Na Semana da Mulher, a Abralimp traz a segunda reportagem da série especial em homenagem às mulheres que batalham diariamente pelo segmento. Hoje, acompanhe o bate-papo com cinco líderes, presidentes e diretoras de entidades de Limpeza e Facility Management que vêm fazendo a diferença: Nathalia Ueno, vice-presidente administrativo-financeira e primeira liderança feminina a assumir um cargo na Direx da Abralimp; Cássia Almeida, superintendente Executiva da Facop (Fundação de Asseio e Conservação, Serviços Especializados e Facilities); Irimar Palombo, presidente da Abrafac (Associação Brasileira de Facility Management, Property e Workplace); Rosangela Manteigas, presidente do Grupo de Mulheres de Facilities; e Denise Cruz, gerente Executiva da Abralimp.

 

HigiPlus – Como se deu sua entrada no setor de Limpeza Profissional / Facility Management?

 

Nathalia – Costumo falar que “nasci” no setor de Limpeza. Quando meus pais fundaram a Paineiras eu tinha três anos, então desde muito cedo acompanhava minha mãe nos trabalhos. Naquela época, os pagamentos eram feitos em dinheiro, o vale-transporte era em papel e, para mim, era uma diversão ajudar a separá-los, ir aos postos com minha mãe fazer as entregas e conversar com as funcionárias. Mas foi em 2007, numa viagem para a Austrália, depois de formada, que senti gosto pelo setor de Limpeza, pois trabalhei em uma empresa de terceirização de serviços na própria função de Auxiliar de Limpeza. Eu fazia a higienização de uma escola particular e trabalhava em dois períodos. Ao voltar para o Brasil, vim conhecer a empresa de perto. E lá se vão 13 anos.

 

Cássia – Estou no setor há oito anos e cinco meses. Cheguei por uma feliz coincidência: a diretoria da Facop programava uma mudança na gestão, já nos conhecíamos de outro setor e já tinham referências do meu trabalho. Eu estava em um momento de muitas mudanças e com muita vontade de morar em Curitiba (PR), onde fica a sede da Facop, bem como de utilizar meus conhecimentos e experiências atuando em fundações ou institutos. Embora não tivesse trabalhado diretamente no setor até aquele momento, tinha experiência e olhar de cliente, o que foi muito importante na minha nova função.

 

Irimar – Em 2001, fui contratada como engenheira de manutenção do Sesc Catanduva e, assim como vários colegas, entrei na área sem conhecê-la. Além da manutenção, era responsável pela operação predial, limpeza, vigilância e montagem de eventos, mas o termo Facility Management (FM) ainda não era difundido. Fui ganhando responsabilidades até ser convidada para trabalhar no Sesc Pompéia, em São Paulo. Comecei a estudar e pesquisar mais sobre a área e me descobri FM. Em 2003, comecei a participar de grupos e reuniões que culminaram na fundação da Abrafac; também participei da terceira turma do MBA de Gerenciamento de Facilidades da Poli/ USP.

 

Rosângela – O Facility Management (FM) aconteceu em minha vida quando mudei para a Gatti Transportadora, a atual empresa onde trabalho. Inicialmente, a necessidade era entender as demandas de um cliente, mas depois percebi que tudo o que eu fazia estava inserido em FM. Mais adiante, fui sócia da Fátima Sousa na Facilities Services, atual FS Educa, e agora estou presidente do Grupo Mulheres em Facility ManagementWorkplace.

 

Denise – Iniciei na Abralimp em fevereiro de 2009, há 12 anos, e me apaixonei pelo segmento. Também não posso deixar de citar os desafios de atuar no terceiro setor, onde até então eu não tinha vivência. Essa tem sido uma experiência fascinante, de superação e constante aprendizado.

 

 

HigiPlus – Quais os maiores desafios em ser uma liderança feminina no setor de Limpeza/ Facility Management? E as principais recompensas?

 

Nathalia – Sinto-me honrada em ser a primeira mulher a fazer parte da Direx e, para ser sincera, não tive grandes obstáculos ou desafios. Fui muito bem recebida, e sinto um respeito e carinho muito grande de todos ali. Já participo mais ativamente da Abralimp há alguns anos, então só tenho a agradecer pela receptividade, pela troca de conhecimentos e pelo respeito de todos que fazem parte da associação.

 

Cássia – Sempre trabalhei em espaços corporativos ou em áreas com predominância masculina. Por isso, quando ingressei no setor de Limpeza não senti grande diferença. Resistências a mim por ser mulher já não me paralisavam ou desafiavam, neste ponto a minha resposta era seguir agindo como profissional e mulher. Lembro-me de um evento do setor que, no momento da foto, havia cerca de 15 homens líderes e eu entre eles. Coincidentemente, estavam todos de ternos escuros e eu de vestido branco, ou seja, de qualquer forma me destacaria. Mas o que mais me impressionou foi a empatia que criei em outras mulheres que, após o evento, vieram conversar comigo. Então, o desafio – e, também, a maior recompensa – é poder contribuir com meu trabalho e minha atuação para que outras mulheres alcancem posições de liderança.

 

Irimar – Sou a primeira mulher presidente da Abrafac. Estou na associação desde sua fundação, fui conselheira em todas as gestões, e crescer é um caminho natural quando você se dedica, bem como ganhar responsabilidades e o respeito de todos. A recompensa é fazer a diferença na vida de outras pessoas, saber que seu trabalho e seus esforços impactam positivamente o mercado e a vida de outros profissionais.

 

Rosângela – Eu acredito que existem desafios para todos os gêneros.  O que faz a diferença é como você os encara e os transforma em oportunidades. Temos vantagens que os homens não possuem, como fazer várias coisas ao mesmo tempo, sermos mais determinadas e lidarmos com a emoção e a racionalidade de forma mais plena e clara. Quanto às recompensas, creio que todas: a vida por si só é uma recompensa em qualquer situação, seja ela profissional ou pessoal, desde que bem administrada e tratada com altruísmo e otimismo.

 

Denise – Há 12 anos, quando comecei, a liderança masculina na Limpeza Profissional era ainda mais acentuada, mas isso vem mudando nos últimos anos em um ritmo acelerado. O maior desafio é ainda ser minoria, sendo que as mulheres do nosso setor possuem competências e habilidades incríveis e vêm demonstrando isso em várias frentes. As recompensas são várias. Mas, a meu ver, a principal é dar o exemplo, incentivar e inspirar a formação de novas e futuras líderes, dar oportunidade na contratação de mulheres e acompanhá-las para que desenvolvam suas habilidades.

 

 

HigiPlus – Embora ainda seja um setor majoritariamente masculino, é notório o aumento no número de lideranças femininas. Como você acredita que mais mulheres já modificam ou irão modificar o segmento?

 

Nathalia – Tem algo curioso nisso: realmente a alta liderança das empresas é muito masculina, mas nosso setor é “carregado” pelas mulheres. Posso afirmar que 80% da nossa base é formada pela força feminina. Já ao subirmos para cargos mais administrativos e gerenciais, esse percentual começa a mudar, principalmente quando chegamos às diretorias. Mas isso são apenas números: o que importa é que as mulheres estão aos poucos assumindo altos cargos e mostrando o quanto são capazes.

 

Cássia – Acredito que a diferença depende da pessoa, de sua formação, valores, propósitos, entre outros. Mas, de forma geral, mulheres líderes possuem uma combinação de sensibilidade, foco e relacionamento que as difere e gera resultados positivos. Sobretudo coragem e determinação para assumir que agir com sensibilidade é uma força e não uma fraqueza. No entanto, mesmo em empresas que buscam equilibrar a liderança entre gêneros, ainda há casos de salários menores para as mulheres. Inacreditável que isto ainda persista.

 

Irimar – A diversidade é boa, enriquece o debate e favorece a criatividade, já que se tem diversos pontos de vista. Homens e mulheres têm características diferentes que se complementam, e o convívio no ambiente de trabalho, cooperando e desenvolvendo projetos, deve promover boas trocas, equilibrar características e trazer enriquecimento para as equipes. Isso, na área de Facility Management, vem acontecendo de maneira natural e agregadora. O reflexo é que temos na Diretoria Executiva da Abrafac 50% de diretoras, bem como 35% de representatividade feminina no Conselho de Administração.

 

Rosângela – Hoje já vemos muitas mulheres ocupando cargos excelentes e comandando equipes estratégicas em grandes empresas. Tento sempre lembrar do que já conquistamos e que, agora, é questão de quem está mais preparado para o mercado. Podemos estar onde quisermos, o que precisamos é mostrar que somos capacitadas e que não somos “mais” nem “menos” do que qualquer gênero.

 

Denise – Quanto mais plural for um setor e sua liderança, mais opiniões e pontos de vista serão levados em conta. Assim, as tomadas de decisão se tornam mais assertivas, pois consideram todo um contexto e não apenas o olhar de um nicho. Pensando nisso, a representatividade feminina não só pode como, certamente, consegue contribuir para o crescimento e desenvolvimento do mercado.

 

 

HigiPlus – Qual a principal lição que deixaria para outras mulheres que estão lendo essa reportagem?

 

Nathalia – Acredite no seu potencial, corra atrás dos seus sonhos, realize suas vontades e acredite em sua intuição. Temos uma capacidade enorme em fazer várias coisas ao mesmo tempo, e isso ficou claro durante a pandemia. Tivemos que olhar mais atentamente para os nossos lares, tivemos que voltar a ser as responsáveis pela limpeza, pela comida, viramos professoras, tudo isso sem deixar de lado nossa função dentro das empresas. E conseguimos. Vamos em frente, porque desistir dos sonhos não é uma característica feminina. Que todas tenham a oportunidade de seguir em busca de seus objetivos.

 

Cássia – Precisamos cada vez mais de mulheres líderes com coragem e leveza, força e autenticidade, firmeza e flexibilidade, e conscientes de que estão atuando com e para pessoas, além de seguras o suficiente para entender que esse é o caminho dos melhores resultados.

 

Irimar – O reconhecimento do esforço sempre é brindado ou premiado quando se está num ambiente adequado. Portanto, se esforce, trabalhe duro e observe se está em um ambiente ético, que o crescimento virá naturalmente.

 

Rosângela – Diria a todas que ser mulher é um privilégio. Que somos dotadas de tantos requisitos incríveis, que conseguimos alinhar amor e trabalho, filhos e relatórios. A comparação não nos leva a nada. Temos que nos preparar intelectualmente para seremos capazes de feitos incríveis. Temos que estar juntas e parar de competir com qualquer gênero que seja.

 

Denise – A principal lição é: por mais que o mercado ainda seja masculino, a cultura está mudando e as oportunidades têm aumentado. Então, trilhe sua carreira pautada em estudo, treinamento, ética, bom senso e competência, para se destacar e conquistar seu espaço profissional.

 

 

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.