A revista Higiplus traz um compilado com os principais parâmetros e diretrizes adotados pelas empresas chinesas de Limpeza na proteção a seus colaboradores

Embora a China conte com mais de 1,4 bilhões de habitantes, e ainda exista a preocupação com uma segunda onda do coronavírus, é fato que o país venceu. E isso se deve, entre outros, ao fato de zelar de maneira exemplar pelos profissionais envolvidos na linha de frente durante a pandemia.

O mercado de Limpeza Profissional chinês desenvolveu uma série de documentos com parâmetros e diretrizes para a proteção de seus trabalhadores, mas que servem também a escritórios, supermercados, hospitais ou qualquer outro ambiente onde haja concentração de pessoas – e poder aprender com eles é um privilégio.

Por isso, a revista Higiplus preparou um compilado com os principais procedimentos técnicos dos projetos de desinfecção, controle e prevenção epidêmica chineses, recebidos de limpadoras e parceiros da cidade de Wuhan.

O olhar atento às equipes de limpeza e o compartilhamento destes conhecimentos são armas importantes para o mercado brasileiro se defender da melhor maneira possível da Covid-19.

Confira abaixo as principais normas e procedimentos chineses:

Plano de prevenção epidêmica:

Toda empresa de higienização deve contar com um comitê ou equipe de prevenção epidêmica em nível empresarial, responsável pela comunicação e orientação dos trabalhos de prevenção e dos planos de ação para o caso de surtos, se possível com linha direta de atendimento aos colaboradores.

Treinamentos de prevenção:

Elabore treinamentos constantes com os funcionários para fortalecer a conscientização sobre autoproteção, sobre a lavagem correta das mãos, o uso e descarte correto de máscaras, bem como o todo processo de desinfecção de superfícies e ambientes, diferenças entre limpeza e desinfecção, produtos, frequência etc. Também expanda a propaganda, por meio de folhetos, vídeos ou circulação de avisos em meios como aplicativos de mensagens diretas.

Proteção de funcionários:

Providencie para que os funcionários lavem as mãos, troquem de roupa, usem máscaras e equipamentos de proteção relacionados, e que somente saiam do trabalho e voltem para casa após verificar sua temperatura corporal. Durante a epidemia, a intensidade do trabalho do pessoal da limpeza deve ser controlada, a fim de evitar fadiga por excesso de trabalho.

Gerenciamento do fluxo de pessoas:

Procure fazer a medição de temperatura de todos os colaboradores com termômetro portátil na entrada e saída dos turnos, incluindo proprietários e visitantes, fazendo o registro dessas medições. Ao detectar febre, relate imediatamente ao comitê de gestão epidêmica para as devidas providências. Mantenha também um registro diário de todos que entram ou saem de sua empresa.

Gerenciamento interno de escritórios:

Fortaleça o registro de entrada e saída de pessoas, e desative temporariamente registros por impressões digitais. Estabeleça equipamentos e suprimentos adequados para limpeza das mãos, como sabão líquido, álcool em gel e outros. A equipe de higienização deve ser treinada para se responsabilizar pela correta desinfecção das áreas de trabalho, elevadores, banheiros, lavatórios, corrimãos, botões de elevador, maçanetas e outras superfícies de grande volume de contato. É preciso aumentar adequadamente também a frequência das desinfecções nestes locais. Reduza as atividades coletivas e encontros dos funcionários, e instrua os funcionários a adotarem de maneira ordenada o uso de corredores, elevadores, escadas e áreas comuns, mantendo o espaçamento adequado e não parando para conversar com outras pessoas nestes locais.

Ventilação dos ambientes:

Mantenha todos os ambientes de trabalho bem ventilados. Quando as condições permitirem, é preferível a ventilação natural. Limpe completamente as aberturas de ventilação de saguão e outros locais, e ligue ventiladores diariamente para ventilar os ambientes, inclusive em espaços fechados como garagens. Durante a epidemia, o uso de aparelhos de ar condicionado é proibido para evitar a infecção cruzada, e passagens de ar de retorno devem ser fechadas quando os aparelhos de ar condicionado não forem usados.

Colaboradores afastados ou em férias:

Para os funcionários que estiveram de férias, ou afastados por fazer parte de grupo de risco, é necessário um feedback constante sobre sua condição física. Em relação aos que estão retornando de férias para as atividades, entenda com antecedência suas condições físicas, a fim de eliminar os perigos ocultos da epidemia.

Gerenciamento de suprimentos:

Faça um controle rigoroso dos materiais e insumos necessários à prevenção epidêmica: desinfetantes, máscaras, termômetros, sabão líquido, álcool em gel e luvas de borracha. Obedeça aos requisitos governamentais para distribuição deste material para que todo colaborador esteja protegido.

Utilização de EPI´s:

Todo profissional de limpeza deve usar roupas e EPI´s adequados ao seu local de trabalho, o que pode incluir roupas à prova d’água, botas de chuva compridas, máscaras de proteção, luvas, sabão líquido para as mãos (ou desinfetante como álcool em gel) e/ou outros desinfetantes à base de cloro. É necessário a equipe para realizar a desinfecção completa dos EPI´s após cada trabalho. No caso das máscaras, colaboradores alocados em hospitais (sejam fixos, de campanha ou locais com concentração de casos suspeitos) devem usar máscara de proteção contra partículas que atendam às normas N95/KN95 ou acima. Equipes de limpeza em demais ambientes devem usar máscaras descartáveis comuns. Já as luvas devem ser de látex.

Autodesinfecção:

A autolimpeza e desinfecção devem ser realizadas após cada operação de trabalho. A empresa deve equipar os colaboradores da limpeza com álcool em gel a 75%, pulverizador, sabão em líquido para as mãos e outros produtos de descontaminação. Vestiários especiais devem ser estabelecidos a fim de facilitar a limpeza e desinfecção centralizada de roupas de trabalho reutilizáveis, sapatos de borracha, luvas e óculos de proteção.

Gerenciamento de descarte de máscaras e outros lixos:

As máscaras usadas por trabalhadores da limpeza em hospitais, áreas epidêmicas e áreas de isolamento devem ser descartadas, e colocadas diretamente em recipientes de lixo hospitalar para descarte correto. Para as máscaras comuns, disponibilize recipientes de coleta nos ambientes de trabalho ou escritórios, marcados com a inscrição “uso especial para máscaras descartadas”, com o objetivo de coletar resíduos perigosos especiais. A parte interna deste coletor deve ser forrada com sacos plásticos para evitar o contato direto entre máscaras e recipiente. No caso de lixo comum, reforce o gerenciamento da classificação e a limpeza das lixeiras, e realize regularmente, em tempo útil, sua desinfecção, coleta e remoção.

 

A Abralimp reforça que todas as diretrizes citadas foram adotadas por empresas chinesas de Limpeza Profissional e que qualquer norma a ser aplicada no Brasil deve seguir as orientações dos órgãos locais. A Abralimp segue com o compromisso de compartilhar informações recebidas dos países que já enfrentaram momentos mais graves da pandemia, a fim de que toda informação útil possa chegar aos seus associados e ao mercado como um todo.

 

 

Fontes: Diretrizes para os Processos de Desinfecção, Prevenção e Controle das Empresas de Gestão de Propriedades em Relação ao Covid-19; Diretrizes do Serviço das Instalações dos Hospitais de Cabine Móvel de Prevenção Epidêmica da Associação de Normalização de Wuhan; Manual de Instruções de Proteção contra o Surto da Hubei Xinxingjie Environmental Technology Co., Ltd.

Foto: Divulgação.