Embora o Brasil esteja vivendo uma reabertura gradual, nas últimas semanas a Europa toda vem aplicando medidas de restrição e fechamentos, em função do grande aumento no número de casos de Covid – mesmo com boa parte da população dos países vacinada. Em paralelo, no fim de novembro foi detectada a mais nova variante do vírus, denominada Ômicron, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma “variante de preocupação”, já que sua quantidade de mutações pode torná-la mais contagiosa, causar doenças mais graves ou mesmo reduzir o efeito das vacinas.

Como ainda não se sabe ao certo do que a Ômicron é capaz, todos os protocolos de limpeza e desinfecção pós-vacinação são não apenas válidos, mas absolutamente necessários. Para falar um pouco mais sobre a atual situação da pandemia, a revista HigiPlus entrevistou com exclusividade o Dr. Roberto Focaccia, médico Infectologista e professor livre docente pela Universidade de São Paulo (USP). Confira!

Higiplus: Considerando o atual cenário da 5ª onda de Covid na Europa, com o aumento no número de infectados e óbitos, o senhor acredita que essa nova onda também chegará nos próximos meses ao Brasil?

Dr. Roberto: Apesar do sucesso da vacinação no Brasil e da atual redução nos casos de morte, o coronavírus continua circulando bastante e pode produzir variantes mais agressivas. E o que ocorre é que o Brasil não está fazendo testagens para verificar a real circulação do vírus. Lamentavelmente, só estão fazendo o teste nas pessoas com sintomas e, assim mesmo, o número de infectados ainda é bastante elevado.

Nos Estados Unidos, na Europa e em alguns países asiáticos, houve anteriormente uma flexibilização quase total das medidas de prevenção e isso tem resultado nessa nova onda de casos e mortes. Muitos estados brasileiros estão seguindo essa mesma orientação, a meu ver totalmente errônea, contrariando o que todos os epidemiologistas, sanitaristas e infectologistas têm recomendado. Por isso, diria que estamos fazendo uma “roleta russa”.

Higiplus: Qual a importância de manter os protocolos de limpeza e desinfecção utilizados durante a pandemia, mesmo com mais de 60% da população brasileira totalmente imunizada?

Dr. Roberto: É preciso ainda manter as medidas de prevenção, como o uso de máscaras (especialmente em locais fechados e no transporte público), evitar aglomerações, lavar as mãos com sabão ou álcool gel antes de levá-las ao rosto e higienizar corretamente as superfícies. E isso merece uma atenção ainda mais especial por estarmos nos encaminhando para as festas de final de ano, onde é comum acontecerem descuidos e excessos.

Higiplus: Outra questão a ser considerada é a nova variante Ômicron, que já foi detectada em mais de 40 países (incluindo o Brasil), e sobre a qual ainda se sabe pouco. Quais as recomendações em termos de protocolos e cuidados?

Dr. Roberto: O aparecimento da variante Ômicron na África e que está se espalhando por todo o mundo merece atenção redobrada. Ainda não sabemos se é mais agressiva clinicamente, nem sua velocidade de disseminação ou se escapa da proteção das vacinas. Todos os testes estão sendo desenvolvidos o mais rápido possível para esclarecer a situação. Mas, diante desse fato, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é no sentido de mantermos todos os cuidados preventivos que vínhamos adotando, inclusive utilizando as vacinas atuais.

HigiPlus: Algum recado final para os leitores da revista e para o público em geral?

Dr. Roberto: Este vírus novo e sua epidemia não eram conhecidos pela humanidade e têm tido comportamentos não previstos. Assim, enquanto houver vírus circulando pelo mundo, não podemos abrir mão das medidas de controle, cuidados e protocolos de higienização. Por fim, também é fundamental que todos busquem estar com seu esquema de vacinação completo, composto das duas doses e do reforço após quatro a seis meses. A epidemia ainda não acabou.

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/ Divulgação: ABRALIMP.