O que deve ser feito para que usuários possam desfrutar de momentos de lazer sem receio do coronavírus

Apesar das restrições impostas pela pandemia, as piscinas de condomínios residenciais estão – na maioria dos casos – liberadas para utilização. Mas como fica a questão da limpeza para que os usuários fiquem tranquilos e possam desfrutar de momentos de lazer sem a preocupação com o coronavírus?

Para os especialistas a manutenção das piscinas não sofreu alterações motivadas pela Covid-19 e deve ser realizada sempre que houver utilização. “Quando não, ao menos uma vez a cada dois dias para piscinas residenciais (menores) ou diariamente em piscinas de condomínios”, esclarece João Marques Junior, consultor da ANAPP (Associação Nacional das Empresas e Profissionais de Piscinas).

João Marques Junior.

“É claro que, com a presença de mais usuários, os cuidados são necessários devendo direcionar uma maior atenção aos equipamentos localizados na área externa, como, por exemplo, as espreguiçadeiras e cadeiras.”, explica.

Marques Junior acrescenta que para a higienização ocorrer de forma adequada são necessárias duas etapas: limpeza física e química. Na primeira devem ser retiradas – com equipamentos próprios para a finalidade, como rede coletora, escova, aspirador etc. – folhas, galhos, insetos e impurezas trazidas pelo vento que ficam boiando na água e o sistema de filtração da piscina também deve ser acionado.

Já na limpeza química os parâmetros da água como alcalinidade, pH, cloro e dureza cálcica devem ser analisados através de medições. “O profissional deve determinar a quantidade e tipos de produtos que serão utilizados para as correções e restabelecimento da qualidade, lembrando que químicos devem ser utilizados observando-se atentamente as instruções do fabricante, como exemplo, o cloro que nunca deve ser misturado a outros produtos, já que os acidentes acontecem nesta etapa”, enfatiza o consultor.

Ainda segundo ele, para a obtenção de melhores resultados é importante adicionar os produtos conforme a quantidade verificada pelo profissional. “Um a um em todo o entorno da piscina e sempre com o sistema de filtração em funcionamento para auxiliar na dispersão e homogeneização dos produtos.”, recomenda. “Após o procedimento, e respeitando o período de acordo com o produto utilizado, o profissional poderá liberar a entrada de usuários”.

O especialista também lembra que cada fabricante determina um período para a liberação de uso conforme as quantidades de produto utilizadas. “Existem o que chamamos de tratamentos alternativos da água, que empregam equipamentos e sistemas automáticos como ozônio, ionização, gerador de cloro (eletrólise), que são extremamente úteis para a higienização da piscina”, indica.

De acordo com ele, essas soluções trabalham em conjunto com o sistema de filtração. “Conforme a água da piscina é filtrada os equipamentos são acionados mantendo constante a ação dos sanitizantes. No entanto, mesmo em piscinas tratadas por sistemas alternativos, o cloro é um oxidante que sempre deve estar presente na água”, reitera.

Coronavírus

Petherson Del-se-ch Santos.

Petherson Del-se-ch Santos, responsável técnico na ATcllor, empresa especializada na fabricação de produtos saneantes para limpeza e tratamento de água, alguns cuidados são imprescindíveis para que os usuários desfrutem de uma piscina corretamente higienizada.

Um deles é a manutenção do cloro entre 1 a 3 ppm para desinfecção. “Além disso, devem ser utilizados algicidas de manutenção para evitar a proliferação de algas, além do controle manutenção do pH e alcalinidade para que os banhistas não sofram nenhum tipo de malefício à saúde”, explica.

Verificação e ajuste – se necessários – da alcalinidade de 80 a 120 ppm e do pH de 7,2 a 7,8 devem ser feitas com frequência. “Caso haja alguma turbidez na água, a indicação é proceder com a clarificação e utilização de algicida de choque ou manutenção. Por fim, a cloração mantendo o teor de cloro entre 1 a 3 ppm”, ensina o técnico.

Mas a dúvida que paira em tempos de coronavírus é a necessidade de acrescentar algum procedimento extra para combater a Covid-19. “Não”, enfatiza Santos, que completa: “a cloração se mostrou eficaz na desinfecção frente ao vírus”.

Marques Junior da ANAPP relembra que como o cloro presente na água combate e elimina o coronavírus, a orientação principal a ser reforçada é evitar aglomeração na área da piscina.

Todavia as bordas também devem passar por procedimentos de limpeza com o emprego de produto específico que remove gorduras, oleosidades e demais sujeiras que ficam incrustadas.

“Quanto ao entorno, deve ser feita a limpeza com o mesmo produto para remoção de sujidade e, logo após, lavar com cloro na concentração de 1 ppm para garantir maior desinfecção”, explica o técnico da ATcllor.

Por isso, a orientação é que todo o profissional de piscina siga as normas vigentes, como a NBR 10.818:2016 e 10339:2018 que estabelecem diversos parâmetros, critérios e ações necessárias para a qualidade a água, das instalações e dos protocolos que devem ser seguidos.

Além disso, diversas empresas do setor oferecem cursos para capacitar os profissionais. Já a ANAPP disponibiliza diversas informações sobre cuidados com piscinas em www.anapp.org.br, além do curso online Tratamento de Piscinas – CTP ANAPP, dividido em 10 capítulos.

Piscina no home office

Marques Junior observa que, até mesmo em virtude do home office trazido pela pandemia, muita gente passou a realizar a tarefa de limpar a piscina. “Mas, em algum momento, se faz necessária a presença de um profissional capacitado para a orientação e resolução de problemas que possam surgir”, explica.

Ele acrescenta que no verão são comuns as chuvas no período da tarde, o que pode fazer com que a piscina apresente formação de algas que resultam em perda do equilíbrio (balanceamento da água). “Nestes casos é importante ter a atenção de um profissional”.

Além disso, esta época do ano também demanda cuidados extras com os casos de dengue, chicungunha e zika vírus. “Nossas atenções devem ser direcionadas para manter a água da piscina sempre tratada”, finaliza o consultor.

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.