O que as empresas fizeram para dar a volta por cima

 

Roberto Marques, diretor da Única Serviços.

Além de tomar a população de sobressalto por conta do risco invisível e iminente do coronavírus, a pandemia também mexeu com a economia. Até mesmo a limpeza profissional – alçada ao protagonismo por ser uma das armas mais eficazes para debelar o SARS-Cov-2 – sofreu o impacto.

Roberto Marques, diretor da Única Serviços, associada Abralimp, conta que de início foram muitas incertezas sobre o comportamento do mercado e ajustes internos para adequação às novas formas de atendimento aos clientes.

“Com o home office o nosso primeiro impacto negativo veio das perdas temporárias dos postos de limpadores e controladores de acesso em torres comerciais e escritórios”, relembra o executivo.

Logo na sequência, Marques viu seus clientes das áreas de hotelaria receptiva, shoppings, bares e restaurantes serem atingidos em cheio, reduzindo ainda mais os postos de trabalho.

A LS Premium, outra empresa associada Abralimp, também sentiu a redução dos contratos mensais. “Houve muita queda na demanda devido às empresas, escolas e shoppings estarem fechados”, relembra o diretor Lucas Martins Costa. “O serviço de mão de obra de limpeza mensal também reduziu bastante nos pequenos escritórios, por conta do home office”.

Com a diminuição de contratos, as equipes também passaram por adequações. “Praticamente 50% dos nossos colaboradores ficaram suspensos de abril a dezembro de 2020”, diz Costa.

“Comparado ao ano anterior, estamos com -8% do nosso quadro operacional”, explica o executivo. Ainda de acordo com ele, a situação só não se agravou mais devido à Medida Provisória nº 936/20, que ajudou tanto a empresa quanto os clientes a evitar o fechamento de postos de trabalho.

O Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, ou simplesmente MP 936 permitiu a redução de jornadas e a suspensão de contratos em razão do coronavírus. Transformada em lei, trouxe mudanças que ajudou os empregadores a terem redução de custos para manter as empresas e preservar empregos.

“Fizemos um acordo com a maioria dos nossos clientes para ajudarmos os colaboradores a não ficarem sem emprego e quem foi realocado – e não integrava o grupo de risco – voltou ao mercado de trabalho. Outros tiveram os postos trocados”.

Mesma estratégia foi utilizada na Única. “Fizemos o nosso dever de casa e iniciamos um trabalho de reposicionamento dos funcionários que perderam os postos para cobrir colegas que estavam em período aquisitivo de férias”, conta Marques.

O diretor acrescenta: “os profissionais foram recolocados em outros contratos, capacitados para outras demandas, cobertura de férias, cobertura de faltas e reposição do turnover”, esclarece.

Outra saída utilizada por ele foi a adoção de linhas de crédito concedidas pelo Governo Federal para folha de pagamento. “Isso ajudou a empresa equilibrar as impontualidades nos recebimentos, colaborando para a manutenção de muitos postos de trabalho”, conclui o diretor.

Condomínios residenciais em alta

Pedro Almeida, diretor de operações da Onet.

Mas nem tudo foi ruim. No mercado de terceirização condominial, por exemplo, Marques notou maior estabilidade e busca pela profissionalização das equipes – principalmente de limpeza e controle de acesso.

Em pesquisa realizada em 2020 pela Onet Centro em parceria com o Instituto Locomotiva, 52% dos brasileiros acreditam que condomínios residenciais estão preparados para a pandemia.

“A pandemia mudou a relação dos brasileiros com a desinfecção, aumentando o conhecimento e sua consideração de importância”, diz Pedro Almeida, COO da Onet.

Do universo de duas mil pessoas entrevistadas para a pesquisa realizada em parceria com o Instituto Locomotiva, entre maio e novembro de 2020 a importância em relação a desinfecção de um local saltou de 86 para 94%.

Marques revela que, de fato, essa mudança de comportamento foi percebida na empresa. “Devido à pandemia, os síndicos e demais clientes ficaram mais atentos e abertos às sugestões sobre produtos de uso profissional, inclinados à mudança na cultura de limpeza. Com isso tivemos um aumento de aproximadamente 8% no faturamento”, destaca.

Nas portarias o fluxo de demanda também foi impactado, segundo análise de Marques. Para ele, o fato das pessoas ficarem em home office e o aumento significativo no volume de entregas via delivery exigiu maior atenção e controle por partes das empresas e dos profissionais que atuam na linha de frente”.

Também foram criados novos serviços como tratamento de piso, equipes de mutirão para reforçar a limpeza e desinfecção. “Capacitamos a mão de obra excedente para assumir estes novos produtos e a implantação foi um sucesso”, comemora.

“Sem dúvida, a melhor performance sentida por nós foi mesmo no segmento de condomínios residenciais, que abrigaram os profissionais de forma simultânea, vindos de todos os setores para trabalharem remotamente”, aponta Marques. Para ele, isso também mexeu com a percepção em relação aos serviços prestados.

“A exigência de segurança biológica gerada por treinamentos corporativos para uma nova convivência respeitando o distanciamento social, o uso de máscaras e uma maior higiene pessoal do indivíduo, nesse novo modelo de comportamento social, foram compartilhados através de diversos protocolos para uso de ambientes comuns dentro dos condomínios. Como resultado surgiram oportunidades de melhorias do serviço e, em alguns casos, aumento do quadro de colaboradores”.

Alternativas encontradas

Lucas Martins Costa, diretor da LS Premium.

Costa foi outro que encontrou alternativas para dar a volta por cima. “Com a redução da mão de obra nos contratos mensais, focamos na limpeza pós-obra e houve um excelente retorno para o faturamento da empresa. Tanto que acredito que o setor de construção civil esteja aquecido”.

Outra importante medida adotada pela empresa foi associar-se à Abralimp. “Foi essencial para nos realocar ao mercado de limpeza e ingressar um networking com CEO´s de outras companhias do setor”, acrescenta.

Para ele, a entidade também proporcionou diversas oportunidades, bem como a atualização sobre as novidades do mercado. “Tudo isso foi importante para mantermos um serviço que proporcione saúde e segurança aos nossos clientes”.

Marques também viu na pandemia uma forma de testar a funcionalidade do modelo de negócio ao colocar gestores e assistentes em home Office. “Essa era uma dúvida que tínhamos e foi uma grata surpresa ver como a produtividade cresceu em função do compromisso da equipe do backoffice, que aflorou ainda mais a preocupação com o nosso time operacional e deu um verdadeiro show de comprometimento e profissionalismo diante de todas as adversidades”, finaliza.

 

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.