Redes associadas à Abralimp contam como têm atravessado o momento e suas expectativas para a nova realidade.

Da esquerda para direita: serviços prestados pela Jani King do Brasil, Limpidus e Jan Pro.

Apesar de a pandemia ter imposto sérios riscos à economia, o setor de limpeza e conservação viu na crise uma oportunidade de negócios – não sem enfrentar dificuldades – mas com boas perspectivas futuras. É o que indicam associados Abralimp que operam no sistema de franchising.

De acordo com pesquisa realizada pela ABF (Associação Brasileira de Franchising), somente no mês de abril o desempenho do setor de franquias no Brasil registrou queda no faturamento das redes de mais de 48% devido a Covid-19. Entre os segmentos mais afetados figuram Turismo, Entretenimento, Alimentação e Saúde, Beleza e Bem-Estar.

O estudo realizado apontou ainda que 0,5% das franquias encerraram definitivamente suas atividades em decorrência da pandemia. Mas, para os especialistas da área, as taxas são menores do que as registradas em negócios isolados.

Redes como a Jani King, por exemplo, buscaram fazer o melhor em higienização de ambientes no período com o emprego das melhores práticas aliadas à tecnologia e alta performance.

A Limpidus foi outra que enxergou na crise uma oportunidade: a demanda por serviços de desinfecção de ambientes e limpeza pós-obra. A expertise advinda da presença em mais de 10 países – inclusive na Ásia – também colaborou para a antecipação da crise.

“Compartilhamos experiências e conseguimos nos adiantar. Quando a quarentena iniciou por aqui já tínhamos protocolos de desinfecção definidos e, inclusive, um vídeo de treinamento pronto, além de equipamentos e estoque de produtos saneantes sem similar no Brasil – os mesmos utilizados em Wuhan, na China, revela o diretor Fernando Sodré.

Renato Ticoulat, da Jan Pro, também é assertivo. De março até agora a demanda da rede aumentou em 300%. “Perdemos 40% dos clientes e contratos ficaram suspensos, mas mesmo assim conseguimos bater um faturamento total 35% superior ao ano passado”, comemora. A projeção é encerrar 2020 com um crescimento de 100%.

E o crédito da façanha se deve, em grande parte, à procura pelo serviço de desinfecção da rede, que utiliza um método exclusivo. Além da modalidade disponível para escritórios, clínicas, restaurantes e comércio em geral, a rede criou, em parceria com a rede DryWash, o serviço de desinfecção de veículos.

Mas para ele a principal oportunidade em meio à pandemia é demonstrar o quão é importante a limpeza para a saúde. “A pandemia realizou em quatro meses uma transformação no mercado de limpeza que eu defendo há 20 anos e a Abralimp defende desde a sua criação”.

Christian Rojas, CEO da marca Jani King do Brasil explica que o efeito da pandemia resulta na busca por segurança ambiental e espaços limpos. “Aquilo que antes poderia ser feito por qualquer um e de qualquer jeito, hoje precisa ser profissional. E o público está conseguindo distinguir essa diferença e escolher o que realmente possa dar o conforto de um ambiente limpo e higienizado”

Rojas relembra que na Jani King foram detectados dois estágios na pandemia: o primeiro de retração de serviços, porque as pessoas se voltaram ao home office e o segundo – e atual – com as pessoas retomando gradualmente as atividades e enxergando a necessidade maior do cuidado com higiene e desinfecção de ambientes.

Ticoulat, da Jan Pro, segue a mesma linha e diz que, “se antes as pessoas enxergavam a limpeza como pura e simplesmente estética, hoje entendem que é um processo necessário para evitar doenças – não só a Covid-19”.

Efeito home office

Christian Rojas, da Jani King do Brasil.

A pandemia trouxe uma significativa mudança para as relações de trabalho. Imposto às pressas como medida de isolamento e distanciamento social para evitar o contágio do novo coronavírus, o teletrabalho se mostrou eficaz e, para a grande maioria dos gestores e empresários, o saldo é bastante positivo.

Tanto que grandes companhias já anunciaram a adoção da modalidade de trabalho remoto em definitivo, como no caso das gigantes de tecnologia Facebook e Twitter, XP Investimentos e Banco do Brasil já anunciaram seus planos para adesão total ou voluntária ao modelo a partir de 2021.

Um estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) mostra que o número de empresas que pretende adotar o home office em definitivo quando a poeira baixar deve crescer 30%. Tal medida é apontada por analistas econômicos como forma de impulsionar a economia no pós-pandemia com a criação de novos postos de trabalho.

Já outra pesquisa realizada com 1566 profissionais em home office pela FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo) em parceria com a FIA (Fundação Instituto de Administração) mostra altos níveis de satisfação e impacto positivo com a modalidade teletrabalho. 70% dos entrevistados responderam que gostariam de continuar trabalhando no sistema após a pandemia.

A adesão ao trabalho home office também impacta diretamente nos espaços corporativos, que deverão ser reconfigurados e modernizados. Entre as possíveis mudanças estão a redução das estações de trabalho e a criação de salas interativas para reunião, além de espaços de convivência.

Toda essa demanda não passou despercebida pelas redes especializadas em limpeza profissional. “Criamos um projeto especial de limpeza residencial para que empresas ofereçam aos seus colaboradores em home office como benefício”, conta Ticoulat.

“Afinal de contas, esses profissionais não podem perder tempo arrumando a casa e lavando a louça”, diz o diretor que acrescenta ainda: “Acreditamos que o home office será cada vez mais a realidade de trabalho, mesmo quando a pandemia acabar.

Ticoulat destaca que o espaço por m² que uma pessoa ocupa no Brasil deve aumentar. “A média brasileira é de 7 m², mas já foi 10 há 10 anos. Nos EUA é de 24 m² e na Europa de 12 m². Então não acredito numa diminuição no tamanho dos escritórios como estão falando. Eu costumo dizer que limpeza é como água, cabe em qualquer garrafa. Agora a garrafa de escritórios terá outro formato, mas continuará!

Segundo Sodré, a Limpidus está sendo consultada por alguns clientes para executar serviços em home office. “Estamos analisando a melhor forma de atender essa demanda sem nos afastarmos de nosso core business que é a limpeza corporativa”. Porém a cautela ainda dá a tônica.

“Não acreditamos em uma debandada geral para o home office, pois as experiências conhecidas mostram que isso pode não funcionar e trazer problemas no médio e longo prazo. Mas haverá, com certeza, flexibilidade para algumas funções em alguns dias da semana”.

Segundo o diretor também haverá maior distanciamento nos escritórios. “Então precisamos ver como isso ocorrerá e, na medida em que as coisas forem se ajustando, o quanto isso impactará efetivamente nos horários de expediente e espaços ocupados”.

Sodré relembra que a rede já atua há anos dentro de índices de produtividade muito altos, com efetivos muito reduzidos, “Esse é o nosso formato de negócio, uma vez que não vendemos “cabeças”, mas “serviços”, por isso, tirando a área de varejo e hotelaria onde o impacto será maior, não esperamos grandes reduções nos efetivos”, conclui.

Rojas, da Jani King, pontua ainda que a rede foi a responsável por introduzir serviços pay per use em condomínios onde já atua nas áreas comuns. “E com o advento do trabalho home office estamos operando com um aumento considerável de serviços dedicados à limpeza e desinfecção domiciliares, já que esses espaços se tornaram os novos escritórios dos executivos.”

Franqueados

Renato Ticoulat, da Jan Pro.

Quesitos como a valorização da qualidade dos serviços prestados, utilização de produtos realmente eficazes, protocolos adequados e a preocupação com a saúde de usuários e visitantes passaram a figurar no radar de gestores e lideranças. “Os CEOs em geral passaram a olhar de perto a limpeza, questionando processos e aspectos da limpeza, antes vistos apenas pelos facilities”, pondera Sodré.

Tanto que a rede já registra desde maio aumento na procura por candidatos a franqueados. “Essa procura se intensificou em muitos casos devido a demissões que ocorreram, mais exigências nas contratações e o fato das franquias de limpeza serem de baixo investimento inicial”, explica.

Porém isso não afeta os objetivos de expansão da rede. “Pelo contrário, esperamos neste retorno uma exigência maior em termos de eficiência, produtividade e capacidade de gestão por parte dos franqueados. E isso impactará em nosso processo de seleção de novos franqueados não apenas no Brasil, mas em todos os países onde operamos”, reforça.

Mas no caso da Limpidus, especificamente, não se vislumbra a venda de unidades franqueadas. “Não enxergamos o momento atual como uma oportunidade para vender mais franquias até porque nunca tivemos essa dificuldade, devido o investimento ser muito baixo. Somos uma empresa de limpeza que atua por franquias”, esclarece o diretor.

Sodré relembra que a rede vende somente as franquias necessárias para atender o crescimento de contratos previstos, independente da procura de novos empreendedores. “Nós temos um plano de expansão já definido em termos de quantas franquias queremos vender, em quais regiões, em quais países queremos entrar, quando e como. Hoje estamos no Brasil, Estados Unidos, Chile, Argentina, Peru, Colômbia, Panamá, México, Costa Rica e Índia. E até o final do ano devemos implantar a primeira franquia na Austrália”, revela.

Na Jan Pro, ao contrário, houve um aumento na procura por novas franquias desde março. “Vendemos 44 novas unidades, além de novos escritórios regionais, que atendem a demandas maiores. Acredito que a procura está em alta nesse momento por conta da maior preocupação das pessoas em relação à limpeza, principalmente como fator de saúde e não apenas estética”, disse Ticoulat.

Rojas conta que na Jani King houve registro de procura por parte de candidatos a franqueado, mas em função do adiamento da retomada muitos ainda estão analisando como o mercado reagirá no pós-pandemia, para, de fato, assinarem o contrato de franquia.

“A pandemia afetou todos os setores, inclusive o de franquias. E as pessoas estão segurando seus investimentos diante do momento de incerteza”, acrescentou. Mas o executivo pontua que a nova realidade mostra que todos os setores passam por dificuldades. “Porém, o segmento de higiene e limpeza é essencial. As oportunidades estão cada vez mais abertas a quem deseja fazer um trabalho profissional e sério”, reforça.

Novos paradigmas

Fernando Sodré, da Limpidus.

“O momento é de aplicar o que melhor se faz e também de se reinventar, de buscar oportunidades e demandas. Mais do que nunca o mercado de limpeza profissional deve se mostrar forte e unido”, diz Rojas.

Para ele o segmento dispõe de várias frentes para trabalho em conjunto. “O crescimento e o fortalecimento diante desse novo ambiente servirá para evoluir e elevar o conceito de limpeza a um novo patamar. O foco é não apenas tirar o pó, a sujidade exposta, mas garantir a higienização e a qualidade do ambiente para aqueles que frequentam ou se utilizam dele”, declara.

Sodré também faz coro e lembra que, sem dúvida, a limpeza passou a ser vista com mais valor. “Com a atenção que deve ter, cujo objetivo principal é garantir ambientes saudáveis e seguros para as pessoas”. Para ele todos os segmentos foram atingidos em maior ou menor grau com a pandemia. “Porém, no caso das franquias de limpeza em particular, por serem geralmente mais enxutas, possuem maior agilidade e capacidade de adaptação em momentos de crise.”

Com a tendência do aumento do franchising no mercado brasileiro Ticoulat aponta boas perspectivas para o setor: “A pandemia veio consolidar e estimular o que já estava começando a acontecer, que era orçar por serviço privilegiando a produtividade, quebrando paradigmas e fazendo o Brasil se adaptar ao que já existe no mundo afora”, finaliza.

 

 

Fontes e Fotos:

www.limpidus.com.br

www.jan-pro.com.br

www.janikingbrasil.com.br