Condomínios são locais de grande tráfego de pessoas e, por consequência, de maior possibilidade de contaminação pelo coronavírus – em especial pela grande quantidade de superfícies de alto toque.

Neste cenário, como manter esses ambientes seguros? O que existe de solução para melhorar a limpeza? Como treinar bem as equipes e ajudar a conter o avanço do vírus?

Para esclarecer essas e outras dúvidas, a Abralimp (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional) realizou um webinar com especialistas para debater sobre quais as melhores práticas para a higienização condominial.

Com mediação da jornalista Fernanda Nogas, o evento contou com Moira Bossolani, diretora Executiva da Vice-presidência de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP; Graziela Lourensoni, diretora de Marketing da Uniabralimp e membro da Câmara de Máquinas; e Luiz Mattos, diretor Comercial e de Marketing e membro da Câmara de Prestadores de Serviços da Abralimp.

Antes de desinfectar? Limpeza!

O universo dos condomínios é bem complexo, seja pelo fato de as características mudarem muito de um empreendimento para outro, seja pelo tipo e volume de trânsito de pessoas. Por isso, esse é um segmento onde “novos normais” têm sido descobertos a cada dia. A verdade é que cada condomínio é único e não existe fórmula pronta para manter esses locais seguros. Mas a diretora Executiva do Secovi-SP, Moira Bossolani, explica que é possível encontrar diretrizes:

“Os condomínios têm passado por um grande processo de adaptação nesse momento. A primeira orientação que damos é que tenham um plano de resposta à Covid, que determine a frequência com que a limpeza será realizada, os procedimentos adequados, quais as recomendações dos fabricantes para determinado químico, qual o produto mais adequado à cada superfície e que haja um acompanhamento periódico e gestão desse plano, para garantir que tudo esteja sendo cumprido”.

Além das superfícies conhecidas de alto toque, como corrimãos, maçanetas e botoeiras de elevador, Moira ressaltou a necessidade de atenção a guaritas e colaboradores que irão compartilhar espaços e objetos, para que seja programada a limpeza nas trocas de turno. “Nunca, antes da pandemia, havia se pensado em quanto há de superfícies de toque dentro de um condomínio e, hoje, o que mais queremos é um edifício touchless, ou seja, que não precise de toque”.

Ainda sobre o tema, a diretora de Marketing da Uniabralimp, Graziela Lourensoni, lembrou que, quando falamos de superfície de alto toque, estamos falando de desinfecção, mas que antes dela é preciso haver a limpeza. “É preciso primeiro limpar. Falando do piso, por exemplo, há condomínios com pisos frios, outros com carpetes e cada revestimento vai exigir uma especificidade. Para tornar esse trabalho mais eficiente, ajudar na velocidade e na produtividade, hoje contamos com aspiradores com filtro HEPA, extratoras e uma grande variedade de equipamentos e máquinas de Limpeza Profissional adequados a cada necessidade”.

Mitos & verdades

Como tudo relacionado à pandemia, dentro do universo de condomínios existe uma série de mitos sobre o que funciona ou não para evitar a Covid. Luiz Mattos, membro da Câmara de Prestadores de Serviços da Abralimp, esclareceu os principais deles. “Hoje, há a questão dos sapatos deixados para fora dos apartamentos, há a polêmica sobre deixar ou retirar o capacho em frente às portas e há até condomínios colocando tapetes sanitizantes na entrada”.

Sobre os capachos, Luiz explicou que os tapetes longos, de fibras, colocados nas entradas dos condomínios funcionam como barreiras de contenção e são indicados para segurar as sujidades. Sobre sapatos, ressaltou a questão do espaço que irão ocupar no hall dos apartamentos e o incômodo gerado. “Certamente, não é recomendado entrar com sapatos em casa porque, embora o piso não seja um elemento crítico, no ambiente residencial por haver crianças ou animais de estimação, pode haver o contato com esse piso e ocasionar contaminação. O melhor é usar o bom senso e retirar os sapatos ao entrar em casa, lavando suas solas imediatamente após a chegada”.

Já em relação ao tapete sanitizante (ou pedilúvio), Luiz lembrou que o item faz parte da realidade da indústria alimentícia, onde pessoas estão equipadas com botas impermeáveis que permitem o contato com soluções químicas por certo tempo. Mas que tentar aplicar isso a um condomínio é, entre outros, colocar pessoas em risco. “Pode haver obviamente escorregões e quedas. Além disso, não é possível garantir que tipo de químico seria efetivo, nem por quanto tempo o contato entre o desinfetante e o calçado seria necessário. É um custo alto, com efetividade pequena e risco grande. Por isso, não há razão para utilizar tapetes sanitizantes em condomínios”.

Gestão do lixo

No caso dos condomínios residenciais, muitas pessoas hoje estão trabalhando em sistema home office, com os filhos em casa e, com mais pessoas nos condomínios, há uma geração maior de resíduos. Além disso, passou a existir a possibilidade do lixo contaminado, com o descarte de máscaras, ou até do lixo de um morador infectado pelo novo coronavírus. Considerando tudo isso, como fazer a correta gestão dos resíduos?

“No estado de São Paulo temos aproximadamente 45 mil condomínios, 25 mil só na capital. Um terço da população da cidade mora em condomínios e nesse momento estão confinadas nesses ambientes”, enumerou Moira. “Por isso, a gestão correta do lixo é fundamental em termos de prevenção. Temos recomendado que, primeiramente, se houver caso positivo de Covid no condomínio, que seja informado, preservando naturalmente a identidade das pessoas, mas que a situação venha a conhecimento para que sejam tomados os devidos cuidados. Orientamos neste caso a utilização de dois sacos de lixo, um protegendo o outro, ou etiquetar os sacos para ajudar em relação à prevenção. Quanto ao fato que, de modo geral, está sendo produzido um volume maior de lixo comum, o ideal é ficar atento ao descarte, liberando esse lixo o mais próximo possível do momento de coleta, evitando seu acúmulo”.

Limpeza não é custo; é investimento

Muitos condomínios ainda não contam com serviços profissionalizados por enxergarem a limpeza como custo. Mas, com a pandemia, as necessidades de higienização mudaram. “O grande problema é realmente os condomínios buscarem comprar ‘preço’”, disse Luiz. “É preciso entender quais as necessidades reais de limpeza de cada local e o que será entregue por esse valor. O que o condomínio terá de segurança em relação à Covid contratando apenas por preço?”.

Luiz lembrou também que há vários síndicos que demandam ‘garantia’ do tempo pelo qual o ambiente permanecerá desinfectado. “Isso infelizmente não existe. Basta que uma pessoa contaminada adentre o local para que o infecte de novo”, disse. “É preciso que os condomínios entendam que determinado serviço pode custar 5% ou 10% a mais, mas que receberão como valor uma empresa especializada, funcionários treinados, a aplicação correta dos protocolos, produtos de primeira linha e todo um conhecimento técnico para garantir que o serviço será bem executado. É preciso avaliar a diferença entre um serviço que preserva a saúde das pessoas ou apenas ‘comprar preço’”.

Limpeza = saúde e segurança

Para que haja segurança contra a Covid a quem mora no condomínio, é preciso que o trabalhador da limpeza também esteja seguro. Por isso, a orientação a esses profissionais é essencial e precisa ser constante.

“Desde o primeiro momento da pandemia, a Abralimp trabalhou muito rapidamente unindo todo o setor, independentemente da concorrência, para que trabalhasse de forma colaborativa”, disse Graziela. “Todos compartilharam seus conhecimentos para entender o que melhor se encaixava para enfrentar a Covid. Disso nasceram diversos manuais da Abralimp e um material muito rico da Uniabralimp, que é a Unidade Nacional de Formação Profissional da Abralimp, para a capacitação dos profissionais”.

Neste momento em que não é possível ter pessoas em sala de aula, a Uniabralimp oferece vários cursos no formato online e EaD. “Nossa responsabilidade, enquanto associação, foi enxergar as novas demandas da sociedade e unir esforços para capacitar as empresas e os trabalhadores da limpeza”.

Com o EaD, o conhecimento agora chega a regiões do Brasil onde antes era difícil o acesso. Os cursos disponíveis são de Técnicas de Limpeza, Limpeza de Vidros, Tratamento de Pisos, Higienização de Banheiros, Higienização Hospitalar e Segurança no Trabalho, todos gratuitos para empresas associadas.

Com isso, a entidade reforça a valorização do profissional de limpeza com informação correta, fidedigna, numa linguagem acessível e que amplia a segurança desse profissional. E todos sabem que profissionais valorizados entendem melhor sua missão, ficam mais motivados e conseguem desenvolver seu trabalho de forma mais efetiva.

Diferentes plataformas 

A Abralimp desenvolveu um manual específico para limpeza de condomínios. O material é gratuito e pode ser acessado clicando aqui!

Além do conteúdo discutido neste webinar, a Abralimp preparou o documento abaixo com respostas às principais dúvidas do público:

  1. Como ficaram uma grande parte dos condomínios que ainda não utilizam produtos químicos e acessórios profissionais no seu programa regular, será mais fácil depois dessa pandemia convencê-los. Rubens Portella Júnior

Temos a certeza de que novos processos precisaram ser criados ou adaptados, com novas rotinas e com uma maior frequência pois foi necessário praticar, além da limpeza, a desinfecção. Por outro lado, o quadro de funcionários não aumentou podendo até ter sido reduzido. É para atender a essa nova demanda de limpeza e desinfecção, entendemos que a utilização de máquinas e de produtos adequados auxiliam na qualidade e eficiência da operação.

Os produtos saneantes devidamente homologados pela Anvisa são eficientes. Mas, é necessário observar as informações de uso o rótulo. Os Síndicos, Conselheiros e Administradoras devem se atentar a esses cuidados e treinar suas equipes para executarem protocolos de limpeza com segurança. O ideal, em termos de produtividade e efetividade seria os mesmos se atualizarem quanto a produtos e acessórios mais eficientes e produtivos, como os que são utilizados pelas empresas prestadoras de serviços de limpeza profissional.

 

  1. Com relação a redução de custo no orçamento Geral de limpeza também em condomínios é importante salientar que nesse planejamento, como acontece muito frequentemente, não compensa economizar comprando produtos químicos de baixo preço porque essa despesa representa um valor muito reduzido no orçamento total, em torno de 3%, o restante representa custo. Isso é, dividindo-se o preço unitário pela diluição recomendada, parece muito simples, mas muitas vezes esses fatores de ser observados na hora da compra. Rubens Portella Júnior

Concordo. O uso de produtos profissionais, observado o uso a que se destina, a diluição recomendada e os cuidados quanto a segurança e forma correta de utilização, é muito mais econômica e eficiente. Preço é uma coisa, custo é outra.

 

  1. Como os síndicos e responsáveis podem detectar álcool em gel fraudados? Tenho visto isso demais no mercado. Álcool em gel melequento, muitas vezes nem 70% são. Francisco Paulo

Depende dos laudos de eficácia a que o produto possui, se tiver comprobatório microbiológico, ok. Temos que salientar também que a RDC 350/2020 permite, até 19/09/2020 a fabricação de álcool em gel para os fabricantes que não possuem o produto regularizado e com número de processo na rotulagem. Neste caso, no lugar do número de processo, deve contar a menção de que o produto está regularizado conforme a RDC 350/20. Porém a AFE (Autorização de Funcionamento de Empresa) deverá existir, independente disso. Alguns indicativos presentes na rotulagem do produto podem apontar a regularidade de um álcool em gel:

-Presença do número de processo

-Presença do número de AFE

– Presença dos microorganismos testados, quanto à eficácia microbiológica

O fato do álcool gel ter o aspecto “melequento”, não quer dizer que não tenha a graduação de 70%. Isso está diretamente ligado ao espessante atualmente utilizado, derivado de celulose, em decorrência da Pandemia. Muitos fabricantes têm utilizado derivados de celulose para espessar suas formulações, em virtude de o mercado atual estar desabastecido de carbômeros, os quais não deixam o aspecto melequento. Um álcool gel pode ter 70% e ser “melequento”, são parâmetros que não estão diretamente ligados.

 

  1. Qual valor e segurança que o “mais barato” está agregando? Silas Macarthur

Essa é uma boa questão. Em tempos de pandemia há que se revisar a “lei de usos e costumes” em todos os aspectos, sendo uma delas a questão “Preço” x “Valor”. O que eu estou fazendo ou usando é eficaz e eficiente? Está realmente atendendo os cuidados à saúde e segurança à vida de todos? Reflitamos.

Quando utilizamos equipamentos mal dimensionados para a operação, eles certamente trarão custos desnecessários e riscos a operação.

 

  1. Como convencer os síndicos que a mecanização e acessórios profissionais geram vários benefícios, existe uma diferença de cultura enorme doméstico x profissional. Osmar Teverão – TTS

Essa é uma questão até cultural. Assim parecida como os mitos de que para limpar tem que “fazer espuma”, tem que ser “viscoso” e tem que ter “cheirinho”, o “ah, mas já fazemos assim há mais de 30 anos” e sempre foi assim, é um outro “mito”. Na verdade, se cria uma “zona de conforto”. O momento atual exige que tudo isso seja repensado. Então esse é o momento de apresentar alternativas mais eficientes e produtivas. A Abralimp e o Mercado de Limpeza Profissional têm papel fundamental na divulgação de informações sobre melhores práticas, protocolos de segurança etc, inclusive com o lançamento do Manual para Condomínios. E mudança de cultura demanda tempo e constância. Perseveremos!

A mecanização traz diversos ganhos, não somente em custos, mas também no aumento da eficiência dos processos, tornando as rotinas mais rápidas liberando os funcionários para executarem mais atividades ao longo do dia. Máquinas podem garantir a homogeneização na limpeza aumentando a eficiência.

 

Assista ao webinar na íntegra, clicando aqui!

 

Fonte: ABRALIMP – Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional.

Foto: Divulgação.