficou menor? – Jair Paschoaletti

A periodicidade de limpeza dos dutos é definida pelo responsável pelo PMOC da instalação, em função das vistorias que fazem parte das rotinas periódicas. A rigor, se um duto necessita ser limpo, significa que existe infiltração de ar não filtrado na rede de dutos. Isso denota falhas de instalação. De qualquer maneira, a recomendação é inspeciona-la semestralmente. Existem recomendações questionáveis para não se promover limpeza dos dutos durante a fase de pandemia.

 

E quanto aos filtros laváveis? Vale colocar um filtro manta adicional para auxiliar na qualidade do ar? – Lilian Mendes

Quanto ao uso de filtro adicional, deve-se consultar o manual do fabricante do equipamento. Mini Splits e aparelhos de janela, normalmente, não comportam filtro adicional, mas há versões que comportam a troca do filtro convencional por filtro tipo G4. Para equipamentos centrais de maior capacidade, o responsável pelo PMOC é quem deve analisar se é possível a instalação de filtro adicional, pois isso restringirá a passagem do ar provocada pelo aumento da perda de pressão do ar. Nesse caso, se o equipamento comportar um filtro adicional, a vazão do ar deverá ser ajustada conforme especificado em projeto.

 

Qual a frequência de lavagem durante o ano de carpete em uma área de alto, médio e baixo fluxo de pessoas? – Victor Borghetti

A frequência é uma resultante de alguns fatores como: cor do carpete, educação do usuário, se tem barreira de contenção “capacho”, frequência de aspiração entre outros pontos, porem via de regra você deve higienizar e limpar em média 3 vezes ao ano e distribuído de forma que áreas de alto trafego recebem mais tratamento, exemplo: Corredor – Bimestral; Área de Trabalho – Quadrimestral; Salas de diretoria – Semestral.

 

Assista ao webinar na íntegra, clicando aqui!

 

Fonte: ABRALIMP – Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional.

Foto: Divulgação.