O que é preciso saber

Com o início da vacinação no país, os brasileiros passaram a respirar mais aliviados com o alento trazido pela possibilidade de imunização contra a Covid-19. Pudera. No mundo o número de vacinados ultrapassou o total de casos confirmados e isso representa um passo decisivo para o controle da pandemia.

Histórico, o momento registrado pelo rastreador do jornal inglês Financial Times mostra que 104 milhões de doses já foram aplicadas até 03 de fevereiro. O número é superior aos 103 milhões de casos confirmados.

No Brasil, até o momento, mais de dois milhões de brasileiros receberam a primeira dose da vacina. Mas o volume está aquém das metas de imunização, com o país em sétima colocação no ranking mundial de vacinação.

E com o vírus ainda em circulação é imprescindível que a população seja imunizada, além da manutenção dos protocolos sanitários recomendados pelos órgãos competentes: uso de máscara cobrindo nariz e boca; lavagem correta das mãos ou higienização com álcool 70%; distanciamento social e higienização de superfícies e ambientes para evitar a contaminação.

Mas em meio a tantas informações e incertezas, surgem dúvidas sobre as diferenças e eficácia das vacinas em utilização no Brasil. Desde que a imunização começou em meados de janeiro, o país tem distribuídos aos integrantes dos grupos prioritários doses da CoronaVac, vacina do Instituto Butantan, ou da Oxford, distribuída pela Fiocruz.

Imunidade de rebanho

E como saber a diferença entre elas e eficácia? Antes, porém, é importante entender por que é importante a imunização.

O termo imunidade de rebanho, tão difundido nos últimos meses, tinha outro significa antes da atual pandemia. Até então servia para indicar o efeito de proteção que uma população atinge graças a um alto percentual de pessoas vacinadas contra determinada doença. Desta forma, mesmo quem não era vacinado acabava ganhando proteção pelo patógeno causador da doença.

Para ficar mais fácil, um bom exemplo é a vacina contra o sarampo, que produz imunidade superior a 90%. Desta forma, com quase todo mundo já imunizado (cerca de 95% da população), o vírus praticamente desaparece e mesmo quem não pode tomar a vacina fica protegido contra a doença.

Mas com a pandemia do Sars-CoV-2 o termo ganhou outro aspecto e a imunidade de rebanho passa a ser uma ferramenta para calcular a taxa de imunidade de determinada população.

Também chamada de imunidade de grupo, a solução ajuda a determinar em qual estágio da epidemia a população se encontra. Desta forma é preciso desenvolver uma imunidade natural após o contágio.

Por fim, para o método ter eficiência, a estimativa dos cientistas é de que a taxa adequada de pessoas imunes ao coronavírus fique entre 60 e 80%. E a vacina é a principal arma para isso.

Butantan X Fiocruz

Em utilização no Brasil, as vacinas Coronavac (Instituto Butantan) e Oxford (Fundação Osvaldo Cruz – Fiocruz) foram aprovadas pela ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária) para uso emergencial e já estão sendo aplicadas na população.

A boa notícia é que a partir de agora, uma mudança na regra da Anvisa pode facilitar a autorização emergencial de vacina, graças à suspensão da realização de estudos de fase 3 no Brasil. Com isso, vacinas como a Sputinik V poderão ser utilizadas na população.

Mas quais são as principais diferenças e eficácia de cada uma?

Coronavac

Produzida pela Instituto Butantan graças à transferência de tecnologia da farmacêutica Sinovac, a Coronavac tem origem chinesa e é produzida com vírus inativado. Ou seja, o vírus é cultivado e multiplicado em cultura de células. Depois disso é inativado através de calor ou produto químico.

Assim sendo, quem recebe a vacina com o vírus (inativado) começa a gerar anticorpos para combater a doença, já que as células que respondem com a imunidade ativam os linfócitos – células capazes de combater microorganismos. Então, esses linfócitos produzem anticorpos que impedem que o vírus infecte as células do corpo.

Com eficácia geral de 50,38%, a vacina permite que os vacinados tenham 50,38% menos risco de adoecer caso contraiam Covid-19. Além disso, a Coronavac proporciona 100% de eficácia para não adoecer gravemente e 78% de eficácia na prevenção de casos leves.

Oxford/AstraZeneca

A vacina de Oxford/AstraZeneca é resultado de um acordo com a biofarmacêutica AstraZeneca para produzir no Brasil o antígeno desenvolvido pela Universidade de Oxford.

Nela é empregada uma tecnologia conhecida como vetor viral não replicante. Traduzindo: a vacina utiliza um vírus vivo como um adenovírus. Ou seja, que não tem capacidade de se replicar no corpo humano e prejudicar a saúde.

Modificado por engenharia genética para carregar instruções para a produção de uma proteína característica do coronavírus chamada espícula, este adenovírus faz com que as células passem a produzir uma proteína que é detectada pelo sistema imune do corpo. Ao encontrá-las, o próprio organismo humano cria uma proteção para combater o coronavírus.

No entanto, resultados diferentes para a eficácia foram apresentados pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford. De acordo com os cientistas, 62% de eficácia quando aplicada em duas doses completas e 90% com meia dose seguida de outra completa. Ainda segundo eles, com isso a eficácia média é de 70%.

Outras opções

Pfizer/BioNTech Tecnologia

 Com imunizantes criados a partir da replicação de sequências de RNA (ácido ribonucleico) através de engenharia genética – tecnologia chamada mRNA (ou RNA mensageiro), o imunizante da Pfizer cria uma cópia do Sars-CoV-2 que não é nociva, mas capaz de estimular uma reação nas células do sistema imunológico que cria defesa para o organismo.

Com 95% de eficácia, a vacina elaborada em parceria entre a farmacêutica e a empresa alemã BioNtech traz um grande desafio para os países: precisa ser estocada a uma temperatura de -75 graus.

Moderna Tecnologia

 Com eficácia de 94,1% a vacina Moderna também utiliza a tecnologia de RNA mensageiro que se disfarça de proteína específica do coronavírus e invade as células humanas sem ser nociva.

A partir daí também desencadeia uma reação das células do sistema imunológico que logo trata de criar defesa para o corpo humano. O antígeno precisa ser estocado a -20 graus.

Sputnik V/Instituto Gamaleya Tecnologia

A Sputnik V produzida pelo Instituto Gamaleya de Pesquisa da Rússia é uma vacina de vetor viral. Isso quer dizer que ela utiliza outros vírus manipulados previamente para que se tornem inofensivos ao organismo humano e ajam de forma a combater a Covid-19.

Desta forma, ao serem aplicados no corpo, entram nas células e fazem com que elas produzam a proteína que fica exposta nas superfícies. Esse é o alerta para o sistema imunológico, que passa a combater o coronavírus. Segundo a União Química, responsável pela vacina no Brasil, a eficácia comprovada é de 91,6%.

 

 

Fontes: https://portal.fiocruz.br https://butantan.gov.br/

Foto/Divulgação: REUTERS.