Durante entrevista Daniela Pereira, gestora comercial da Eureciclo, apontou como as empresas podem tirar proveito da iniciativa

Um dos impactos diretos da pandemia foi a mudança de hábitos. Até meados de março as empresas vinham em um movimento crescente de ações voltadas à sustentabilidade.

Pequenas iniciativas como eliminação de descartáveis como copos e talheres de plástico já faziam parte da rotina. Até que a pandemia fez com que as pessoas adotassem novos hábitos, como trabalhar em casa e voltar a usar descartáveis para se proteger da contaminação do coronavírus.

Mas como isso vem impactou o descarte de resíduos e as ações de sustentabilidade?
Daniela Pereira, gestora comercial da Eureciclo contou durante bate papo no Higiplus Entrevista como os mais diversos setores da economia – inclusive o da limpeza profissional – pode adotar medidas que minimizam os impactos ambientais e, de quebra, garantam a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva.

“No início do isolamento social foi tudo muito rápido para evitar o contágio. E nesse momento quem mais sofreu foram as cooperativas de reciclagem, que tiveram que parar de trabalhar nas fábricas e galpões por conta do coronavírus. E justamente dali que eles tiram toda a fonte de renda. Com elas paradas os resíduos não chegavam aos recicladores. Com isso, pela lógica de mercado o preço baixou”.

Segundo Daniela, da parte dos consumidores inicialmente houve maior sensibilização e redução de compras impulsivas justamente por conta do trabalho em home office. “Isso reflete no consumo consciente”.

Outro movimento citado pela entrevista foi o aumento de consumo online. “Isso é muito bom para a economia, mas não tão bom para o meio ambiente. Porém, empresas de diversos segmentos estão mais preocupadas com as embalagens e o descarte correto.

Descarte de resíduos

A preocupação do setor de limpeza – evidenciado pela pandemia – também mostra que ao menos um pedaço do mercado já está mais atento à sustentabilidade com a adoção de embalagens maiores para evitar o aumento do volume.

“Além disso, parte das empresas com as quais temos contato já estão preocupadas em mostrar ao usuário final o resultado das ações práticas que elas tomam, já que é responsabilidade de todos o descarte correto de embalagens”, destaca.

“Não existe lixo. Existe resíduo. E não existe o jogar fora – como várias campanhas já disseram. É resíduo e as pessoas irão trabalhar em cima disso e gerar renda. Mas um dado alarmante de 2018 mostra que apenas 17% dos municípios brasileiros têm acesso à coleta seletiva no Brasil”, diz a entrevistada.

Cadeia produtiva

Os catadores fazem a segregação dos tipos de material e vender a um reciclador. A partir daí o reciclador reutilizará o resíduo para produzir novos produtos. “Ao checar ao reciclador o descarte foi concluído corretamente”.

Além disso, a convidada destacou a importância de todos os integrantes da cadeia produtiva e como a logística reversa pode contribuir para que as empresas do mercado de limpeza profissional tirem proveito deste contexto para otimizar suas ações e ainda colaborar com a preservação do meio ambiente.

No passado de 3 a 5% das embalagens recicláveis eram, de fato, recicladas. “Mas especificamente na Eureciclo iremos destinar recursos para a reciclagem no estado de São Paulo de 15 mil toneladas de resíduos. Em 2019 fizemos a certificação de compensação de 90 mil toneladas. Com isso, a cadeia está crescendo e esperamos atingir os 22% de reciclagem que a legislação determina”, enfatiza.

 

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Fonte: ABRALIMP – Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional.

Foto: Divulgação.