Neurociência e liderança feminina, uma relação de sucesso

Neurociência e liderança feminina, uma relação de sucesso

Qual lembrança a palavra liderança te traz? Provavelmente, além da figura masculina, você pensou em uma pessoa de postura firme, pouco sentimental – ou que não demostre, que sabe delegar tarefas e que conduz uma conversa em tom formal e sério.

Essas e outras questões preconcebidas no imaginário coletivo, foram explicadas na palestra “Neurociência e liderança feminina: qual o diferencial das mulheres em cargos de liderança?”, ministrada por Renata Andrade, professora, inclusivista e neurocientista, especialista em como a construção cognitiva impacta as relações humanas, promovida pela Abralimp em março. O encontro foi marcado por muitas reflexões sobre a construção do repertório simbólico e cultural das mulheres na sociedade, a importância do gênero no mercado de trabalho e, ainda, relatos das participantes presentes.

“Durante muito tempo, as mulheres ficaram invisíveis nos estudos neurobiológicos. Faz muito pouco tempo que conseguimos estudar o cérebro em imagens, detalhes e funcionamento. Os primeiros exames de imagens de pessoas vivas são recentes, com cerca de 10 a 12 anos. Muita coisa ainda será descoberta. Nesse processo, os modelos usados eram sempre masculinos. Em estudos de animais, entendia-se que o que era descoberto para o macho também valia para a fêmea, ou que ainda, pelas alterações do corpo feminino, era mais seguro estudar o homem”, explica.

Mas afinal, existe diferença entre homem e mulher? Como encontrar um ponto de equilíbrio? Quando o assunto é liderança, existe sim diferenças entre os gêneros, como explica a neurocientista.

“Há diferença, por exemplo, entre o sistema nervoso feminino e masculino? Sim, há diferença. Isso torna um melhor do que o outro? Não. Isso só nos torna diferentes. Durante muito tempo, existiu uma crença de que mulheres eram menos capazes e inteligentes do que os homens por causa da constituição cerebral. O cérebro da mulher é menor pois tem relação com o tamanho do crânio. Mas isso não torna qualquer pessoa mais ou menos capaz”, reforça.

Mulheres, liderança e o mercado de trabalho

A equidade de gênero é um assunto necessário e urgente. Nesse sentido, as empresas desempenham um papel muito importante, não só com ações práticas, como também com discussões e palestras, como comenta Nathalia Tiemi Ueno, vice-presidente executiva da Abralimp.

Nathalia Tiemi Ueno, da Abralimp/ Divulgação

Nathalia Tiemi Ueno, da Abralimp/ Divulgação

“Estamos trilhando o caminho certo. A liderança feminina está cada vez mais em destaque. O setor que eu represento, de Prestação de Serviços, é extremamente masculino. Não vejo dificuldades em relação ao gênero. Sempre fui muito bem recebida e respeitada. Temos muitas mulheres que fazem parte e estão no dia a dia da Abralimp”, explica.

Aline Simioni, diretora de Marketing e Relacionamento da Abralimp, fala sobre a importância da busca pelo equilíbrio. Os extremos não são uma boa alternativa e é importante que tenhamos cada vez mais conhecimento sobre o assunto.

Aline Simioni, da Abralimp/ Divulgação

Aline Simioni, da Abralimp/ Divulgação

“Eu considero que vivemos ainda nos extremos. O machismo versus feminismo. Acredito que temos de encontrar esse meio termo, a busca pelo bem comum. Estamos evoluindo e eu já percebo melhoras. Mas ainda precisamos encontrar um ponto de equilíbrio. Ainda vivemos em um setor de limpeza que é muito liderado por homens, enquanto a base é feminina. Isso vem mudando, mas ainda temos um longo caminho para trilhar”, reforça.

Modelos de liderança

A neurocientista Renata, do Instituto Diversitas explica que existem dois modelos de liderança, a transformacional e a transacional. A primeira delas, por ser mais humana, empática e de escuta ativa, é uma tendência para o mercado.

“Temos um modelo de liderança adoecido. O transacional, funciona como uma transação, em forma de troca, como ao delegar uma ordem, a outra parte precisa cumpri-la. Tem uma eficiência e eficácia, mas o fator humano não é levado em consideração. O transformacional, que é categorizado como mais feminino, têm como característica o cuidado, a parceria e a escuta. O princípio é transformar a realidade a partir de uma construção colaborativa”, explica.

Determinação e confiança para alcançar os objetivos

Apesar dos desafios, ser mulher é sinônimo de determinação e esforço. Nas empresas, a força e o potencial de uma liderança feminina têm a capacidade de gerar diversos benefícios para as pessoas envolvidas no processo. É preciso não desistir e, sobretudo, preparar-se para o mercado, para que assim, mais do que o sucesso, a realização seja conquistada.

“Mulheres, tenham confiança. Vamos confiar em nossos instintos. Temos de estudar. Todos precisam ir em busca de conhecimento e, principalmente, em busca da realização”, comenta Nathalia.

“Tem espaço para todo mundo. Mas sejam o que vocês quiserem ser e não aquilo que a sociedade quer que vocês sejam. Se prepare, estude e se capacite para ser aquilo que você deseja”, reforça Aline.

Além da importância da capacitação, o empenho, determinação e esforço são características da personalidade de mulheres que se destacam em qualquer setor. Esse é o caso da Maria Madalena, vencedora do Prêmio Notáveis 2022, na categoria Heroína do Ano. Madalena atua na limpeza profissional há mais de 10 anos e comenta sobre a importância do comprometimento no dia a dia.

Maria Madalena, do HCor/ Divulgação

Maria Madalena, do HCor/ Divulgação

“Depois de tantos anos trabalhando na área da limpeza profissional, fico muito feliz com todo esse reconhecimento. Tenho muita responsabilidade, procuro não me atrasar, não faltar e respeito muito minha chefe”, comenta.

“Durante séculos, as mulheres estiveram oprimidas. Ainda hoje, temos sociedades onde, infelizmente, isso ainda acontece. Mas o fato é que sempre fomos importantes ao longo da história e hoje em dia não é diferente. Então, ter mulheres em posições de liderança é o que vai nos permitir mudar a perspectiva e o entendimento de vários assuntos. Mas para isso, é preciso que seja permitido que as mulheres sejam elas mesmas, com suas experiências, conhecimentos e aspectos cognitivos. Com isso, teremos mudanças e ganhos autênticos”, reforça.

Quantas mulheres em posições de liderança você tem na sua empresa? Vamos contribuir cada vez mais com a mudança desse cenário e fazer das organizações um lugar mais inclusivo.

Acompanhe esse e outros conteúdos na Higiplus e fique bem informado sobre o que acontece na limpeza profissional.

Fonte: ABRALIMP

Foto: ABRALIMP/Divulgação