Economista Rodolfo Margato conduziu debate sobre riscos e mudanças estruturadas

A Abralimp realizou no início de julho a palestra “Cenário econômico no pós-pandemia: debate sobre o ritmo da recuperação, riscos e mudanças estruturadas” com a presença do economista do banco Santander Rodolfo Margato.

Com abertura do presidente David Drake, o evento online também marcou o primeiro encontro dos associados após 17 de março, quando medidas restritivas impostas pelo novo coronavírus impediram a realização de encontros presenciais.

Nas boas vindas Drake destacou a grande capacitação de adaptação da entidade, bem como os canais de comunicação e cursos na plataforma EAD para suprir as demandas geradas pelo novo contexto, passando a palavra ao convidado, economista com diversas especializações e grande expertise em análises econômicas.

“Houve um forte impacto da Covid-19 na economia. Mas é importante observar os indicadores econômicos de que o pior já ficou para trás”, pontuou Margato. “Além disso, impactos mais contundentes são observados em países com maior número populacional. Mas já observamos índices que indicam a recuperação nessas áreas.”

Segundo o especialista, o cenário aponta a reabertura gradual a partir de julho. Já a economia brasileira deverá retomar sua capacidade em setembro, de acordo com perspectivas de diversos especialistas ao redor do mundo.

Com ciclos do novo coronavírus mais longos em países em desenvolvimento – é importante salientar que no Brasil há aumento de casos sem sinais ainda muito claros – existem disparidades de extensão do ciclo, o que explica também as diferenças nos processos de reabertura dos setores da economia em diversas regiões.

Além disso, a Covid-19 também exacerba as desigualdades sociais. “Uma avaliação importante é que a taxa de reprodução do vírus já vem caindo. Isso impacta nas medidas de relaxamento social. Mas ainda estamos com a estatística orbitando em torno de 1. Porém este número já foi bem maior”, enfatizou o palestrante.

Segundo ele a estabilização já ensaia redução na taxa de mortalidade. “Assim mantemos a hipótese da reabertura gradual em meados de julho com continuidade das atividades nos meses seguintes. Mas em cenário macro continuaremos observando os impactos na capacidade de produção”. Disse.

Crise econômica

A pandemia trouxe uma crise sem precedentes no mundo todo e sequelas serão sentidas nos próximos meses. Mas do ponto de vista político-econômico as medidas para conter a Covid-19 não serão suficientes – servirão apenas como amortecimento.

“O conjunto de medidas tomadas e o pacote fiscal adotado pelo governo brasileiro visam proteger o sistema, apesar de abaixo do praticado em outros países, ele se mostra acima da média para tentar mitigar o impacto”, pontuou Margato.

Já no setor de serviços, especificamente, a expectativa é de queda no impacto nos próximos períodos. “Estimamos uma redução no PIB (produto interno bruto) de 6,4% no Brasil e praticamente todos os países do mundo.”

Para os especialistas em todo o mundo a tendência mais relevante é a recuperação em econômica no formato batizado de “V” já observado na China e Europa. Mas para outros casos, como no Brasil, é estimativa é de recuperação em “U”. Pessimistas indicam queda em “L”. “Mas o fato é que ninguém tem uma resposta”, ponderou o economista.

Trocando em miúdos

Nesta sopa de letras, a trajetória em “V” a que se referem os economistas indica que o vírus desapareceria na Europa e nas Américas em abril ou maio, proporcionando flexibilização das regras de distanciamento social. Neste contexto há a liberação da demanda reprimida puxada pela implantação de estímulo fiscal e monetário. Com isso os esforços empregados pelo governo para evitar demissão em massa é bem sucedida e a economia retorna em 2021 ao nível da pré-pandemia.

Já na trajetória em “U” a pandemia persiste até junho e as regras de distanciamento social demoram mais tempo para serem flexibilizadas. Apesar da liberação da demanda reprimida através de estímulos do governo o consumidor leva mais tempo para voltar às lojas e restaurantes. Nem todos os empregos são recuperados. Há acumulo de dívidas e o comércio tem ritmo de retomada mais lento. A situação só melhora a partir do fim de 2020.

Na trajetória em “L” o coronavírus segue circulando no segundo semestre, obrigando a manutenção das regras de distanciamento social por mais tempo. Ainda que desapareça antes do final do ano há chance de a recessão ser mais longa, já que as pessoas continuariam a reduzir gastos com serviços. Dívidas se acumulam e resultam em inadimplência e recuperações judiciais que culminam em crise de crédito.

No cenário da trajetória em “W” o vírus retorna se as medidas para controlar a pandemia forem reduzidas de forma prematura. Com isso retornam as imposições de restrição, fechamento de empresas e lojas resultando em uma recuperação seguida por recessão.

Trajetória em U no Brasil

“Nossa expectativa é a recuperação em “U” com impacto severo na economia com recuperação em ritmo modesto. Diversos indicadores já divulgados mostram que o pior momento tenha sido o mês de abril. Mas percebemos que, aos poucos, a economia vem reagindo. Não teremos uma compensação total até o final do ano ou início de 2021. É provável retomar o ritmo no início de 2022. Mas por outro lado é importante mencionar a recuperação econômica a partir do terceiro trimestre de 2020, com retomada já no segundo semestre aos níveis da pré-pandemia.”

A projeção é de que o crescimento do PIB deve ficar entre 4.4% em 2021 e crescimento adicional da ordem de 3.1% em 2022 com tendência de retomada do setor de serviços. “O pior momento ficou para trás e momentos mais favoráveis já são observados”.

A tendência de retomada no terceiro trimestre de 2020 é forte em todos os segmentos, mas é provável que prestação de serviços não tenha uma boa dinâmica. No entanto,  segundo Margato à medida que as restrições forem relaxadas o setor como um todo irá melhorar no contexto macroeconômico.

 

Fonte: ABRALIMP – Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.