Fátima Sousa, CEO da FS Educa, fala sobre a importância dos profissionais de Facility Management neste World FM Day 2022 e destaca necessidade de capacitação

Facility Management: Fátima Sousa / Divulgação

A área de Facility Management ganha destaque no cenário atual e a importância de seus profissionais é celebrada nesta quarta-feira (11/5), World FM Day.

Sem dúvida, a pandemia acelerou o processo de desenvolvimento do setor e, embora impôs urgências, mostrou a importância do conhecimento para prestar serviços adequados e com qualidade. Mais ainda, evidenciou a necessidade de reconhecer e valorizar os profissionais de FM, que enfrentaram uma situação inesperada e buscaram informações e suporte para realizar as atividades no contexto do momento, relata Fátima Sousa, CEO da FS Educa.

Para falar sobre a importância desses profissionais e sobre como o setor de FM se encontra no Brasil, a Revista Higiplus entrevistou a executiva que tem um trabalho reconhecido na educação e treinamento de profissionais de Facility Management.

Fátima é formada em Administração de Empresas e Ciências Contábeis, com MBA em Finanças, Comunicação e Relações com Investidores. Pós-graduanda em Gerontologia, é mentora de startups, empresarial e individual e palestrante. Com mais de 20 anos de experiência em Compras, Suprimentos, Projetos e Facility Management, foi a primeira mulher a gerenciar um prédio no Unibanco. Na área de Educação, é reconhecida como a primeira mulher a empreender em educação para FM no País.

Qual a sua visão sobre as necessidades e urgências para o pleno desenvolvimento do mercado de Facility Management?

Em primeiro lugar está a valorização da profissão, ou seja, ter um profissional capacitado, reconhecido e com melhores condições salariais. O segundo ponto é ter a união das instituições em geral. Temos muitos grupos, associações e empresas do segmento que devem ser unidos para conquistar mais para todos. Vejo a necessidade de concentrar esforços para promover ações com maior poder de difusão de informação e conhecimento.

Com a pandemia, a atenção para a limpeza profissional esteve e continua em foco. Pode nos contar como isso muda o setor? E do lado da preparação profissional, houve uma maior demanda por especialização?

A limpeza foi primordial nesse período. Do meu ponto de vista, houve uma grande valorização dos profissionais que atuam no segmento. Médicos e enfermeiros foram aplaudidos, mas os funcionários da limpeza também deveriam ter sido, pois estavam lá no front enfrentando uma série de incertezas. Houve uma grande demanda por conhecimento, mas não vi por especialização, infelizmente. O que observei foi muita gente querendo conhecimento de alta qualidade de graça ou a custos muito baixos e, infelizmente, não são todas as organizações que conseguem disseminar conhecimento como uma ação social.

Podemos afirmar que educação e treinamentos são elementos para transformar o setor?

Com certeza. Muitos profissionais que atuam no mercado de Facility Management fazem nossos cursos e acabam conseguindo que suas empresas invistam em mais treinamentos, pois viram os resultados. O importante é aplicar na prática a teoria aprendida.

Qual o principal desafio ou preocupação para formar profissionais qualificados para esse mercado?

Disponibilizar tempo e recursos. Tempo, porque os profissionais se dedicam quase 90% para a atuação operacional e alguns líderes não enxergam a importância de eles se tornarem mais táticos e estratégicos. Já no caso de recursos, vejo poucas empresas preocupadas em provisionar uma verba no orçamento para treinar suas pessoas de FM. Não é fácil colocar alunos em sala de aula.

Essa diferença entre operacional e estratégico prejudica de que forma o setor?

Veja, se a maior parte do tempo o profissional de FM está dedicado ao que acontece, sem administrar o tempo para ter uma atuação tática e estratégica, o planejamento fica comprometido. É preciso traçar metas, fazer o plano diretor para que essas metas possam ser inseridas em orçamento. Saber administrar fora do operacional é pensar adiante.

Cumprir com normas de qualidade e compliance é um dos pontos de atenção dos gestores. Como administrar a questão num ambiente em constante transformação?

Qualidade, compliance e segurança, em minha opinião, devem ser os principais pilares de uma organização, independentemente se o período está em mudança ou não. Por isso, os gestores devem se manter firmes e contribuir para que esses valores sejam cumpridos.

O brasileiro já ganhou a consciência de que a qualidade dos serviços é melhorada pela contratação de FM?

Ainda não. Temos um grande trabalho pela frente. Quando falamos em multinacionais, o conceito de qualidade está mais enraizado, mas ainda vemos muitas empresas grandes, muito grandes, com processos mal elaborados e sem padronização. É preciso entender que o FM é para todos. Há empresas grandes, com várias unidades para a gestão dos Facilities e, da mesma forma, as empresas pequenas e médias precisam contar com os profissionais para a área. Muitos até desempenham a função sem saber o nome que ela tem. É preciso capacitar para poder desempenhar com maior excelência as atividades.

Como engajar as pessoas aos objetivos de FM?

Informar sempre. A partir do momento em que as pessoas conhecem melhor um assunto, passam a aceitar, defender, disseminar e a se envolverem mais.

O World FM Day 2022 traz o tema da sustentabilidade. Como avalia o estágio das empresas em relação ao ESG na área de Facility Management, aqui no Brasil?

Já temos grandes exemplos apresentados em eventos como da Infra, Abrafac, Abralimp e outros. No entanto, vejo que ainda temos muito o que fazer. A adesão ao Pacto Global da ONU, para atingir os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, e a aplicação de uma pauta sobre ESG nas rodas de conversa são movimentos para desenvolvermos cada vez mais o tema no País.

A aplicação desses 17 objetivos está avançada no Brasil?

O Brasil tem muita coisa para fazer nesse sentido. Falta informação. Muitos continuam com a ideia fixa de que ESG (práticas ambientais, sociais e de governança) é para dar visibilidade. A partir do conhecimento desses objetivos e num momento em que todas as empresas, grandes e pequenas, aderirem a esse compromisso teremos muita diferença no cenário. Saber sobre os objetivos, quantos e como são praticados é a maneira de a empresa evoluir. É fundamental ter em mente como eu, na função FM, posso contribuir.


Encontro Nacional de Facility Management

Neste ano, de 9 a 11 de agosto, no Expo São Paulo, paralelamente à Higiexpo, será realizado o IV Encontro Nacional de Facility Management e o Fórum Nacional de FM, com conteúdo premium e palestrantes de diversos países.

O evento também contará com a Área do Conhecimento FM, de acesso gratuito.

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Fonte: Abralimp

Foto: Divulgação