Processos de limpeza e gestão de resíduos do Shopping Parque da Cidade privilegiam a preservação do meio ambiente

Vista interna do Shopping Parque da Cidade.

A cena é bucólica. Uma frondosa jabuticabeira com o caule repleto de frutos. Ali, ao alcance das mãos e à disposição de quem quiser saborear a suculência da fruta colhida no pé. Parece um quintal. Mas trata-se de um dos mais novos projetos arquitetônicos da metrópole paulistana: o Shopping Parque da Cidade (SPDC).

Inaugurado em maio de 2019 o projeto já nasceu grande. Ocupando uma área de 82 mil metros quadrados onde funcionou por décadas a icônica fábrica de bicicletas Monark, o mall integra um complexo composto ainda por cinco torres corporativas, uma torre office, um hotel e duas torres residenciais, além de um Parque Linear com, Praças das Águas, pista de Cooper e ciclovias.

O empreendimento foi pensado para atender uma nova tendência em shoppings centers e traz ao país o conceito que é sucesso nos Estados Unidos e China: Life Center – espaços que privilegiam a experiência e qualidade de vida do consumidor com opções de compras, gastronomia, conveniência, entretenimento e serviços em um só local.

As imensas claraboias e as floreiras com jabuticabeiras dispostas nos corredores dão a pista. A disposição do edifício no terreno, os bolsões de área verde e a incidência de luz foram projetados para amenizar as ilhas de calor. A manutenção da área verde original do terreno, composta por espécies da mata atlântica é outro cuidado para proporcionar um novo jeito de consumir, com consciência, respeito e sustentabilidade.

No complexo estão localizados ainda uma clínica da renomada rede Albert Einstein e a primeira unidade do Brasil do luxuoso hotel Four Seasons, além de um completo mix de lojas.

Com projeto arquitetônico assinado pelo escritório Aflalo/Gasperini Arquitetura, investimentos de cerca de R$ 400 milhões do Previ Futuro e administração da empresa baiana Enashopp (responsável pelo Shopping Barra e outros centros comerciais em Salvador), o local também abrigará, em breve, um parque linear de mais de 20 mil metros quadrados.

Coleta a vácuo

Espaços amplos, de linhas retas com iluminação natural. Teto verde, fachadas de vidro de alta perfomance, sensores de umidade, estão entre os itens disponíveis no espaço para gerar economia e aumentar a eficiência do empreendimento.

Além disso, toda a coleta de resíduos do local é feita a vácuo. Por uma tubulação interna os resíduos e rejeitos descem das cabines até o sexto subsolo e percorre cerca de setecentos metros, a uma velocidade de cerca de 80 Km/h, até ser acondicionado na Central de Resíduos do Condomínio. O sistema de esgoto sanitário também utiliza tecnologia à vácuo.

Muito comum em aeronaves e plataformas de petróleo, o sistema adota pelo SPDC consome apenas 1,2 litros de água por acionamento (o normal consome de 6 a 12 litros), resultando em uma economia de água de cerca de 30%. “Além disso, ao utilizarmos a solução também produzimos menos esgoto e, por tabela, menos impacto ao meio ambiente”, explica o gerente de operações do mall, Raul Menezes.

Mesma premissa está presente nos mictórios. “Todos os nossos mictórios não possuem descargas, utilizam uma tecnologia que dispensa o uso de água após cada uso”, explica o executivo. A equipe do Grupo Paineiras, responsável pela limpeza e gestão de recicláveis de todo o centro comercial, adota o procedimento de borrifar água ionizada para completa desinfecção e quebra dos cristais formados pelos resíduos da urina. “Não utilizamos cheiro para maquiar o odor. E ainda assim, não há nenhum comprometimento para o ambiente, que fica desinfectado”, diz o executivo.

A reciclagem do lixo é outro assunto tratado com empenho. Após a triagem e separação o que é reciclável segue para reuso. Já o lixo orgânico é destinado à compostagem dos jardins do próprio empreendimento. Com isso a meta é obter uma redução de 50% na geração de resíduos.

Um PEV (posto de entrega voluntária) de lixo reciclável também está em fase de finalização. Em breve estará à disposição da população para descarte consciente. “O material trazido será separado e encaminhado para tratamento adequado”, esclarece o gerente. A operação de reciclagem e beneficiamento do material ficará a cargo da cooperativa YouGreen, também sob a gestão do Grupo Paineiras.

“Incentivamos uma mudança de comportamento, que é a premissa básica para a sustentabilidade e nos baseamos em três pilares para que o empreendimento tenha êxito: um bom projeto arquitetônico, o engajamento das pessoas e a viabilidade econômica”, acrescenta Menezes.

Sustentabilidade

Raul Menezes, gerente de operações.

Primeiro shopping certificado Leed ND (Leadership in Energy and Environmental Design) no Brasil e Leed CS, nível Gold, o local tem atributos como localização e transporte; sustentabilidade; eficiência no uso da água; energia e atmosfera; materiais e recursos; inovações e processos; além da qualidade ambiental interna atestados pela chancela internacional que é utilizada em mais de 160 países.

Toda a preservação da área verde também foi prevista para tornar o projeto ainda mais sustentável: foram mantidas mais de 30 espécies nativas e todo o projeto foi desenvolvido considerando a orientação das correntes de ar e sombreamento para minimizar o calor, reter as águas pluviais, além de formar barreira acústica.

As calçadas e o lago constantes no projeto também funcionarão como retentores das águas de chuva para aumentar a captação destinada a reuso em irrigação e banheiros. Mesmo cuidado é aplicado ao tratamento de pisos, que recebe aplicação de produtos de linha sustentável para minimizar o impacto ao meio ambiente.

Na parte interna do shopping, além das jabuticabeiras, palmito Jussara, folhagens nativas e plantas variadas estão dispostas de modo a proporcionar um ambiente aconchegante. Até as lixeiras foram projetadas para acomodar plantas. “É uma mudança de cultura para valorizar o bem estar dos freqüentadores”, pontua o executivo.

A iluminação é outro quesito sintonizado ao conceito de sustentabilidade. O complexo compra energia proveniente de fontes renováveis para que toda a infraestrutura esteja dentro do conceito de sustentabilidade.

Raio X

Praça de alimentação.

O Shopping Parque da Cidade conta com:

– 20 mil metros de área bruta locável

– 36 mil metros de área construída

– 4 pisos

– 1 andar de cinemas

– 1 teatro

– praça de alimentação com 900 lugares

– Clínica Einstein

– 6 subsolos

– 2 andares de área técnica

– teto verde

– 2.200 vagas de garagem

– 9 garagens subterrâneas

A expectativa é de que cerca de 30 mil pessoas, entre colaboradores das cinco torres corporativas e da torre de escritórios, além de visitantes, circulem pelo shopping. “Alinhamos todas as ações para atender esta demanda interna que deve chegar a 50 mil pessoas por dia circulando no complexo”, explica Menezes.

Segundo o executivo, até o impacto no trânsito da região foi pensado para aumentar a sustentabilidade do projeto. No entorno estão a estação Morumbi e Granja Julieta da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e a futura estação linha Ouro – prevista para 2021 – que ligará o bairro do Morumbi ao Aeroporto de Congonhas.

“As garagens foram projetadas para privilegiar carros elétricos e os programas de carona solidária para que a mobilidade esteja presente e impacte positivamente na sustentabilidade do empreendimento”, explica o executivo.

Mind set

A mudança de mind set (mentalidade) e o engajamento das pessoas é um dos fatores privilegiados em todo o projeto. “Valorizamos a sustentabilidade, o consumo consciente e o bem estar de todos. Dos freqüentadores às equipes de fornecedores”, conta o gerente.

Um exemplo é o caso de um colaborador terceirizado que teve uma oportunidade de ascensão profissional, mas como não dominava informática perdeu o posto. Ao saber do caso Menezes e sua equipe se sensibilizaram e buscaram uma solução prontamente: a criação de uma sala de aula.

Assim nasceu um espaço que será compartilhado por todos os colaboradores do espaço (inclusive terceirizados). A primeira turma de informática já está reunida para receber aulas com Felipe Giovani, Coordenador Operacional do shopping. “Não adianta um projeto premiado se não valorizarmos o principal ativo: o capital humano”, enfatiza.

As mulheres também exercem um papel de destaque para a manutenção do complexo. Além do contingente responsável pela limpeza, bombeiras e eletricistas atuam em seus postos. “Estamos proporcionando uma grande mudança de mentalidade em todos os sentidos”, diz Menezes.

Para multiplicar o conhecimento e capacitar os colaboradores a estratégia adotada reflete a essência do empreendimento. O contingente de colaboradores da equipe fixa e cerca de 100 terceirizados são reunidos na ampla e confortável sala de cinema. Lá são feitos os treinamentos e as conversas de equipe. “Pra nós é importante valorizar as pessoas”.

“Entendemos que ao trazer parceiros alinhados ao nosso DNA conseguimos alcançar os melhores resultados. Terceirizamos o serviço. E não pessoas. A sinergia de culturas traz benefícios e ao priorizarmos processos sustentáveis inteligentes alcançamos nossos objetivos”, finaliza o gerente.

 

Fonte: Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional – ABRALIMP.

Foto: Divulgação