Bruna Ribeiro de Souza, auxiliar de limpeza sendo vacinada no Instituto Butantan.

A pandemia do novo coronavírus nos trouxe uma série de lições valiosas sobre reconhecimento e valorização de profissões que, muitas vezes, passam despercebidas no cotidiano das grandes cidades. Um desses casos é o dos profissionais de limpeza, em muitos momentos esquecidos, quase invisíveis. Esses trabalhadores têm uma atuação fundamental em qualquer sociedade, mas o reconhecimento da categoria é ainda mais valioso quando o mundo passa por uma pandemia. A Covid-19 colocou esse tipo de trabalho em uma nova e merecida perspectiva.

Como é significativo e gratificante ver esse novo olhar se espalhando pelo Brasil a cada vez que uma dose da vacina é aplicada em um trabalhador do setor de limpeza. Esses profissionais estão atuando incansavelmente desde o início da pandemia no combate à disseminação da Covid-19. Nos hospitais, são eles que proporcionam a higienização tão necessária para garantir as melhores condições sanitárias ao ambiente, aos leitos e aos espaços frequentados por tantos pacientes e familiares. Afinal, a desinfecção de superfícies, ambientes e objetos é uma das poucas armas que estão à disposição para buscar uma desaceleração do contágio. Assim como seus colegas da saúde, eles encaram plantões que avançam por dias e noites em nome de uma missão.

Bons exemplos não faltam para acelerar esse processo de valorização e reconhecimento. É o caso da encarregada de limpeza Neura Cordeiro Barbosa, que atua no Hospital do Trabalhador, em Curitiba. Essa profissional, que trabalha há quase dois anos na instituição, foi uma das primeiras pessoas a receber a vacina no Paraná, assim que as primeiras doses foram disponibilizadas pela Secretaria de Saúde. Neura, tal como inúmeros colegas, está atuando junto aos profissionais da saúde da linha de frente, em contato direto com pessoas contaminadas pela Covid-19 e também com médicos, enfermeiros e outros agentes com grande potencial de infecção. Vaciná-la, portanto, é um ato simbólico muito importante para que a sociedade compreenda o quanto os trabalhadores da limpeza, asseio e conservação são essenciais para o enfrentamento ao novo coronavírus.

Mas, embora neste momento isso seja evidente, não é apenas durante uma pandemia – e não é apenas dentro dos hospitais e unidades de saúde – que esses profissionais se mostram  parte fundamental do cotidiano das sociedades contemporâneas. A limpeza e desinfecção correta dos ambientes é indispensável para todos nós, em todos os momentos. Do escritório ao hotel, do shopping ao salão de beleza, todos somos beneficiados quando os espaços de convivência e circulação coletiva são corretamente higienizados e desinfetados.

E, ao contrário do que muitos ainda pensam, ninguém nasce sabendo limpar. Essa é uma crença ultrapassada que precisa ser combatida para o bem comum. Assim como acontece em qualquer área de atuação profissional, é preciso ter treinamento para realizar os procedimentos corretos de limpeza e higienização. Para que os ambientes realmente fiquem livres de contaminação, é necessário aplicar técnicas específicas, utilizando os equipamentos adequados. Além disso, os produtos também precisam ser escolhidos com a finalidade correta e sua utilização deve ser feita nas quantidades e diluições específicas para tal finalidade. Por isso, só quem pode realizar esse trabalho com excelência são os especialistas em limpeza, profissionais devidamente capacitados para essa função.

Não à toa o serviço prestado por esses profissionais foi, em 2020, reconhecido como serviço essencial no Brasil. A iniciativa de proteger a saúde dessas pessoas valorosas é louvável e precisa se expandir, no momento adequado, para os profissionais de limpeza que atuam fora do ambiente hospitalar. Aqueles que estão, há quase um ano, garantindo o funcionamento dos mais variados negócios de uma forma mais segura para todos. Sem sua dedicação, sua técnica apurada e seu esforço constante, não seria possível manter nem mesmo as atividades mais básicas, como ir ao supermercado, à farmácia ou à padaria. Esses trabalhadores também não pararam um só dia, garantindo nosso bem-estar e nos possibilitando estar em ambientes mais seguros e  saudáveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Cássia Almeida – Superintendente executiva da Fundação de Asseio e Conservação, Serviços Especializados e Facilities – FACOP.

Foto/Divulgação: Alexandre de Paulo/ADPhoto/SIEMACO-SP.