Superfícies devem ser higienizadas com maior frequência

A pandemia tem colocado os processos de limpeza no centro das atenções, já que ainda não existe remédio ou tratamento comprovadamente eficaz para combater o coronavírus. E um ponto de destaque tem sido superfícies que podem ficar em contato com o vírus e agir como meio de transmissão.

É o caso de ambientes como escritórios e call centers, entre outros, onde é comum a utilização de forração de carpete nos pisos. Como deve ser o protocolo para conferir uma higienização que assegure um local mais saudável para os profissionais que estão retornando às atividades?

Paulo Peres, diretor da InService, empresa associada Abralimp, pontua que todos os ambientes em geral receberam um olhar especial, sobretudo pela maior preocupação com a garantia de estar em um ambiente saudável. E o emprego de novas tecnologias para atuarem como barreiras sanitárias aliadas à revisão nas freqüências de limpeza tem sido de fundamental importância.

De acordo com Paulo Jubilut, CEO da milliCare Brasil, empresa associada Abralimp, a crise sanitária levantou uma discussão necessária e postergada por fabricantes, usuários de carpetes e até pela indústria de limpeza.

“No momento em que a pandemia atingiu o país e começaram a circular notícias sobre revestimentos têxteis como agentes da proliferação do vírus e as recomendações para retirá-los, foi crucial para examinar e desmitificar uma longa lista de conceitos errôneos sobre essas coberturas para pisos que vêm sendo construída, particularmente, ao longo da última década.”, enfatiza.

Como resultado, a Abritac – Associação Brasileira das Indústrias de Tapetes e Carpetes – criou a Câmara Técnica de Revestimentos de Pisos Corporativos e Residenciais para elaborar um Guia Técnico de Manutenção e Limpeza de Tapetes, Carpetes e Capachos, com o objetivo de normatizar procedimentos de higienização e manutenção desses revestimentos. O Guia, já em fase de conclusão, será a referência da indústria, de gestores e poderá ser utilizado para a qualificação do prestador de serviços.

A iniciativa, cuja coordenação está sob responsabilidade de Paulo Jubilut, conta com a participação de fabricantes de revestimentos têxteis, arquitetos, empresas de manutenção e limpeza, de ar-condicionado, acadêmicos da USP, profissionais de engenharia e tecnologia (eTICs e IoT), especialistas em controle da qualidade ambiental interna e representantes da Abrafac e Abralimp.

“A expectativa é ganhar a confiança do consumidor e fortalecer a imagem dos produtos – carpete, tapete e capachos – comprovando que são saudáveis e amigáveis para ambientes comerciais e residenciais, desde que bem especificados e com manutenção profissional de qualidade”, explica Jubilut.

Processos

Leandro Sena, presidente da Abrahigie.

Ainda não existem estudos que comprovem o período de sobrevivência do novo coronavírus nas tramas de tapetes e carpetes. No entanto, já se sabe que em tecidos a sobrevida do vírus pode variar entre 48 horas até seis dias, permanecendo infeccioso durante todo o período.

“Podemos afirmar que os carpetes e tapetes sem cuidados diários podem ser grandes transmissores de doenças virais, pois acabam sendo contaminados pela sola de sapatos que carregam vários microorganismos para os ambientes”, explica Leandro Sena, presidente da Abrahigie (Associação Brasileira das Empresas de Higienização e Impermeabilização de Estofados).

Para proporcionar melhor eficácia nos protocolos de limpeza é recomendável a contratação de serviço especializado, com a utilização de produtos adequados, regulamentos para obtenção dos melhores resultados.

Peres lista medidas como a instalação de tapetes/capachos para conter ou isolar sujeiras; estabelecer e manter uma rotina diária de aspiração com aspiradores que contem com elemento filtrante do tipo HEPA, prever uma freqüência maior nas áreas classificadas como de alto fluxo; além da lavação profunda do carpete para remover toda a sujidade retida com frequência, preferencialmente, quadrimestral devem estar no radar.

Sena também defende que a limpeza de carpetes e tapetes seja realizada por profissionais para garantir a eficácia e a utilização de protocolos e insumos específicos. Entre os produtos regulados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e indicados para esta finalidade estão o peróxido de hidrogênio – pela eficiência na ativação de vírus e bactérias – e os que têm como base quartenário de amônio de quinta geração.

Vale lembrar que durante a pandemia a Anvisa ressalta a importância de evitar a varrição ou demais métodos que possam levantar partículas que poderão ficar em suspensão nos ambientes. “Justamente porque podem permanecer no ar partículas virais”, alerta Sena, reiterando o fato de haver resistência de vírus nas fibras têxteis.

Carpete X qualidade do ar

Paulo Peres, diretor da InService.

Peres enfatiza também que a correta higienização de superfícies acarpetadas também impacta na qualidade do ar. Desde 1982 a OMS (Organização Mundial da Saúde) destaca a relação de causa e efeito entre as condições ambientais internas de um edifício e a redução da produtividade do trabalhador.

Daí surgiu o termo “Síndrome dos Edifícios Doentes”, que resulta em agressões à saúde, ao bem-estar e ao conforto no ambiente de trabalho. O resultado é o aumento no número de pessoas com problemas respiratórios, dor de cabeça, doenças respiratórias alérgicas como rinite, entre outras.

“O ar sem qualidade em um ambiente interno, onde exista circulação de pessoas, principalmente em tempos de pandemia, pode trazer prejuízos à saúde dos colaboradores, reduzir a produtividade e, por tabela, ocasionar prejuízo ás empresas”, diz Peres.

Apesar da importância em decorrência da pandemia, o tema já vem sendo discutido há tempos pelo setor de limpeza profissional. Tanto que em um artigo técnico elaborado por Peres em parceria com o professor Luiz Fernando Góes Siqueira, da Controlbio Assessoria Técnica e Microbiológica, em 2001 já chamava a atenção para o tema.

Durante três semanas foi realizada uma pesquisa que verificou a relação entre a intervenção na aspiração e melhoria na qualidade do ar. Os testes foram realizados em ambientes fechados de escritórios acarpetados, onde foi possível comparar o desempenho de aspiradores de pó com emissão zero de partículas, bem como a influência da escovação automática.

Para obter os melhores resultados, os três estudos comparativos foram analisados nas mesmas condições de acordo com as instruções da EPA (Environmental Protection Agency), Standart Metods for Examination of Water and Waste Water, Noish, Osha (Ocupacional Safety and Helth Administration), USP (United States Pharmacopeia).

“Como resultado foi constatado um ganho significativo nos três processos utilizados, inclusive com equipamentos largamente utilizados pelo mercado de limpeza e conservação no Brasil. É importante também ressaltar que os ganhos de qualidade foram obtidos sem a intervenção nos setores primário e secundário”, relembra Peres.

Segundo ele, a melhoria significativa na qualidade ar ocorreu em decorrência da adoção de procedimentos adequados para a higienização de carpetes; condições favoráveis para a execução dos procedimentos de limpeza; mão de obra qualificada e equipamentos com tecnologia específica.

“É importante salientar que, para obtenção de resultados no dia a dia da execução dos serviços de limpeza – principalmente em tempos de pandemia – a conscientização dos ocupantes sobre a importância da limpeza para sua saúde será fundamental para obtenção de melhorias expressivas na qualidade do ar interior”, acrescenta Peres.

Higienização

Alcebíades José Caprioli, da Leccor.

Alcebíades José Caprioli, da Leccor, outra empresa associada Abralimp, conta que o processo pontual de higienização a seco de carpete deve começar pela aspiração profunda da superfície através de um extrator utilizado comumente nas higienizações dos escritórios.

“O modelo permite, inclusive, avançar sob as escrivaninhas e de forma contínua, dependendo do grau de sujidade do carpete, o técnico operacional borrifa ou não, um detergente usado para desprender a alta sujidade e aplica simultaneamente micro esponjas sobre o carpete aspirado”, explica o especialista.

“Em seguida o operador muda a função do equipamento para o processo de lavagem e, tal qual a aspiração, movimenta o aparelho por toda a extensão aspirada, fazendo com que as micro esponjas adentrem as fibras do carpete e capturem as sujeiras existentes”, ensina.

Ainda segundo ele, concluído este procedimento, o técnico reverte novamente a função da máquina para o modo aspiração, voltando, por conseguinte, ao processo inicial e, desta forma, aspirando novamente toda a extensão do carpete. “Assim as micro esponjas capturam a sujeira seca que nele ainda restava”.

Caprioli relembra ainda que, após a execução do processo, o técnico operacional vistoria todo o local trabalhado e, caso ainda haja alguma mancha oriunda de café, água, óleo ou gordura, ele a elimina aplicando sobre a mesma um pano umedecido com produto específico para remoção.

O especialista enfatiza que, além da utilização de produtos biodegradáveis, com certificações internacionais e também regulamentados na Anvisa, toda a operação não utiliza água, o que confere ainda mais sustentabilidade ao procedimento.

Desinfecção

Paulo Jubilut, CEO da milliCare Brasil.

Já para Paulo Jubilut o desafio foi criar um sistema de desinfecção de carpetes dentro da urgência do momento. “É preciso deixar claro que têxteis são superfícies porosas com exigências de produtos e aplicação diferenciados das superfícies duras para garantir a eficiência dos processos de limpeza, higienização e desinfecção. Além disso, foi preciso identificar produtos e fórmulas que não só garantisse a desinfecção como a integridade dos têxteis tratados”, relembra Jubilut.

Para tanto a companhia providenciou uma pesquisa e desenvolvimento de um novo processo que envolveu um time de químicos e técnicos em carpetes que, em quarenta e cinco dias, analisou produtos e métodos, testou e comprovou, com laudos de laboratório, a eficiência do novo sistema.

Após diversos ensaios, foi selecionado um desinfetante para uso hospitalar – certificado pela Anvisa – que reúne características antioxidantes, não corrosivas, inodoras e anti-inflamáveis.

“O processo consiste em micro aplicação do desinfetante diretamente no carpete com equipamento específico, seguido de escovação para que o produto atinja profundamente as fibras e do tempo necessário – especificado pelo fabricante – para sua ação. Após dez minutos, da finalização do processo, o ambiente está desinfetado, seco e pronto para ser utilizado”, explica o diretor da empresa.

O executivo acrescenta ainda: “o processo, portanto, difere da desinfecção de superfícies duras que exigem apenas a limpeza e aplicação do desinfetante pelo tempo necessário. Em têxteis – superfícies porosas – é necessária outra metodologia e equipamento próprio que garanta que o desinfetante seja absorvido pelas fibras. Porém é importante ressaltar que a desinfecção, como nas superfícies duras, só será eficiente mediante a higienização prévia do carpete”, conclui.

Desacarização, desinfecção e higienização

De acordo com Sena, carpetes e tapetes sem cuidados diários podem ser agentes transmissores de doenças virais. “Mas podemos afirmar que é mito ou fake news alguns noticiários que indicam que não há necessidade de contratar serviços especializados de higienização de carpetes e tapetes durante a pandemia. O risco de contaminação é possível sim e essas superfícies devem ser corretamente higienizadas”, enfatiza.

Portanto, no período da pandemia a indicação é realizar a limpeza e desinfecção de tapetes e carpetes com maior frequência – dependendo da circulação de pessoas e cuidados adotados pela limpeza local da empresa.

Para maior efetividade cuidados diários podem ser tomados. Um deles é realizar a limpeza dos solados dos calçados de quem circula por locais acarpetados. Porém, em ambientes onde haja risco de contaminação ou confirmação de casos de Covid-19 a melhor estratégia, segundo Sena, é remover os tapetes para um local isolado e solicitar o serviço profissional de desacarização (remoção de ácaros e microorganismos), desinfecção e higienização. “Uma empresa especializada realizará todos os procedimentos recomendados com o rigor e segurança necessários para obtenção dos melhores resultados”.

Já no caso de espaços acarpetados, “Também é recomendado fazer a medição do nível de proliferação de bactérias nas áreas de circulação com possibilidade contaminação para assegurar um ambiente com maior prevenção”, finaliza.

Demanda

Segundo Caprioli, ao contrário do que se imagina, houve redução na demanda pelo serviço de higienização de carpete durante a pandemia, até porque quase que a totalidade das empresas passou a operar em home office.

“Na visão das empresas não havia necessidade deste procedimento. Mas já estamos observando a tendência de retorno aos ambientes corporativos e isso envolverá não somente os protocolos de distanciamento, higienização e desinfecção de superfícies, como também incluirá estes mesmos procedimentos aos carpetes e estofados em geral, até porque a segurança e saúde dos usuários dos espaços está e estará sempre em primeiro lugar.”, diz.

Para Jubilut, a constatação da demanda pelo serviço de limpeza de carpetes no período da pandemia também foi a mesma. “Com o fechamento ou redução dos espaços corporativos, comerciais e públicos, houve estagnação na demanda por serviços de higienização nos primeiros meses da pandemia. Na retomada, a demanda começa a se reequilibrar”.

Mas há perspectivas promissoras. “Neste momento, outro segmento que começa demandar com mais intensidade serviços de higienização de carpetes e têxteis é o de hotelaria que está consciente que agora o hospede priorizará a biossegurança acima de qualquer conforto”.

 

 

Fonte: ABRALIMP

Foto/Divulgação: ABRALIMP.