Quais adequações hospitais e limpadoras vêm adotando contra o coronavírus? Quais os melhores químicos para desinfecção desses ambientes? Que legado ficará para o setor e a sociedade após a pandemia? Para abordar esses e outros temas, a Abralimp reuniu especialistas de gestão de facilities hospitalar, do setor químico e de prestadoras de serviços de limpeza em um webinar para falar dos impactos da Covid-19 na limpeza de hospitais.

O mediador Thiago Santana (presidente da Abrafac), e os especialistas Thiago Lopes (engenheiro Químico), Marconi Morais (coordenador de Hotelaria Hospitalar do Sabará Hospital Infantil) e Paulo Peres (vice-presidente de Relações Institucionais da Abralimp) discutiram sobre a correta desinfecção desses ambientes e o que mudou em função da Covid-19.

Marconi iniciou a conversa falando sobre as mudanças vividas pelos hospitais a partir de meados de março para se adequar ao cenário da pandemia, desde reestruturações físicas até alterações em processos, como o refinamento e revisão de POPs, criação de barreiras e a preocupação em levar esse conhecimento com a maior riqueza de detalhes até as equipes de base. “No caso das equipes de Limpeza, a maior preocupação foi a questão de liderança na ponta, pois sabemos que essas equipes carecem de informação. Então mantivemos o foco o tempo todo neles, repassando as informações recebidas da alta direção, tudo com muita tranquilidade, segurança e clareza, pois o engajamento e o comprometimento deles é fundamental nesse momento”.

O moderador Thiago Santana citou a atual confusão criada nas redes sociais e aplicativos de mensagens, com informações desencontradas sobre higienização, mitos e até casos de uso excessivo de álcool em gel, ao que o químico Thiago Lopes respondeu sob o ponto de vista químico e técnico. “Somos diariamente bombardeados com informações, e nem sempre elas estão em acordo com a OMS, o Ministério da Saúde ou mesmo as boas práticas de limpeza. Inicialmente houve até casos de uso do álcool em gel de forma indiscriminada, não apenas na higienização pessoal, mas também dos ambientes, o que contribuiu para desabastecer o mercado”. O especialista mencionou também o surgimento de uma busca por produtos com ação virucida contra o coronavírus e até a adoção desnecessária de produtos hospitalares para desinfetar instalações comerciais comuns, ressaltando o trabalho do setor químico no sentido de tranquilizar o mercado para não haver desabastecimento num futuro próximo.

Paulo Peres, vice-presidente de Relações Institucionais da Abralimp, trouxe à tona o ponto de vista das limpadoras frente ao cenário da pandemia. “Um dos grandes desafios está sendo a logística de EPI´s, com a falta de fornecedores nacionais principalmente para suprir máscaras”. Paulo também mencionou como o segmento de Limpeza foi alçado à linha de frente durante a pandemia, o que colocou à prova um de seus grandes pilares. “O principal pilar do setor de Limpeza dentro de um hospital é a liderança; é ela que leva nossas equipes à ação. Então, quem já vinha com uma equipe bem alinhada, motivada, e com um sistema de liderança compactado, conseguiu responder melhor a essa situação de estresse, que é o que está acontecendo nos hospitais que recebem pacientes com a Covid. Estamos todos passando por esse teste”. Paulo também mencionou a questão do treinamento: “No momento em que você coloca esse estresse para uma equipe, se ela não se sente pronta para enfrentar a situação, é como levar um soldado despreparado para a guerra. Por isso, as equipes que já estavam treinadas e capacitadas conseguiram se reorientar mais rapidamente para enfrentar a situação nesses espaços que estão lidando com a Covid-19”.

Os especialistas abordaram ainda questões como a coleta e separação de resíduos hospitalares, a importância da manipulação correta desses rejeitos, o uso ou não de equipamentos de desinfecção com raios ultra violeta e reforçaram a importância de investir no que já existe de bom e comprovado em termos de diretrizes e processos.

Por fim, os especialistas opinaram sobre o que consideram que será o “novo normal” após a pandemia, as principais lições e os legados que ficarão para a Limpeza Profissional e para a sociedade. Para o presidente da Abrafac, Thiago Santana, mesmo básico na higiene individual deve mudar. “Não tenho dados estatísticos, mas para mim não há dúvida de que casos de conjuntivite, rinite ou virose estomacal irão reduzir significativamente pelo simples fato de que as pessoas chegam da rua e lavam as mãos. Isso levará a um tráfego menor não só da Covid, mas de vários outros microrganismos que causam uma série de problemas de saúde pública”.

Marconi Morais, do Hospital Sabará, corroborou a opinião: “Os assuntos ligados à higiene pessoal estarão muito mais potencializados e o ser humano passará a dar mais valor a questões com as quais antes não se importava. Pelo lado profissional, penso que processos passarão a ser mais bem trabalhados, e os produtos mais seguros. E que nossa área de Limpeza e Facilities, não só na saúde, mas nas empresas e no comércio também será mais valorizada”.

Paulo Peres apontou que o “novo mundo” certamente mudará hábitos. “O caos sempre leva a uma nova realidade. O caos faz qualquer planejamento estratégico de cinco anos acontecer em um segundo. Toda a sociedade está vivendo decisões minuto a minuto, aprendendo a olhar para o momento presente. E o setor de Limpeza, que muitas vezes era colocado como pano de fundo, como uma decisão acessória, passou a ter outra importância. Isso certamente será percebido e até doenças que existiam em ambientes de escritório poderão ser evitadas com um bom pensamento sobre a higiene”.

Thiago Lopes encerrou ressaltando a importância de as instituições não mais enxergarem a higiene apenas como algo paralelo a seus processos. “Qualquer atividade humana começa com limpeza e termina com limpeza; o processo produtivo requer higienização. Nós passamos pela H1N1 e não aprendemos, passamos por SARS e MERS e não aprendemos, no início dos anos 1990 tivemos uma epidemia de cólera no Brasil, porque estávamos com um índice de higiene pessoal, ambiental e saneamento básico de países da África, e também não aprendemos. Então, manter essa cartilha que já vem sendo ministrada e fixá-la como hábito vai ser primordial para termos o máximo de legado. E vai ser uma grande oportunidade não só para um legado setorial, mas também social. É o momento para sermos mais ‘gente’: para pensar mais no próximo, ajudar sem esperar nada em troca, não tentar levar vantagem sobre uma situação crítica que está acontecendo e que é cíclica. Reforço: precisamos muito aprender. Porque talvez daqui quatro, cinco ou dez anos estejamos passando por tudo isso novamente”.

 

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Fonte: Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional.

Fotos: Divulgação